"O primeiro-ministro olha o números e não se surpreende, não se alarma, não se indigna, não protesta, não se irrita, não altera o tom de voz, não se lamenta, não acusa, não pede desculpa...Fala, mas não comunica. Nenhum sentimento, nenhuma emoção. Diz que é "normal" o desemprego crescer ainda mais este ano. E que os números do INE estão "razoavelmente em linha" com as previsões do Governo. Dirige-se ao país - isto é aos desempregados e aos que tendo ainda trabalho, receiam o mesmo destino -, como se estivesse perante uma plateia de economistas a fazer uma apresentação de powerpoint. O que mais impressiona no discurso oficial sobre o desemprego já não é a falta de uma palavra sobre a má sorte de quem o sofre, a qual também pode soar a choradinho hipócrita. O que mais me impressiona é a fria naturalidade com que se assume que já não há nada a fazer "pelas gerações perdidas".
Fernando Madrinha, Gerações Perdidas no Expresso
A foto acima acaba de ser vencedora do Word Press Photo na categoria daily life, é do português Daniel Ribeiro, desempregado, que foi despedido há alguns meses do jornal onde trabalhava. Teve de vender todo o material fotográfico que possuía para poder sobreviver.