segunda-feira, 11 de março de 2013

Isto não vai acabar bem


"Embora os líderes da Europa fujam ao termo, a realidade é que grande parte da União Europeia se encontra em depressão. A queda na produção em Itália desde o início da crise é apenas comparável à da década de 1930. A taxade desemprego entre os jovens na Grécia ultrapassa agora os 60%, e a da Espanha está acima dos 50%. Com a destruição do capital humano, o tecido social da Europa desintegra-se, e o seu futuro é posto em perigo.
Os médicos da economia dizem que o doente deve manter-se neste caminho. Os líderes políticos que sugerem outra solução são catalogados de populistas. A realidade, porém, é que a cura não funciona, e não há esperança que vá funcionar - isto é, sem ser pior do que a doença. De facto levará uma década ou mais para que se recuperem das perdas inerentes ao processo de austeridade.[..]
O diagnóstico simplista dos males da Europa - que os países em crise viviam acima das suas possibilidades - está nitidamente errado, pelo menos em parte. [...]
O que não funcionará, pelo menos para a maioria dos países da zona euro, é a desvalização interna - ou seja, forçar a descida de salários e preços - já que isto aumentaria o fardo da dívida para as famílias, empresas e governos (que são detentores, na sua esmagadora maioria, de dívidas tituladas em euros). E, com ajustes a ocorrer em diferentes sectores a diferentes velocidades. a deflação provocaria importantes distorções na economia. Se a desvalorização interna fosse a solução, o padrão-ouro não teria constituído um problema durante a Grande Depressão. A desvalorização interna, combinada com austeridade e o princípio do mercado único (que facilita a saída de capital e a hemorragia dos sistemas bancários) constitui uma combinação tóxica. [...]
Sim, a Europa precisa de uma reforma estrutural, como insistem os defensores da austeridade. Mas será a reforma estrutural dos acordos institucionais da zona euro, e não as reformas no seio dos países, a que causará o maior impacto. A não ser que a Europa esteja disposta a encetar essas reformas, poderá ter que deixar morrer o euro para se salvar a si própria."


Joseph Stiglitz, Nobel da Economia e Professor na Universidade de Columbia, no Expresso 

domingo, 10 de março de 2013

O vazio insuportável



"Tem sido notado que o elemento mais surpreendente da manifestação do passado sábado foi o seu lado quase lúgubre. Durante longos momentos  enquanto desciam a Avenida  da Liberdade em Lisboa, milhares de pessoas caminhavam num passo pesaroso, sem o acompanhamento das palavras de ordem que tendem a surgir nestes momentos."
[...]
"Ainda assim, podíamos esperar uma revolta com algum tipo de expressão mais violenta, mesmo que apenas verbal. De algum modo, a rejeição profunda do estado de coisas combinada com ausência de alternativa visível podia encontrar escape numa espécie de baixo materialismo"[...] "Mas não, o mal-estar difuso, a indignação grisalha, encontrou refúgio num comportamento anómico.
Talvez esse seja um dos aspectos preocupantes da actual situação. Há demasiados sinais do que Durkheim chamou de anomia. Em "O Suicídio", para explicar causas não individuais do suicídio, o sociólogo francês destacava o papel dos laços comunitários como factores de integração individual, através de mecanismos de solidariedade orgânica, que contrariavam a tendência para o suicídio como resposta a acontecimentos negativos na vida de um indivíduo. Anomia correspondia, precisamente, a condições nas quais se assistia a uma quebra dos laços sociais entre um indivíduo e a sua comunidade.
Podemos bem estar a viver o início de um longo período onde a inércia social e política podem ganhar força. Faz sentido: estamos a assistir a uma mudança súbita da nossa condição económica, acompanhada por uma descoincidência quer entre os valores sociais e as aspirações individuais quer entre as proposições políticas e a existência quotidiana dos indivíduos."

Pedro Adão e Silva, A Maioria Silenciosa, Expresso

sexta-feira, 8 de março de 2013

8 de Março



Quando ainda há poucos dias se soube que a ONU se viu obrigada a cancelar uma maratona em Gaza porque o Hamas impediu a participação de mulheres na prova, merece destaque neste Dia Internacional da Mulher a luta da pequena e corajosa Melala Yousafzai  cobardemente atacada por uma cambada de loucos varridos,  que demonstra não ter medo e se propõe travar um combate pelo acesso das mulheres à educação.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Entregues à bicharada



"O que surpreende são homens que não sabem nem teoria nem a história de anteriores crises e que estão plenamente convencidos do que fazer na actual; e que a sua confiança nas suas receitas não tenha sido abalada pelo facto de se terem enganado sobre tudo até agora. E, claro, o que é ainda mais surpreendente é o facto de esses homens ainda estarem ao comando".

Paul Krugman  sobre "As baratas na Comissão Europeia", acusando directamente Olli Rehn, que "já devia ter sido demitido".

quarta-feira, 6 de março de 2013

O inconcebível


O inenarrável Gaspar, o tipo que não acertou uma, nem na dívida, nem no déficit, nem no desemprego, nadica de nada, faz lembrar aqueles capatazes negreiros que eram ainda mais zelosos da propriedade que os próprios donos, terá certamente um bom lugar à espera depois dos fretes que fez aos credores, não se enxerga quando resolve imiscuir-se acintosamente na  táctica negocial dos irlandeses. Este homem além de nos envergonhar a todos, prova à saciedade que não esta minimamente preocupado em defender os interesses de Portugal e dos portugueses. É urgente a demissão do governo.

terça-feira, 5 de março de 2013

segunda-feira, 4 de março de 2013

As manifes



"Quando as pessoas se manifestam, canalizam o descontentamento e, ao fazê-lo, exorcizam o mal-estar que pressentem individualmente e que encontra eco através da comunhão com milhares de outros manifestantes. Para mais, considerando que a onda de protestos recentes - por exemplo o "grandolar" - encontra acolhimento mesmo entre aqueles que não participam activamente, as manifestações, por si só, desempenham um papel relevante: consolidam laços de pertença a uma comunidade, que é por definição política. 
Contudo, há um conjunto de ilusões associadas a estas novas formas de participação.
A primeira das quais é a ilusão criada pelas redes sociais. O Facebook, os blogues e o Twitter potenciam formas de expressão política ambicionadas há séculos - não intermediadas, directas e individualizadas. Mas se estas formas de participação podem ser muitas expressivas, não são, no entanto, capazes de funcionar como válvulas de escape para o descontentamento. Pelo contrário, as redes sociais acabam por funcionar como repositório de tensões e ressentimentos, em lugar de promoveram a sua superação.
[...]
Não nego a importância do protesto baseado na recusa do que existe, mas, sem alguém que o represente organicamente, a sua eficácia é reduzida. Ora, o problema é precisamente esse: as formas tradicionais de representação de interesses já não são vistas como representativas, mas ainda não foram encontradas novas formas capazes de organizar a mudança. O que só consolida a natureza radicalmente nova da crise que enfrentamos."

Pedro Adão e Silva, O Novo Mundo do Protesto, Expresso

sexta-feira, 1 de março de 2013

Obviamente





Cada cavadela, uma minhoca. Sem vergonha.

"Mas quando um governo mente e engana, quando a oposição é ineficaz ou indecisa, e quem no sistema pode reagir, não reage, que fazer? Promover a revolta ou a insurreição? Aceitar o coma? Esperar por 2015? Creio que é imperativo ter algumas cautelas, desligarmo-nos do coma induzido e demonstrar, cantando de pulmão cheio ao supremo magistrado da Nação, que o regular funcionamento das instituições está hoje em causa, que o regime se encontra em pré-falência institucional, que ele tem de intervir. Entretanto, a sociedade civil tem de continuar o seu requiem por Portugal, intervir criticamente e obrigar a uma regeneração do sistema político-partidário. Tem de sair à rua no dia 2 de Março, e transformar uma anunciada missa de finados numa ideia de futuro, ao som de Zeca Afonso."
 
José Reis Santos daqui

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Indignai-vos!





Foto:  Stéphane Hessel por Richard Dumas, Paris 2011/Agence VU

Correr com eles


O primeiro ministro Passos Coelho confirmou que irá pedir mais tempo à troika para cumprir o défice. Mas no entanto jura a pés juntos que não mudou de discurso, já que o programa de ajustamento irá ser cumprido sem mais tempo e sem mais dinheiro. Confusos? Portugal foi o país da UE que mais reduziu as prestações sociais e no entanto o primeiro-ministro confirmou que vai apresentar à troika um programa de corte de mais  4 mil milhões de euros nas despesas do Estado de forma permanente. No próximo sábado  vamos dar-lhe a resposta, antes que apareça por aí algum grilo falante. 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A hora da verdade



"Os níveis da dívida pública são insustentáveis e a trajectória actual só pode ser invertida com excedentes orçamentais significativos durante muito tempo. Uma impossibilidade com o que se prevê para a nossa economia e para o conjunto da zona euro, também por força dos pacotes de austeridade que têm sido impostos.

A verdade é dura: ou nos batemos por uma renegociação da dívida, que liberte recursos para a dinamização da economia, ou resta-nos escolher entre aqueles que querem destruir a economia hoje para alimentar uma vã esperança de permanecer no euro e os que optam por destruí-la depois de sair do euro. Dois caminhos que podem bem levar ao colapso político."

Pedro Adão e Silva, Destruir para criar, Expresso


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Alto lá e pára o baile

Renoir, le Moulin de la Galette


"É a distribuição pouco equitativa dos sacrifícios pedidos aos portugueses que está a motivar a revolta de muitas pessoas"

Mas afinal o quê que se passa aqui? Lá pelas bandas de S. Bento já ninguém liga à opinião do homem da Goldman Sachs? Tudo isto é muito estranho, quando a esmola é grande o pobre desconfia....



domingo, 24 de fevereiro de 2013

Basta, tenham vergonha!


E para hoje domingo, é tudo o que tenho para dizer. É dia de descanso, dia do Senhor, e eu ando precisar de repouso.

(imagem retirada do facebook). 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Vícios privados, públicas virtudes



Mas então já não se trata de  uma aberração? A minha alma está parva, e mais não digo para não dizerem que estou sempre às caneladas aos representantes do Senhor na Terra..., mas quase que me apetece lembrar aquela anedota do alentejano quando encontrou a mulher na cama com o amante, anda Maria com essas modernices já só me falta ver-te fumar.