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domingo, 5 de junho de 2011

Há domingos assim...

A Última Nau

Levando a bordo El-Rei D. Sebastião,
E erguendo, como um nome, alto o pendão
Do Império,
Foi-se a última nau, ao sol aziago
Erma, e entre choros de ânsia e de pressago
Mistério.

Não voltou mais. A que ilha indescoberta
Aportou? Votará da sorte incerta
Que teve?
Deus guarda o corpo e a forma do futuro,
Mas Sua luz projecta-o, sonho escuro
E breve.

Ah, quanto mais ao povo a alma falta,
Mais a minha alma atlântica se exalta
E entorna,
E em mim, num mar que não tem tempo ou spaço,
Vejo entre a cerração teu vulto baço
Que torna.

Não sei a hora, mas sei que há a hora,
Demore-a Deus, chame-lhe a alma embora
Mistério.
Surges ao sol em mim, e a névoa finda:
A mesma, e trazes o pendão ainda
Do Império.

Fernando Pessoa, in Mensagem, edição Fernando Cabral Martins, Assírio & Alvim

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Diáspora portuguesa



Like to a ship that storms urge on its course,
By its own trials our soul is sure made.
The very things that make the voyage worse
Do make it better; its peril is its aid.
And, as the storm drives from the storm, our heart
Within the peril disimperilled grows;
A port is near the more from port we part -
The port whereto our driven directions goes.
If we reap knowledge to cross-profit, this
From storms we learn, when the storm's height doth drive -
That the black presence of its violence is
The pushing promise of near far blue skies.
  Learn we but how to have the pilot-skill,
  And the storm's very might shall mate our will.

Fernando Pessoa, Sonetos - aqui

A biblioteca particular de Fernando Pessoa já está online.

David  Burnyan quer Fernando Pessoa na categoria dos poetas Sul Africanos aqui.