segunda-feira, 28 de maio de 2012

Novos tempos, pecados velhos


"Conversa sobre o financiamento da economia com o presidente de uma PME. "O gestor de conta do banco com que trabalho telefonou-me a dizer que a minha empresa tinha todas as condições para se candidatar à linha PME Crescimento e a perguntar-me seu eu não queria fazer isso. Disse-lhe que não tinha necessidade de momento, pois não estou a perspectivar investimentos a curto prazo. Mas ele insistiu. E disse-me que tinha toda a vantagem em pedir o financiamento para ganhar algum dinheiro. Como? Pedindo o crédito e colocando-o a render no banco. O juro que é aplicado ao empréstimo é inferior ao que os bancos pagam neste momento pelos depósitos. Portanto, fazer a operação dava-me a ganhar algum dinheiro."[...]

[...] Estes exemplos mostram que entre as boas intenções e a realidade vai um passo de gigante. Os governantes pensam que anunciar uma linha de crédito é o fim do trabalho. Infelizmente é o começo. A parte seguinte é garantir que o dinheiro chega a quem dele necessita e que é utilizado para os fins que se pretende. Tudo o que seja menos que isso, não evita o desastre."

Nicolau Santos, excerto da crónica  "As boas intenções e as duras realidades", Expresso


domingo, 27 de maio de 2012

A zona...





Lê-se e não se acredita:

..[...] a da criação de "zonas económicas especiais" em "países da crise" (Krisenländer), de que a Grécia ou Portugal são citados como exemplos ilustrativos. Essas "zonas" são conhecidas na China e procuram atrair investimentos aliviando substancialmente a carga fiscal para as empresas e eliminando grande parte da legislação protectora do trabalho ou do ambiente".


Mas com representantes destes é natural que os alemães se sintam em casa.



sexta-feira, 25 de maio de 2012

Serventes lusos...


"Não havendo uma iniciativa central, é essencial reforçar a solidariedade entre os seus membros. O Mecanismo Europeu de Estabilidade, criado nesta crise para ajudar os países em dificuldade, representa apenas 5% do PIB da zona euro, ou seja, peca por insuficiente. A resposta teria de passar por qualquer coisa semelhante aos títulos de dívida europeia (‘eurobonds' ou euro-obrigações), preferencialmente numa iniciativa conjunta."
É  incompreensível, para não dizer ridículo, que Passos Coelho se mantenha nesta toada de cão amestrado  da Sra. Merkel,  defendendo  uma posição que a própria Alemanha, mais cedo do que tarde, irá ter de alterar.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

O verbo de encher


"Ninguém espera que o ministro da economia seja capaz de explicar seja o que for,  ele não tem essa capacidade, boa parte das coisas que ele diz transformam-se rapidamente em motivo de chacota".

Quando é este senhor que o diz, não sou eu que o vou contrariar. 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

A gangrena


Estou farta dos paninhos quentes, da falta de ousadia e do tom quase conciliatório com que os dirigente do PS estão a tratar o affaire Relvas. A questão é muito simples, Miguel Relvas ameaçou ou não a jornalista de divulgar anonimamente na internet factos da sua vida privada? Parece não restarem dúvidas sobre este ponto. Manuel Carvalho, sub-director de Público veio dar a cara e confirmar os factos. Não é hora de tergiversações. O momento já é suficientemente dificil e apodrecido, as famílias vivem tempos muito sofridos  com niveis de desemprego obscenos, que o primeiro-ministro  trata com a displicência conhecida, para termos ainda de engolir em seco mais esta vergonha que contribui para agravar a nossa depressão colectiva. Até parece que se deseja, de forma mais ou menos dissimulada, limpar este lixo para debaixo do tapete. "Eu não faço julgamentos prévios" diz  Zorrinho. Mas quais jugamentos prévios?  "É bom que o caso não gangrene"... está bem abelha! - a continuarem assim, vão ver o lindo enterro que o país vos reserva.

terça-feira, 22 de maio de 2012

O geuro e nós


Anuncia-se o casamento de conveniência entre  "ela" e o "geuro". O pessoal lá pela Merkelândia começar a perceber, tarde, que já nem eles estão a salvo...E para a tugalândia o peuro?

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Converseta de avental por causa das nódoas


"Julgo que é importante não desvalorizar o cumprimento das capacidades e competências da ERC sob pena de estarmos a desvirtuar o sistema"

Qual sistema?

domingo, 20 de maio de 2012

Europa, que futuro?


"Na Itália de Monti, suicida-se um pequeno empresário a cada três dias  e um grupo anarquista assalta as sedes das Finanças. Vaticina-se que, dentro de um ano, quando houver eleições, o mapa politico será outro: os partidos conservadores ter-se -ão dissolvido e recomposto; o centro, que aspirava a substituir os conservadores, terá deixado de existir e a esquerda terá finalmente decidido se quer ser centro-esquerda ou só esquerda. E há um novo partido, o dos indignados, o Movimento Cinco Estrelas (M5S), que obteve entre 10%-28% dos votos nas eleições municipais parciais deste mês."

Luísa Meireles, 15 dias que abalaram a Europa, Expresso

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sondagem



Sondagem da Eurosodagem Expresso/SIC. Seguro mantém-se à frente de Coelho, a distância entre PS e PSD está no nível mais baixo depois das eleições de Junho. Portas continua firme e hirto no topo da tabela.

Dia Internacional dos Museus


O Museu da Cortiça em Silves, integrado no complexo turistico Fábrica do Ingés, foi distinguido em 2001 com o prémio Luigi Micheletti para o melhor museu industrial da Europa,  tendo recebido o galardão das mãos da rainha Fabíola da Bélgica. O museu encontra-se de portas fechadas há três anos devido à falência do complexo turistico Fábrica do Inglés.  Hoje, Dia Internacional dos Museus  reabre ao público  por algumas horas para mostrar o estado de abandono e desolação a que chegou. Este é um cartão de visita negro não só para a região, como para o país. Diz que há por aí um grande empresário que é o rei da cortiça. Será que não tem uns tostões para salvar e o museu? Com elites destas não é de admirar que estejamos no buraco.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Citação

A estupidez sistémica

Sejamos claros: o significado político da vitória de François Hollande não se encontra tanto nas ideias novas, ou inesperadas, de que ele seria portador, mas no facto de representar o triunfo de ideias conhecidas que, até aqui, tinham sido vencidas e marginalizadas pela ortodoxia ultraliberal.

Este triunfo comporta talvez comode resto é natural - muitos equívocos. Mas o que é um facto é que o seu impacto político se tornou óbvio em poucos dias, mostrando bem que não tinham razão os conformistas cínicos que diziam que nada mudaria com esta eleição.

Como também não a têm os que se entregam a arrebatamentos demagógicos, como se tudo tivesse mudado de um dia para o outro.

Para já, lancetou-se o abcesso político Merkozy. E os alemães também estão a dar uma piedosa ajuda, com a série de derrotas que estão a infligir à chanceler Merkel nas eleições regionais. Mas é bom ter a noção de que ela se reserva para as eleições nacionais do próximo ano, e que a esse nível está tudo em aberto. E o brutal agudizar da crise grega não vai facilitar a vida a ninguém.

Entretanto, o tratado orçamental está arrumado, porque - para lá das cada vez maiores e decisivas reservas dos social-democratas alemães - nem a França nem a Itália o ratificarão. Com a derrota de Nicolas Sarkozy, Angela Merkel ficou sem aliados na Europa, o único apoio significativo com que agora conta é o da Finlândia.

A eleição de F. Hollande contribuiu para redistribuir as cartas do jogo político europeu, criando uma generalizada expectativa sobre o que o novo Presidente conseguirá fazer. As suas principais bandeiras são a reafetação dos recursos disponíveis dos fundos estruturais, a recapitalização do Banco Europeu de Investimento, a criação de project bonds e a taxação das transações financeiras. Estas bandeiras também não são novas, mas a nova relação de forças dá-lhes - sobretudo depois da deriva política dos últimos anos - outra força e credibilidade.

Com exceção da Alemanha, caminha-se assim para um consenso europeu sobre a necessidade de mudar de método e de estratégia na União Europeia. E a Alemanha acabará, a meu ver, por preferir o compromisso ao isolamento.

O processo de "saída da crise" será, todavia, longo e difícil - e ninguém sabe se ainda se irá a tempo de evitar o pior. Sobretudo porque a Europa, depois de durante séculos ter identificado a mudança com o progresso e com a melhoria geral das suas condições de vida, está agora paralisada com medo dela, olhando-a como a origem de todos os males e de todas as ameaças.

Mas não vale a pena continuar a fingir - como tantos políticos fazem - que não sabemos que aquilo com que hoje lidamos é com o fim de "um" mundo, o mundo que construímos nas últimas décadas, mais ou menos a partir da II Guerra Mundial. Depois dos sonhos dominados pela miragem do ilimitado na energia, no consumo e no crédito, descobrimos subitamente o imperativo dos limites. 
 
E é nisso que estamos. O problema é que, com a crise dos subprimes e depois com a crise do euro, a descoberta dos limites foi também a descoberta de uma economia que se baseava na siderante incúria de uma indústria financeira apoiada nas mais sofisticadas tecnologias, que instauraram o que inspiradamente Bernard Stiegler designou como a "estupidez sistémica" do nosso tempo.

Estupidez que nasce do cruzamento do domínio tecnológico com a captura e a manipulação da atenção humana, nomeadamente através de um tão subtil como eficaz neuromarketing que promove um consumismo desenfreado, viabilizado pela incapacitação cada vez mais generalizada dos cidadãos.

Promovendo, por um lado, a destruição de todos os saberes e, por outro lado, a diluição de todas as responsabilidades.

E isto que explica o desatino político em que hoje se vive, bem como a ruína das evidências que nos cerca. Ruína das palavras, dos gestos e das ideias, que se tomaram vazias, previsíveis e inconsequentes, gerando uma atmosfera de crescente revolta, mas também de inegável impotência.

O que é preciso compreender é que estA estupidez sistémica foi - e continua a ser - criada pela progressiva perda das nossas capacidades, dos imensos saber-fazer e saber-viver das pessoas e das comunidades, cada vez mais sujeitas a uma socialização intensiva de tecnologias que apenas visam lucros fáceis.

Lucros que perderam qualquer perspetiva do investimento e qualquer sentido de médio/longo prazo, para se tomarem "naturalmente" especulativos, isto é, incapazes de se transformar em crédito útil para as economias, criando assim uma insolvabilidade cada vez mais estrutural.

A recente revelação do "buraco" de dois mil milhões de dólares pela J. P. Morgan veio mostrar que, por mais pesadas que sejam as lições da crise, a especulação financeira não desiste de continuar a intoxicar o mundo dos seus produtos derivados, persistindo na senda do ilimitado.

Por tudo isto, a mudança - se vier de facto a ocorrer - não se vai ficar a dever a nenhuma palavra mágica, ao contrário do que as recentes litanias em torno da palavra "crescimento" parecem insinuar. Mas há talvez uma outra palavra que pode sintetizar a mudança que hoje se impõe e todos procuramos: é a palavra transição.

Uma transição que corte com A estupidez sistémica e aposte num mundo viável. Uma transição que seja simultaneamente, financeira e económica, energética e ecológica, cultura e educacional, social e geracional.

Mas para isso precisamos de políticos que sejam, também eles, de transição: de políticos com outra lucidez, que não estejam cativos, nem do statu quo nem da da indignação declamatória. Era bom que fosse esse o caso de François Hollande!  

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Perguntar não ofende

Porque não fazemos um outsourcing dos serviços e informação? Tendo em conta o estado geral a que o país chegou, estou segura que ninguém conspira para roubar o segredo da nossa decadência. De forma que o melhor é comprar feito, contratualiza-se uma avença com os serviços secretos de um país decente e fica o assunto arrumado. O País  poupa  dinheiro, ganha em qualidade e confiencialidade e os portugueses são poupados às intervenções indigentes duma classe política representada por gente sem dignidade nem decoro.

Faites vos jeux , rien ne va plus...


Os gregos levantaram esta segunda-feira depósitos no valor 700 milhões de euros. O Chefe do Estado grego antecipa que a situação se está a degradar rapidamente e irá piorar nos próximos dias.  Perante este cenário não sei se o país chega inteiro a novas eleições.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

À espera de um milagre


A senhora Merkel perdeu as eleições no Estado da Renânia do Norte-Vestefália, no que é considerado um teste à sua política europeia de austeridade para salvar o euro. François Hollande fará a viagem a Berlin mais distendido. A verdade é que a política imposta pelo defunto Merkozy levou os países do Sul da Europa a um beco sem saída. Está também em causa a rectificação do Tratado Orçamental, que o SPD se recusa a aprovar nos termos em que foi imposto por Merkel. É de chorar a rir, ou de rir a chorar consoante os gostos, quando nos apercebemos da sangria desatada aqui dos indígenas para a aprovação a toda a pressa do tratado que, nos termos em que nos foi apresentado, o mais certo é não vir a ser rectificado pelos próprios alemães. Enfim, em dia de Aparições, ao menos que as trinta e uma toneladas de velas na Cova da Iria ajudem à ocorrência de outros milagres, que bem precisados andamos.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Ir além da ....Merkel



Se o ridículo matasse, este descabelado governo Passos/Gaspar/Relvas, seria um cemitério.

"Para votar a favor, SPD e Verdes exigem a introdução, à escala europeia, de um imposto sobre transacções financeiras, cuja receita deverá servir para promover políticas de emprego e crescimento económico nos países da moeda única com mais dificuldades financeiras."

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Há dias assim...




Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam


e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício


Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós


e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição


Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor


E há palavras noturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos conosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o
amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita


Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar

Mário Cesariny, You are welcome to Elsinore,  in Pena Capital, 1957

terça-feira, 8 de maio de 2012

Romper com a troika, ou o regresso da política


[...]
"A troika entrou aqui como se Portugal fosse um protectorado. Mas não é! Isso foi um erro terrível. O primeiro-ministro, com a sua mentalidade neoliberal, disse que era preciso ir além da troika, e isso não faz nenhum sentido, no meu entender. E cada vez faz menos, à medida que a receita se vai desfazendo."
[...]
"A austeridade tal como a definem não tem sentido. Pode haver uma certa austeridade, sim, mas devia começar no governo. A austeridade deveria começar no governo e não nas pessoas e, sobretudo, não nos pobres e nos desempregados."

[...aqui]

É altura de dizer basta a este nojo de gente responsável  pela crise bancária, sem um mínimo de pudor nem de decência,  e que agora obrigam os pobres a  pagá-la.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

É preciso algo mais...



Syrisa é o segundo partido mais votado nas eleições grega. O sistema político tradicional na Grécia acaba de implodir sob o peso de austeridade irracional e sem fim à vista, sem futuro para os jovens e vexatória para a dignidade dos gregos. O destino do PASOK é o espelho e um aviso sério ao Partido Socialista que tem hesitado em se demarcar vigorosa e frontalmente da austeridade que o (des)governo além da troika nos está a impõr. Ter aprovado apressadamente o iniquo Tratado Orçamental, sem ter conseguido pelo menos impôr a inclusão do anexo das políticas de crescimento e de apoio ao emprego foi um erro que o PS vai pagar caro.

À la Bastille


Le début "d'un mouvement qui se lève partout en Europe et peut-être dans le monde"

domingo, 6 de maio de 2012

Ça ira!

Ir além da troika...


Notícia do  Expresso "entrega de IVA abre onda de falências na restauração, este ano, o sector espera que fechem 21 mil restaurantes e que se percam 47 mil postos de trabalho".
 
Já sabemos qual é o conselho do primeiro-ministro: habituem-se! A malta obediente, já se está a habituar à marmita onde quer que vá.  
 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Habituem-se, diz ele


"O desemprego está a subir em Portugal a um ritmo muito superior ao da média da zona euro. No conjunto do último trimestre do ano passado e do primeiro deste ano, a economia portuguesa regista mesmo a maior subida da taxa de desemprego em toda a União Europeia. A escalada do desemprego em Portugal continua sem fim à vista. Em Março, de acordo cornos dados publicados ontem pelo Eurostat, a taxa atingiu os 15,3% da população activa, renovando valores recorde que se vêm verificando desde início do ano. Portugal tem agora a terceira maior taxa de desemprego da Europa a 27, apenas atrás de Espanha e Grécia.

Mas tão ou mais preocupante que os valores do desemprego é o ritmo de subida do mesmo: nos últimos dois trimestres, a taxa aumentou 2,3 pontos percentuais em Portugal, de longe a maior subida em toda a União Europeia. Poderá apenas ser suplantada pela subida registada na Grécia, cujos dados mais recentes dizem respeito a Janeiro e, por isso, não permitem ainda fazer a comparação. E está bem acima da média da zona euro, onde a subida da taxa foi de 0,6 pontos percentuais
."



Fonte:Diário Económico

Sobre este drama, já todos conhecemos o pensamento do primeiro-ministro: "temos de estar preparados para viver durante pelo menos dois ou três anos com níveis de desemprego a que não estávamos habituados".

Não há quem lhe esfregue um gato morto na cara até ele miar?



quarta-feira, 2 de maio de 2012

Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado...

 


 "Os donos do Pingo Doce quiseram esfregar-nos na cara o nosso egoísmo, a nossa venalidade, a tremenda distância que nos separa dos outros, desde que de permeio esteja o nosso umbigo. Quiseram fazer-nos provar a gordura cobarde que temos em vez de músculo; explicar-nos, muito devagar, como se fossemos imbecis, que nada nos custa pisar as vidas dos vizinhos desde que seja para alcançar couratos a metade do preço. E conseguiram. Anunciaram primeiro que iam obrigar os seus trabalhadores a laborar no feriado do 1º de Maio. Quando alguma polémica eclodiu, sujeitaram a referendo nacional a solidariedade da manada tuga: "E se vos déssemos um desconto jeitoso, ainda ficariam do lado dos oprimidos, ou correriam por cima deles para agarrar vinho em saldos?" O resultado viu-se ontem pelas nossas ruas: milhares a encher bagageiras com os despojos dos direitos dos outros.

Nas declarações de rapina, o gáudio cheirava-se à légua: "Podemos registar o entusiasmo e a euforia dos nossos clientes, que precisam de campanhas como esta." Como precisamos, foi só assobiar para nos pormos de cócoras, orifícios lubrificados pela nossa própria cupidez.

Pouco depois, quase todas as grandes superfícies comerciais decretavam, à força de intimidação, a morte do 1º de Maio. Mais um capítulo na história da infâmia em que vamos dando razão ao ditador que nos baptizou como "uma nação de cobardes" - acrescentámos ontem a palavra que faltava: "Glutões."  " 

Luís Rainha, "Por um prato de lentilhas, mas com 50% de desconto"  

terça-feira, 1 de maio de 2012

De janeiro a janeiro....


"Na loja do Pingo Doce de Telheiras, uma das maiores da cadeia na zona da grande Lisboa, são milhares os clientes à espera de entrar e há longas filas de trânsito em redor daquela superfície. Muitas prateleiras estão vazias e, às 15h, os clientes chegavam com carrinhos de compras vazios de uma cadeia de supermercados concorrente para se poderem abastecer. Às quatro da manhã havia gente sentada à porta desta loja à espera da hora de abertura
 [...]
Pelo chão da enorme superfície comercial havia centenas de produtos abandonados. Pacotes de esparguete, arroz, latas de salsichas, garrafas de vinho partidas, entre outros, dificultavam ainda mais a circulação."


Mais palavras para quê? é o tuga é o tuga....

A liberdade já não passa por aqui


Diz que é uma espécie de liberdade.

João Paulo Guerra, uma das poucas agulhas no palheiro da imprensa da económica. Esta foi a sua última crónica no Diário Económico.  A surpresa foi ter durado tanto tempo...

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Passados 42 anos...

"...o grupo Auchan , “pela primeira vez desde a sua implantação em Portugal e devido à conjuntura económica que o país atravessa foi tomada a decisão de também abrir as lojas Jumbo e Pão de Açúcar"

O que a malta adora passear nos corredores dos hipers nestes dias, não tem explicação...

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O regabofe


Voltando à vaca fria  "Algúem neste país sabe o que é que se passou com a Madeira?"

Dias da Música



Este fim de semana vai ser assim:  6ª edição dos Dias da Música no CBB tendo como tema "A Voz Humana - O Canto Através dos Tempos". Veja aqui toda a programação.

O herdeiro


Está encontrado o herdeiro político de Alberto João Jardim. De pequenino se torce o pepino, quem sai aos seus não degenera, a coisa promete. Tudo em família.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Foi um grande desfile

 

Não assisti às comemorações do 25 de Abril da Assembleia da República. Quando de manhã liguei a televisão já decorria a cerimónia, mas eu decidi que não ia perder muito tempo com aquilo. Mal vi o friso do governo engalanado de cravo ao peito, foi com dificuldade que não vomitei o cereais do pequeno-almoço.  De forma que desliguei o aparelho, equipei-me e fui para o ginásio. Em boa hora o fiz, já que o senhor Silva, sem um pingo de vergonha na cara, não voltou a falar em "limites para os sacrifícios".
Cheguei ao ponto de encontro na Av. da Liberdade pelas 15:00, chovia, fazia um vento frio e instalou-se uma invernia como há muito não me lembrava neste dia. Nada que esmorecesse ou desmobilizasse os muito milhares que desfilaram até ao Rossio. Foi um grande, grande desfile.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Os donos de Portugal


Donos de Portugal from Donos de Portugal on Vimeo.


Passou de mansinho, pela calada depois das duas da noite na RTP2, a ver se ninguém dava por ele....

25 de Abril



Esta é a madrugada que eu esperava

O dia inicial inteiro e limpo

Onde emergimos da noite e do silêncio

E livres habitamos a substância do tempo


Sophia de Mello Breyner Andresen




terça-feira, 24 de abril de 2012

Miguel



O quê que se diz numa altura destas?

Onde estavas no 25 de Abril?


Quem é Ricardo Costa?  quem é que está interessado em saber o que pensa o porta-voz de  Pinto Balsemão ?
este láparo infelizmente bem nosso conhecido,  só poderá estar a ver-se ao espelho quando afirma que  "certas figuras aproveitam o 25 de Abril para ter protagonismo".

Abril não desarma



25 de Abril sempre!


segunda-feira, 23 de abril de 2012

"Parideira sem alma"

"Cerca de quatro meses após o chefe do Governo exortar os professores sem colocação a emigrarem e do secretário de Estado da Juventude aconselhar os jovens portugueses desempregados a seguir o mesmo caminho, o secretário de Estado das Comunidades admitiu que o Governo está preocupado com a emigração. "Evidentemente que o Governo está preocupado", disse o governante. E explicou que "vamos perder muitos quadros" qualificados, sem trabalho no respectivo país e atraídos, lá fora, por trabalho certo, segurança no emprego e salários a perder de vista em relação aos que se cometem em Portugal. E esta sucessão de declarações parece confirmar a ideia de que o Governo alberga uns quantos aprendizes de feiticeiros que falam primeiro e medem as consequências depois.

Com 38 anos de idade, a democracia em Portugal tinha obrigação de ter mais qualidade e estabilidade. Mas a verdade é que cada dia é um marco numa marcha atrás acelerada. Há 38 anos, observando a cavalgada de sacrifícios para os quais, afinal, ninguém sabe apontar um destino, uma meta e um calendário, dir-se-ia que "não foi para isto que se fez o 25 de Abril". Com efeito, o rumo mais dramático da política do velhíssimo Estado Novo está em vias de reposição, com os portugueses a verem apenas um caminho para a frente, quando tudo anda para trás no seu País. E o caminho é o da emigração, que até mesmo governantes têm deixado escapar como solução para os problemas de Portugal e dos portugueses. Sendo que o reconhecimento da emigração como destino é a confissão do Fracasso das políticas internas de sucessivos governos.

Pela mão dos seus burocratas, Portugal tornou-se um País que nega o futuro aos próprios filhos. Não será a Pátria, ou a mãe, é simplesmente uma parideira sem alma. "

João Paulo Guerra, Fracasso, Diário Económico  

Maio maduro maio...


 
A Europa poderá ainda ter salvação? " Le 6 mai, je veux une belle victoire".

domingo, 22 de abril de 2012

Citação

"Um estudo do FMI veio dizer o óbvio: que uma rápida contração orçamental em contexto de crise agrava essa crise. Que esse efeito está a ser ainda maior do que o previsto. E que se a despesa e o investimento do Estado são cortados à bruta, o resultado para as contas públicas será o oposto ao pretendido. Meia dúzia de "lunáticos" andam a dizer e a escrever isto desde que esta crise começou. Agora é uma das instituições que nos serviu esta mistela que o afirma. Se é o cozinheiro que nos diz que a refeição nos fará mal, porque insistimos nós em comê-la?"

Daniel Oliveira, Jantar Estragado, Expresso.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

10 meses depois...



O Partido Socialista sobe,  rompendo a barreira psicológica dos 30% e António José Seguro consegue a proeza de ficar à frente do Primeiro Ministro. Isto revela que os portugueses finalmente parecem ter percebido o tipo de homem que colocaram à frente dos destinos do país. Um homem sem substância, sem qualidades à altura da díficil situação que o país se atravessa,  incapaz de mobilizar os portugueses, que mente e esconde as suas intenções como forma de governar, arrogante com os fracos e subserviente com os fortes, que confunde a governação do país com um mero exercício contabilistico, a exemplo das funções que exercia nas empresas do tio Ângelo.

Imagem roubada ao Luís Moreira

quarta-feira, 18 de abril de 2012

"Custe o que custar"


"O FMI alerta, ainda, os países com mais folga orçamental (como a Alemanha) a reconsiderarem os planos de austeridade, sob pena de mergulhar toda a região do euro numa crise prolongada".

Tarde piaram?

Não, não vamos brincar à caridadezinha



 
"O que eu não aproveito ao almoço e ao jantar? "
Vejo por aqui gente que tinha mais do que obrigação de aqui não estar. Uma tristeza.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Tabu



Fui ver "Tabu" de Miguel Gomes. Um filme belissimo, melancólico, encantatório, excêntrico, que me transportou para a Minha África. Não tenho palavras, pela vossa rica saúdinha, não deixem de ver.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

O showbiz do Titanic


"Dois navios partiram de Nova Iorque, nos EUA, e de Southampton, em Inglaterra, para cruzeiros que pretendem recriar a primeira e única viagem do Titanic e esta madrugada prestam homenagem às vítimas do naufrágio 100 anos depois".

Se há coisa que provoca em mim uma repulsa imediata é este tipo de euforia gerada não se sabe muito bem por quem,  nem  porque razão. Devo ter sido das poucas criaturas que não viu o filme no final dos anos noventa e não tenho a mínima intenção de ir gastar oito euros com a versão 3D.  A humanidade está cheia de acontecimentos trágicos, mas nem todos possuem o glamour de ter tido uma orquestra que se manteve a tocar enquanto o navio se afundava. Das 2.240 pessoas a bordo morreram 1.523, sendo que os sobreviventes do naufrágio eram na esmagadora maioria passageiros da primeira classe, enquanto que os da terceira classe ficaram encurralados por uma parede que os impedia de sair e com quatro botes à disposição quando já não havia mais ninguém endinheirado para "salvar". Nada de novo portanto.

domingo, 15 de abril de 2012

Bater nos fracos

"As pensões de reforma, salvo as milionárias, obtidas em bancos e empresas públicas com regimes escandalosos, não são uma dávida pública; são uma obrigação que o Estado contraiu perante os cidadãos a quem impôs, sem dar alternativa, descontos chorudos em décadas de trabalho. São uma retribuição devida e não uma benesse concedida. Isso é sabido, mas faz caminho nos media um discurso que toma os pensionistas como privilegiados porque ainda têm reforma - ou porque ainda não morreram -, quando as gerações mais novas poderão não receber nenhuma. Este discurso, alimentado pela forma agressiva como o Governo tem tratado os pensionistas, é perigoso e injusto. Perigoso porque lança uns contra os outros diferentes sectores da população, e injusto porque, além de serem tão penalizados como os funcionários públicos, quando a maioria deles nunca foi funcionário público, aos reformados não sobra, em geral e ao contrário dos de outra condição, nenhuma alternativa de sobrevivência. É fácil descarregar frustrações e receios próprios nos mais fracos e já sem poder reivindicativo, mas esta não é, seguramente, a mais nobre das atitudes."

Fernando Madrinha, Expresso

sexta-feira, 13 de abril de 2012

branco no branco



Parabéns Maria do Sol.

Dava um filme, lá isso dava

"Não imaginam quanto lamento não ter o tempo nem o talento para digerir os 70 volumes e 700 apensos do caso BPN e escrever um thriller baseado nos factos reais da maior fraude portuguesa do século. A realidade supera sempre a ficção. Duvido que John Grisham fosse capaz de imaginar a cena do juiz presidente do coletivo ter de fazer uma coleta para comprar no IKEA uma estante para arramai o processo - que lhe foi negada pela DG da Justiça.

A galeria de personagens é estupenda. Ken Follet teria de nascer duas vezes para conseguir inventar um naipe tão rico, denso e variado. No protagonista, Oliveira e Costa, que por alguma razão era conhecido na sua terra (Esgueira) como Zeca Diabo, e que munido de um cartão laranja subiu na vida ao ponto de chegar a secretário de Estado.

Saído do Governo de Cavaco, na sequência de um perdão fiscal mais que suspeito a empresas de Aveiro (Cerâmica Campos, Caves Aliança), foi recompensado pelo seu amigo com uma vice-presidência do BEI, apesar de ter um inglês ainda mais rudimentar que o de Zezé Camarinha.

Amigo do seu amigo, Costa comprou, em 2001, um lote de ações da SLN (dona do BPN), a 2,4 euros cada, que revendeu com prejuízo (a um euro/ação) ao amigo algarvio (o Aníbal, não o Zezé) e à filha dele. Menos de dois anos depois, Cavaco e Patrícia venderam as ações com um lucro de 140% - ele ganhou 147 mil euros, ela 209 mil. Nada mau.

Quando o naufrágio foi evidente, Zeca Diabo teve a dignidade de ir ao fundo com o barco, aceitou fazer de único responsável pelas patifarias. Em recompensa pela imolação, foi libertado devido "ao seu estado de saúde e por se encontrar em carência económica".

O elenco de atores secundários também é muito atraente e diversificado. Por exemplo, Manel Joaquim (Dias Loureiro), o filho de comerciantes de Linhares da Beira que chegou a ministro, conselheiro de Estado e administrador-executivo do BPN, carreira em que fez fortuna ao ponto de poder comprar, por 2,5 milhões de euros, à viúva de Jorge Mello, uma mansão no Monte Estoril.

Temos também Vítor Constâncio que, apesar de usar óculos e ser o governador do Banco de Portugal, foi o último a ver a falcatrua, anos depois da Deloitte, Exame e Jornal de Negócios terem alertado para o assunto.

E ainda Scolari, que recebia 800 mil euros/ano, Figo (apenas 400 mil/ano) e Vale e Azevedo, que sacou dois milhões (passaram-lhe o cheque antes de verificarem as garantias), e tantas outras figuras do nosso Gotha que lucraram com um banco que tinha balcões em gasolineiras e ativos tão extravagantes como 80 Mirós e uma coleção de arte egípcia.

O enredo é fabuloso. Dava um filme indiano. Só espero que, na venda ao BIC, o Estado tenha tido o bom senso de reservar os direitos de adaptação ao cinema desta história, que estou certo será disputada por Hollywood e Bollywood. Sempre será algum dinheiro que entra para minorar o prejuízo de seis mil milhões." 

O BPN dava um filme indiano

Por
JORGE FIEL , Jornal de Notícias 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

SPÓÓÓÓÓRTEM!


À espera do fim


"O estado do país é como um baralho de cartas, um pouco mais de vento e poderá fazer cair todo o castelo.  [...] mais austeridade só aumentará a tempestade no país: quer económica, quer social ou política."

Isto seria cómico se não fosse trágico. O FMI começa a tirar o cavalinho da chuva, no final vão dizer como o senhor Aníbal Silva, eu fartei-me de avisar e ninguém me quis ouvir. Os maus ventos da crise que começam a soprar com força vindos de Espanha, recomendam que sigamos este exemplo. Melhora a disposição geral e ainda ajuda a poupar na conta da farmácia.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Vida de cão

(...)

"O PS parece não estar disponível a abdicar da adenda porque considera que o Tratado que será debatido amanhã e votado sexta-feira "é insuficiente". (...) o porta-voz do PS, João Ribeiro, foi claro: "O protocolo adicional é essencial para nós porque equilibra o tratado [Orçamental Europeu], estamos abertos a receber contributos e mexidas num ponto ou outro mas isto não é uma negociação". Resultado? (...) Se maioria e PS não conseguirem chegar a acordo, os socialistas levarão a votos o seu projecto de resolução com a adenda. E, embora este chumbe, os socialistas votarão na mesma a favor do tratado. "É o nosso contributo para o consenso europeu", responde João Ribeiro"...

fonte

terça-feira, 10 de abril de 2012

Nós, os burros...


O Primeiro-Ministro,  "esclareceu", durante a sua viagem a Moçambique, a razão da golpada secreta das reformas antecipadas:

 
"Se o Governo tivesse comunicado com grande antecedência que ia proceder nesse sentido, evidentemente que o objetivo que pretendia seria furado pelo recurso ainda mais intenso a esse mecanismo»

e acrescentou, não fora dar-se o caso de não termos compreendido bem, que

«A decisão que o Governo tomou teve apenas a preocupação de garantir que o efeito que o recurso a pensões antecipadas estavam a ter sobre o orçamento da Segurança Social não pusesse em risco a execução do nosso orçamento para este ano»

É extraordinária  a cara de pau  com que se passa um atestado de menoridade mental a todos nós, é extraordinário que Passos Coelho não perceba que não é essa a explicação que como primeiro-ministro lhe compete dar,  e no entanto no pasa nada..

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Os mortos da Páscoa


Como estava um uma bela tarde de sol,  fui com a família dar um passeio até à vizinha praia de Carcavelos depois do almoço do domingo de Páscoa. Que me recorde foi a primeira vez que me lembrei de dar um salto à praia no dia de Páscoa. É que antigamente  nesta época as enchentes na marginal eram de tal ordem, que eu comodista e avessa à barafunda decidia que em casa é que se estava bem.  Apesar da magnifica tarde de sol, a marginal era um sombra dos dias em que gloriosas e enervantes  filas de carros a entupiam por quilómetros  a perder de vista. Não é por isso de estranhar que já só vão morrer na estrada  os poucos que ainda resistem ligados à máquina. Os restantes morrem silenciosamente, fora destas estatísticas, acabrunhados dentro de casa.

Regresso ao futuro


"As contas foram mal feitas, os dossiês mal estudados, a estratégia mal escolhida. Mas o Governo vai prosseguir no mesmo caminho, porque o que eles nunca reconhecerão é que as suas ideias estão erradas: só funcionam em laboratórios onde se cozinham os MBA.
Presumivelmente, o Governo irá assim tornar definitivo o que era excepcional (como os cortes no 13º e 14º mês); irá aumentar a receita fiscal, subindo ainda mais os impostos, [...] Vai consumar o crime antipatriótico de privatizar a TAP (e, para mais, a preço de saldo), vai vender a água, os aeroportos, tudo o que mexer. E vai privatizar um canal da RTP, apenas porque o ministro Relves quer e não tem de ar satisfações a ninguém, embora já toda a gente lhe tenha explicado que vai ser um desastre para todos."

Miguel Sousa Tavares, À Espera do Milagre, Expresso

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Crucificados


Era preciso cortar nas gorduras do Estado dizia Passos Coelho. Um ano depois as gorduras criam ranço, a economia caiu a pique, o país está parado, o Banco de Portugal prevê  a uma recessão de 3,2% de que não há memória, o desemprego já atingiu a  assustadora marca de 15% não sendo difícil antever que no final do ano será certamente superior, a inflação já vai em 3,6% (a Espanha tem 1,8%). Temos um Primeiro-Ministro politicamente impreparado, mentiroso, obcecado e ansioso por mostrar serviço à senhora Merkel, atento e obrigado com os fortes, insensível ao sofrimento dos fracos.
O PEC IV era o diabo, diziam eles.

Eles falam, falam...


Victor Gaspar garante que corte de subsídios é temporário;
PSD reafirma que não haverá corte de subsídios para lá de 2014;
Governo garante que cortes dos subsídios "não podem ser permanentes";

and last but not  least...

a graduação eventual do regresso dos ditos subsídios em ano de eleições...

até ver.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Como é possivel tanto roubo?


"Com a apocalíptica nacionalização do BPN e a agora entrega por tuta e meia ao BIC Angola, através do intermediário Mira Amaral, ainda haverá alguém que saiba quantos milhares de milhões de euros nele foram enterrados para minorar os roubos que lá se fizeram? Alguém sabe como vão as investigações, bem como a entrada em cena de uma comissão de inquérito gerada na AR, a fim de serem sancionados tantos criminosos de colarinho branco e amigalhaços que estiveram nas administrações, direções e algum preferencial clientelismo do referido banco? Quantos deles já foram julgados, condenados, confiscados os seus ilícitos bens? Parece que nada se passou e só sabemos que o Estado Português terá vendido a financeiros angolanos o BPN por uma bagatela, isto é, 40 irrisórios milhões de euros, divididos em quatro tranches. E não satisfeitas as partes com tão ruinoso negócio para Portugal, na semana passada o mãos-largas do Estado Português injetou mais 600 milhões de euros no referido buraco sem fundo do BPN, para esta semana confessar que ainda o vai reforçar em mais 300 milhões. Como é possível o povo português aguentar com tanto estoicismo tanto roubo milionário sem que ninguém vá para a cadeia, enquanto milhões de inocentes estão no limiar da pobreza, ou até na miséria?' " 

José Amaral, Jornal de Notícias

Os do RSI vestem Prada


Diz que há uma longa fila à porta da  Segurança Social desde as 6 horas da matina,  atulhada de malta proprietária de iates, embarcações e aeronaves, com contas bancárias recheadas, a inscrever-se no RSI.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Poirot


Foi contratado para encontrar os efeitos das medidas que o Álvaro colocou no terreno para fazer face à taxa record de 15% de desemprego. Já nem nos amigos ele pode confiar....

os homens não se medem aos palmos...medem?


"A Coreia do Norte reduziu a altura mínima exigida aos soldados de 145 centímetros para 142, uma vez que a geração actual sofre de raquitismo devido à fome que atinge o país desde a década de 90.

Todos os jovens de 16 ou 17 anos têm de cumprir o serviço militar obrigatório na Coreia do Norte, por um mínimo de 10 anos. As mulheres em bom estado de saúde também têm de cumprir o serviço militar, mas por menos tempo.
O Exército norte-coreano conta com 1,2 milhões de soldados, sendo o quarto maior do mundo em número de efectivos."

fonte

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Cerejeiras em flor

 
Este fim de semana foi assim. Aqui fica o registo dos homens e mulheres que contribuíram para o sucesso desta iniciativa inédita, e que foi a primeira de uma série que se seguirão. Parabéns ao Rogério da Costa Pereira, dinamizador e verdadeiro carregador do piano, que tomou a seu cargo a organização do evento. Deixo uma saudação ao Presidente da Câmara do Fundão, Paulo Fernandes, que soube estar à altura das melhores tradições democráticas de que se orgulha o Fundão.
Faz falta,  Ouvir e Falar.