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sexta-feira, 10 de junho de 2011

10 de Junho



Descalça vai para a fonte
Leonor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura.

Leva na cabeça o pote,
O testo nas mãos de prata,
Cinta de fina escarlata,
Sainho de chamelote;
Traz a vasquinha de cote,
Mais branca que a neve pura.
Vai fermosa e não segura.

Descobre a touca a garganta,
Cabelos de ouro entrançado
Fita de cor de encarnado,
Tão linda que o mundo espanta.
Chove nela graça tanta,
Que dá graça à fermosura.
Vai fermosa e não segura.

Luiz Vaz de Camões

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Natália Correia

Artur Bual - 'Natália Correia', óleo sobre tela
Fonte: Google

Auto-retrato
Espáduas brancas palpitantes:
asas no exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.
 

Natália Correia - Poesia Completa
Publicações Dom Quixote
1999

Nasceu a 13 de Setembro de 1923 em Fajã de Baixo, S. Miguel - Açores.



José Mário Branco - Queixa das almas censuradas