quarta-feira, 20 de março de 2013

O reformado Azevedo


"Para os trabalhadores é que neste momento, sobretudo, infelizmente, para os muitos desempregados, aquilo é um divertimento. Como sabem aquilo não é inocente, alguém paga os autocarros. É preciso ver o que é que está por trás das manifestações".

A merda (desculpem qualquer coisinha) é que já não sei onde abastecer a minha despensa, depois de ter cortado com o outro reformado, o Soares dos Santos.

segunda-feira, 18 de março de 2013

O rastilho?



"Os cipriotas e os estrangeiros residentes em Chipre foram surpreendidos no sábado pela aplicação de um imposto sobre os depósitos que atinge 9,9% nas quantias superiores a 100 mil euros e 6,75% nas restantes. A medida, decidida no âmbito do programa de ajuda europeia ao Chipre provocou uma corrida às caixas multibanco - por ser fim-de-semana - e, pior, abalou a confiança nas instituições europeias. O comissário europeu para os Assuntos Económicos, Olli Rehn, apressou-se a dizer que não existe o risco de se verificar uma situação semelhante em qualquer outro país da zona euro mas, com tantos avanços e recuos, poucos são os que ainda acreditam nas declarações dos políticos. Além do mais, esta medida é perigosa por lançar dúvidas sobre as contas bancárias e nem o argumento de que ou era aplicada ou dois dos principais bancos do país entravam em falência já na terça-feira está a convencer os europeus. Em Chipre, para que a medida seja aplicada é ainda necessário aprová-la no parlamento e o recém-eleito Presidente, Nicos Anastasiades, não parece ter o apoio necessário. A pressão alemã para a aplicação da medida é vista, a nível internacional, como mais um sinal de que a chanceler Angela Merkel continua a não perceber que o apoio aos países em dificuldades com condicionantes muito gravosas para as populações pode voltar-se contra a Alemanha. O fim do euro, a acontecer, será dramático para os países do Sul da Europa, mas também afectará Berlim que direcciona 42% das suas exportações para o espaço europeu. O mais caricato será se, depois de outras ameaças mais sérias, o euro acabar por cair por causa de Chipre e de cinco mil milhões de euros.


Imagem: daqui

domingo, 17 de março de 2013

Já vai tarde


Isto já não pode durar muito.

Correr com eles



"A austeridade é uma decisão política, não uma inevitabilidade financeira. Se dúvidas sobrassem, torna-se evidente agora como a lengalenga messiânica de Vitor Gaspar não tem ligação com a realidade. Todas as previsões do ministro, baseadas numa fé matemática de que o ajustamento traria, automaticamente, crescimento, falharam. Se a política fosse ainda um lugar sério, Gaspar abandonaria o Governo. 
[...]
Passos Coelho não se pode queixar por não lhe terem sido dadas alternativas: foram. Não por António José Seguro, mas pela tal sociedade civil de que tanto fala - que não se cansou de sugerir caminhos que não questionavam a necessidade de corrigir os desequilíbrios externos. Não quis ouvi-la nem abrandar a voragem de Gaspar. Agora terá de sobreviver à fúria popular."

Excertos do texto de Martin Avillez Figueiredo, "Demita-se, Obviamente", no Expresso.

sexta-feira, 15 de março de 2013

À deriva



A conferência de Imprensa de Vitor Gaspar,  que apareceu com ar de quem estava com uma cólica renal aguda, veio confirmar o pior cenário possivel, um governo desorientado, incapaz, que perdeu em toda a linha as suas previsões, cenários e políticas.  O desemprego subirá, nas contas do governo acima dos 18%, sabendo nós  o que isso significa e portanto podemos contar com um desemprego real acima de 20%. Isto é um cataclismo. Entretanto o eurostat não aceitou que o encaixe com a privatização da ANA contasse para o défice. Nem percebo como é que o governo e os seus especialistas encartados foram alimentando essa esperança, ou se tudo não passou de encenação para ganhar tempo. Logo o défice de 2012 ficará em 6,6%, e não nos idílicos 4,9% anunciados como se de um grande feito se tratasse. Depois vem o primeiro ministro com ar de virgem ofendida admoestar a oposição por supostamente faltar ao respeito pelos sacrificios dos portugueses. A criatura não percebe que quem não respeita os sacrifícios absurdos e devastadores para a vida das empresas e famílias é o próprio governo. E ainda anunciam com autosatisfação bacoca  o prolongamento do prazo de mais um ano para cumprir um défice 2,5% em 2015? Metam o défice naquele sítio escuro e malcheiroso que têm ao fundo das costas. O barco está completamente desgovernado, à deriva, sem rumo nem timoneiro.

PS: isto é uma pouca vergonha, então não foi o PSD que assumiu o programa da troika como o seu programa?

quinta-feira, 14 de março de 2013

Cair de Maduro



"Alguna cosa influyó para que se convoque a un papa sudamericano, alguna mano nueva llegó y Cristo le dijo: llegó la ahora de América del Sur"...!!!

quarta-feira, 13 de março de 2013

Não havia necessidade


"Apesar de nunca terem sido divulgadas informações concretas sobre o tumor de Hugo Chaves, o Presidente interino da Venezuela veio agora afirmar que el comandante tinha um cancro que "rompia com toda a normalidade" da doença e que "no momento certo" será dado a conhecer. 

terça-feira, 12 de março de 2013

Sem esperança


"Grécia, Espanha e Itália têm, talvez as gerações mais qualificadas da sua história" "Os pais investiram na educação dos filhos e agora que estão prestes a entrar no mercado de trabalho a sociedade diz-lhes "não há lugar para vocês. Estamos a criar uma geração perdida".

O que me encanita é  Portugal nunca aparecer nestes discursos...por outro lado esta gente fala, fala, fala, e vai-se a ver não diz nada, os efeitos práticos são nulos.  Estamos no limiar de uma grande catástrofe.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Isto não vai acabar bem


"Embora os líderes da Europa fujam ao termo, a realidade é que grande parte da União Europeia se encontra em depressão. A queda na produção em Itália desde o início da crise é apenas comparável à da década de 1930. A taxade desemprego entre os jovens na Grécia ultrapassa agora os 60%, e a da Espanha está acima dos 50%. Com a destruição do capital humano, o tecido social da Europa desintegra-se, e o seu futuro é posto em perigo.
Os médicos da economia dizem que o doente deve manter-se neste caminho. Os líderes políticos que sugerem outra solução são catalogados de populistas. A realidade, porém, é que a cura não funciona, e não há esperança que vá funcionar - isto é, sem ser pior do que a doença. De facto levará uma década ou mais para que se recuperem das perdas inerentes ao processo de austeridade.[..]
O diagnóstico simplista dos males da Europa - que os países em crise viviam acima das suas possibilidades - está nitidamente errado, pelo menos em parte. [...]
O que não funcionará, pelo menos para a maioria dos países da zona euro, é a desvalização interna - ou seja, forçar a descida de salários e preços - já que isto aumentaria o fardo da dívida para as famílias, empresas e governos (que são detentores, na sua esmagadora maioria, de dívidas tituladas em euros). E, com ajustes a ocorrer em diferentes sectores a diferentes velocidades. a deflação provocaria importantes distorções na economia. Se a desvalorização interna fosse a solução, o padrão-ouro não teria constituído um problema durante a Grande Depressão. A desvalorização interna, combinada com austeridade e o princípio do mercado único (que facilita a saída de capital e a hemorragia dos sistemas bancários) constitui uma combinação tóxica. [...]
Sim, a Europa precisa de uma reforma estrutural, como insistem os defensores da austeridade. Mas será a reforma estrutural dos acordos institucionais da zona euro, e não as reformas no seio dos países, a que causará o maior impacto. A não ser que a Europa esteja disposta a encetar essas reformas, poderá ter que deixar morrer o euro para se salvar a si própria."


Joseph Stiglitz, Nobel da Economia e Professor na Universidade de Columbia, no Expresso 

domingo, 10 de março de 2013

O vazio insuportável



"Tem sido notado que o elemento mais surpreendente da manifestação do passado sábado foi o seu lado quase lúgubre. Durante longos momentos  enquanto desciam a Avenida  da Liberdade em Lisboa, milhares de pessoas caminhavam num passo pesaroso, sem o acompanhamento das palavras de ordem que tendem a surgir nestes momentos."
[...]
"Ainda assim, podíamos esperar uma revolta com algum tipo de expressão mais violenta, mesmo que apenas verbal. De algum modo, a rejeição profunda do estado de coisas combinada com ausência de alternativa visível podia encontrar escape numa espécie de baixo materialismo"[...] "Mas não, o mal-estar difuso, a indignação grisalha, encontrou refúgio num comportamento anómico.
Talvez esse seja um dos aspectos preocupantes da actual situação. Há demasiados sinais do que Durkheim chamou de anomia. Em "O Suicídio", para explicar causas não individuais do suicídio, o sociólogo francês destacava o papel dos laços comunitários como factores de integração individual, através de mecanismos de solidariedade orgânica, que contrariavam a tendência para o suicídio como resposta a acontecimentos negativos na vida de um indivíduo. Anomia correspondia, precisamente, a condições nas quais se assistia a uma quebra dos laços sociais entre um indivíduo e a sua comunidade.
Podemos bem estar a viver o início de um longo período onde a inércia social e política podem ganhar força. Faz sentido: estamos a assistir a uma mudança súbita da nossa condição económica, acompanhada por uma descoincidência quer entre os valores sociais e as aspirações individuais quer entre as proposições políticas e a existência quotidiana dos indivíduos."

Pedro Adão e Silva, A Maioria Silenciosa, Expresso

sexta-feira, 8 de março de 2013

8 de Março



Quando ainda há poucos dias se soube que a ONU se viu obrigada a cancelar uma maratona em Gaza porque o Hamas impediu a participação de mulheres na prova, merece destaque neste Dia Internacional da Mulher a luta da pequena e corajosa Melala Yousafzai  cobardemente atacada por uma cambada de loucos varridos,  que demonstra não ter medo e se propõe travar um combate pelo acesso das mulheres à educação.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Entregues à bicharada



"O que surpreende são homens que não sabem nem teoria nem a história de anteriores crises e que estão plenamente convencidos do que fazer na actual; e que a sua confiança nas suas receitas não tenha sido abalada pelo facto de se terem enganado sobre tudo até agora. E, claro, o que é ainda mais surpreendente é o facto de esses homens ainda estarem ao comando".

Paul Krugman  sobre "As baratas na Comissão Europeia", acusando directamente Olli Rehn, que "já devia ter sido demitido".

quarta-feira, 6 de março de 2013

O inconcebível


O inenarrável Gaspar, o tipo que não acertou uma, nem na dívida, nem no déficit, nem no desemprego, nadica de nada, faz lembrar aqueles capatazes negreiros que eram ainda mais zelosos da propriedade que os próprios donos, terá certamente um bom lugar à espera depois dos fretes que fez aos credores, não se enxerga quando resolve imiscuir-se acintosamente na  táctica negocial dos irlandeses. Este homem além de nos envergonhar a todos, prova à saciedade que não esta minimamente preocupado em defender os interesses de Portugal e dos portugueses. É urgente a demissão do governo.

terça-feira, 5 de março de 2013

segunda-feira, 4 de março de 2013

As manifes



"Quando as pessoas se manifestam, canalizam o descontentamento e, ao fazê-lo, exorcizam o mal-estar que pressentem individualmente e que encontra eco através da comunhão com milhares de outros manifestantes. Para mais, considerando que a onda de protestos recentes - por exemplo o "grandolar" - encontra acolhimento mesmo entre aqueles que não participam activamente, as manifestações, por si só, desempenham um papel relevante: consolidam laços de pertença a uma comunidade, que é por definição política. 
Contudo, há um conjunto de ilusões associadas a estas novas formas de participação.
A primeira das quais é a ilusão criada pelas redes sociais. O Facebook, os blogues e o Twitter potenciam formas de expressão política ambicionadas há séculos - não intermediadas, directas e individualizadas. Mas se estas formas de participação podem ser muitas expressivas, não são, no entanto, capazes de funcionar como válvulas de escape para o descontentamento. Pelo contrário, as redes sociais acabam por funcionar como repositório de tensões e ressentimentos, em lugar de promoveram a sua superação.
[...]
Não nego a importância do protesto baseado na recusa do que existe, mas, sem alguém que o represente organicamente, a sua eficácia é reduzida. Ora, o problema é precisamente esse: as formas tradicionais de representação de interesses já não são vistas como representativas, mas ainda não foram encontradas novas formas capazes de organizar a mudança. O que só consolida a natureza radicalmente nova da crise que enfrentamos."

Pedro Adão e Silva, O Novo Mundo do Protesto, Expresso

sexta-feira, 1 de março de 2013

Obviamente





Cada cavadela, uma minhoca. Sem vergonha.

"Mas quando um governo mente e engana, quando a oposição é ineficaz ou indecisa, e quem no sistema pode reagir, não reage, que fazer? Promover a revolta ou a insurreição? Aceitar o coma? Esperar por 2015? Creio que é imperativo ter algumas cautelas, desligarmo-nos do coma induzido e demonstrar, cantando de pulmão cheio ao supremo magistrado da Nação, que o regular funcionamento das instituições está hoje em causa, que o regime se encontra em pré-falência institucional, que ele tem de intervir. Entretanto, a sociedade civil tem de continuar o seu requiem por Portugal, intervir criticamente e obrigar a uma regeneração do sistema político-partidário. Tem de sair à rua no dia 2 de Março, e transformar uma anunciada missa de finados numa ideia de futuro, ao som de Zeca Afonso."
 
José Reis Santos daqui

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Indignai-vos!





Foto:  Stéphane Hessel por Richard Dumas, Paris 2011/Agence VU

Correr com eles


O primeiro ministro Passos Coelho confirmou que irá pedir mais tempo à troika para cumprir o défice. Mas no entanto jura a pés juntos que não mudou de discurso, já que o programa de ajustamento irá ser cumprido sem mais tempo e sem mais dinheiro. Confusos? Portugal foi o país da UE que mais reduziu as prestações sociais e no entanto o primeiro-ministro confirmou que vai apresentar à troika um programa de corte de mais  4 mil milhões de euros nas despesas do Estado de forma permanente. No próximo sábado  vamos dar-lhe a resposta, antes que apareça por aí algum grilo falante. 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A hora da verdade



"Os níveis da dívida pública são insustentáveis e a trajectória actual só pode ser invertida com excedentes orçamentais significativos durante muito tempo. Uma impossibilidade com o que se prevê para a nossa economia e para o conjunto da zona euro, também por força dos pacotes de austeridade que têm sido impostos.

A verdade é dura: ou nos batemos por uma renegociação da dívida, que liberte recursos para a dinamização da economia, ou resta-nos escolher entre aqueles que querem destruir a economia hoje para alimentar uma vã esperança de permanecer no euro e os que optam por destruí-la depois de sair do euro. Dois caminhos que podem bem levar ao colapso político."

Pedro Adão e Silva, Destruir para criar, Expresso


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Alto lá e pára o baile

Renoir, le Moulin de la Galette


"É a distribuição pouco equitativa dos sacrifícios pedidos aos portugueses que está a motivar a revolta de muitas pessoas"

Mas afinal o quê que se passa aqui? Lá pelas bandas de S. Bento já ninguém liga à opinião do homem da Goldman Sachs? Tudo isto é muito estranho, quando a esmola é grande o pobre desconfia....



domingo, 24 de fevereiro de 2013

Basta, tenham vergonha!


E para hoje domingo, é tudo o que tenho para dizer. É dia de descanso, dia do Senhor, e eu ando precisar de repouso.

(imagem retirada do facebook). 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Vícios privados, públicas virtudes



Mas então já não se trata de  uma aberração? A minha alma está parva, e mais não digo para não dizerem que estou sempre às caneladas aos representantes do Senhor na Terra..., mas quase que me apetece lembrar aquela anedota do alentejano quando encontrou a mulher na cama com o amante, anda Maria com essas modernices já só me falta ver-te fumar.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Ópera bufa


De repente, não mais que de de repetente vem o Ministro Victor Gaspar dar o dito por não dito, anunciar, como se nada fosse com ele, a revisão de todas as previsões do Orçamento de Estado para 2013. Confirmou que estamos numa espiral recessiva, que o desemprego vai aumentar, que é necessário pedir mais tempo para cumprir o défice, e que há que relançar a economia.  O Ministro Gaspar parece um pirómano que depois de ter lançado fogo à floresta  fica muito espantado por as árvores estarem  de facto a arder e vai a correr buscar baldes de água na tentativa vã de limitar os estragos.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O zombie



Por incrível que pareça, Passos Coelho na sua imensa arrogância, convenceu-se que tendo protegido o seu Ministro e compagnon de route para além dos limites do razoável, as pessoas se iriam esquecer de todas as trapalhadas  lamentáveis de que Relvas foi protagonista, da Lusófona à RTP, passando pela caso das secretas, ao reveillon em hotel de luxo no Brasil, às tiradas de mau gosto de toda a ordem e feitio. Claro que Miguel Relvas é o elo mais fraco porque representa tudo o que de mau os portugueses vêm nos políticos.  Quem viu as imagens da sessão o comemorativa dos 20 da TVI no ISCTE percebe que Relvas a partir de agora não voltará a poder sair à rua,  de nada valendo os comunicados patéticos de de Passos Coelho, que só contribuem para cobrir de ridículo o próprio primeiro-ministro. Mas que gentinha mais reles nos havia de cair em sorte!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Tudo isto é fado




"O DCIAP investiga actualmente muitos casos sensíveis, como vários inquéritos por suspeitas de branqueamento de capitais que envolvem altas figuras do Estado angolano, duas megafraudes fiscais (o caso Monte Branco e a operação Furacão), vários processos sobre a bancarrota do Banco Português de Negócios e uma investigação às privatizações da EDP e da REN."

Tudo isto existe, tudo isto é triste e sem surpresa....

domingo, 17 de fevereiro de 2013

O desprezo pelos desempregados


"O primeiro-ministro olha o números e não se surpreende, não se alarma, não se indigna, não protesta, não se irrita, não altera o tom de voz, não se lamenta, não acusa, não pede desculpa...Fala, mas não comunica. Nenhum sentimento, nenhuma emoção. Diz que é "normal" o desemprego crescer ainda mais este ano. E que os números do INE estão "razoavelmente em linha" com as previsões do Governo. Dirige-se ao país - isto é aos desempregados e aos que tendo ainda trabalho, receiam o mesmo destino -, como se estivesse perante uma plateia de economistas a fazer uma apresentação de powerpoint. O que mais impressiona no discurso oficial sobre o desemprego já não é a falta de uma palavra sobre a má sorte de quem o sofre, a qual também pode soar a choradinho hipócrita. O que mais me impressiona é a fria naturalidade com que se assume que já não há nada a fazer "pelas gerações perdidas".


Fernando Madrinha, Gerações Perdidas no Expresso

A foto acima acaba de ser vencedora do Word Press Photo na categoria daily life, é do português Daniel Ribeiro, desempregado, que foi despedido há alguns meses do jornal onde trabalhava. Teve de vender todo o material fotográfico que possuía para poder sobreviver. 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A fria engrenagem


Ontem na Quadratura do Circulo foram ditas duas coisas  muito importantes: António Costa afirmou que está previsto pela troika, que depois do programa de ajustamento concluído e com o relançamento da economia, que Portugal passará a ter uma taxa de desemprego estrutural de 14%. Tendo em conta que as previsões da troika têm falhado em toda a linha, nada nos garante que este objectivo não esteja calculado por defeito, para um país onde as taxas médias de desemprego em tempos normais, nunca foram além dos 7%.
Por seu lado Pacheco Pereira afirmou peremptoriamente  que as coisas só se passam como se estão a passar porque o PS não veta estas políticas, como fez por exemplo com o caso da privatização da RTP, em que disse claramente que quando fosse governo revogaria todas as decisões deste governo. "Se o PS dissesse: Quando chegarmos ao poder vamos revogar esta e aquela política (por exemplo, os cortes de 4 mil milhões, a política fiscal, etc.) a Troika ver-se-ia obrigada a renegociar. Como o PS nada diz - e quem cala consente - tudo vai continuar na mesma."

Chegados a esta apagada e vil tristeza, a imprensa e comentadores continuam entretidos com a brasileirice do Viegas, já ninguém fala do Franquelim Alves e o BPN voltará ao aconchego do algodão em rama donde foi por breves momentos retirado. O governo agradece.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O farsante


Vai por aí um alarido depois da imprensa ter feito eco de um post onde o ex-secretário de Estado da Cultura manifesta intensão de "mandar tomar no cu" todo e qualquer agente da Autoridade Tributária e Aduaneira que se lhe dirija  a controlar o pedido de factura. A coisa tornou-se viral nas redes sociais, efeito que foi naturalmente antecipado pelo autor de tão sodomitica ameaça. Até  Relvas, no seu habitual estilo rasante, comentou a frase do ano do ex-ajudante de Passos Coelho. Francisco José Viegas que já se arrependeu um milhão de vezes de se ter sujeitado à humilhação da caricatura que constituiu o seu exercício de funções governativas donde foi salvo por uma tão misteriosa quão oportuna doença - como diz o povo, há males que vêm por bem -, andava a precisar como de pão para a boca de dar na vista, para acabar de vez com a malaise que se instalou entre a sua pessoa e o povo da cultura. Quem tem amiguinhos no Público, quem é?

Palavras leva-as o vento


Um dos efeitos positivos da renuncia do Papa, é exactamente o de poder deixar recados explicitos para dentro da Cúria Romana, enquanto se mantém na posse de todas as suas faculdades intelectuais e físicas. Sim porque não passa pela cabeça de ninguém que o Papa se fosse dar ao incómodo de alertar para a hipocrisia religiosa se o alvo fosse a comunidade dos crentes católicos na sua vasta pluraridade. Não acredito que isto sirva de muito, a Instituição é irreformável, e tal como Marx dizia que o capitalismo tem dentro de si os seus piores inimigos, o mesmo se passa com a Igreja.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Sem emenda


Sempre embirrei com o Barclays. Há anos que têm uma "barraquinha" instalada no Centro Comercial em Oeiras, estrategicamente colocada no  caminho para uma das escadas rolantes de acesso ao estacionamento. Cada vez que passo por eles parecem moscas a ver se me apanham para me convencerem a aderir ao "cartão sem custos e sem precisar de conta". Aqui há tempos seja porque me encontrava particularmente bem disposta, seja porque a mosca se dirigiu de forma mais cativante, lá preenchi a papelada, sem qualquer compromisso e com a garantia  de ficar ao meu critério activar ou não o cartão mal o recebesse. Já não me recordo qual era o plafond já que nunca activei o cartão.  Esta terça-feira de Carnaval lá estavam eles o que me obrigou a fugir novamente de uma mosca insistente que me dizia "é tão bonita, não quer falar comigo?" Eu pergunto, acham normal que um funcionário bancário se dirija assim a uma pessoa? Mas mais grave é percebermos que estas instituições bancárias persistem numa abordagem agressiva de captação de clientes absolutamente intolerável. Isto não devia ser proibido?

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Carnaval



Quem ouvir as reportagens de rua feitas pelas  três estações de televisão, fica convencido que a maioria das pessoas é contra o feriado de Carnaval. Não há dúvida de que a narrativa auto punitiva do governo começa a fazer o seu caminho...Por mim troco já o Carnaval pelos três dias de férias que foram retirados em função da assiduidade, e pela reposição de um nível de impostos que não constitua um esbulho e um saque à classe média para eu poder finalmente ir conhecer Veneza.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Dias de chumbo


Este é o tempo
Da selva mais obscura

Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura

Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada de amargura

Este é o tempo em que os homens renunciam

Sophia de Mello Breyner Andresen
in Mar Novo 1958

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Carlos Brito



Carlos Brito celebra oitenta anos. No jantar de homenagem que homens e mulheres de vários quadrantes, democratas e de esquerda lhe  promoveram,  o homenageado, apesar do seu grande passado de luta e de provas dadas não só na clandestinidade como durante o regime democrático, nomeadamente como líder da bancada do PCP na Assembleia da República, não teve ao seu lado nenhum dirigente ou representante do partido a que dedicou praticamente toda a sua vida. É por causa deste abominável, insidioso escleroseado estalinismo,  que não é possível qualquer política de alianças com o PCP.

Porque hoje é sábado



Bom fim de semana.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Bico de Obra?


"O que fazem 25 mulheres com uma banana na mão, numa sala à porta fechada em Lisboa? A resposta é simples: assistem a um workshop de segredos sexuais de sexo oral". 

Leio esta crónica e acredito que a Academia não tenha mãos a medir para responder às solicitações de formação especializada, nestes tempos de crise em que 72% dos portugueses já não conseguem pagar as contas ao fim do mês. Sim, porque "notas rabiscadas em caderninhos ou no telemóvel" sobre a matéria, só consigo entender à conta  falta de jeito para a prática da coisa por parte das formandas, e para isso parece-me  não haver workshop que resolva, ou pelo excesso de zelo aliado à necessidade imperiosa de recorrer ao exercício tido por tabu, como meio de encher o frigorífico ...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Pássaros, passarinhos, passarões, aves de rapina e cucos


A recente remodelação dos ajudantes tem-se revelado uma verdadeira caixinha de surpresas. Nem de propósito, depois do CDS-PP se ter demarcado de forma sibilina relativamente à trapalhada da nomeação do passarão Franquelim Alves, eis que o PCP vem questionar e pedir explicações sobre a nomeação do pássaro Alexandre Nuno Vieira e Brito, indicado precisamente na quota daquele partido. Segundo consta, este melro era director-geral de Veterinária em regime de substituição desde o passado mês de Novembro e foi nomeado para o mesmo cargo em comissão de serviço de cinco anos no dia 30 de Janeiro deste ano.  A graça da coisa é que dois dias depois, a 1 de Fevereiro, tomou posse como  Secretário de Estado da Alimentação e Investigação Agro-Alimentar, com o lugarzinho devidamente garantido. Digam-me lá se isto não é tudo uma grande passarada?

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O TGV a todo o vapor...



"O projecto do TGV está arrumado". Palavras para quê, são artistas portugueses  a fazer contas, que é como diz o povo, quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é tolo ou não tem arte...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A crise no PS


"O que fragiliza não é o PS de hoje ser critico da experiência recente de passagem pelo poder com Sócrates. O que debilita a actual liderança é o silêncio com que geriu a sua relação com o passado abdicando de criticar o (muito) que havia a criticar e esquecendo-se de enaltecer o (muito) que há que enaltecer. Enquanto os socialistas não fizerem uma clarificação programática retrospectiva não serão capazes de ter uma afirmação mobilizadora e que faça diferença quando voltar ao poder.
A sensação com que se fica é que a geração dirigente de hoje formou-se num contexto político do qual não é capaz de se libertar. Os tempos já não estão para lideres da oposição que se limitam a gerir silêncios, promover consensos internos e esperar que o poder caia de podre. Portugal e a Europa de 2013 são muito diferentes do tempo em que Guterres e Sampaio promoveram uma síntese interna. Além de que, pelo caminho,  o lado mais pernicioso da cultura de juventude partidária contaminou irreversivelmente os aparelhos dos partidos. De tal forma, que após uma comissão política absurda, várias vozes não hesitaram em afirmar que o PS tinha saído reforçado e que se tinha tratado de uma "reunião magnífica", como se fosse possível esquecer o processo que tinha conduzido até ali e a persistência ensurdecedora dos problemas. De facto com tanta "unidade" e força para "enfrentar os desafios", o PS faz lembrar o Titanic, um navio imparável e magnifico no momento em que soltou amarras. Sabemos bem para onde se dirigia."

Pedro Adão e Silva, Um navio magnifico", no Expresso

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Simplesmente Joana



O  Palácio de Versailles registou 1,6 milhões de entradas no Verão do ano passado, no período em que Joana Vasconcelos aí mostrou a sua obra. O jornal Le Figaro coloca a artista portuguesa no top das exposições mais visitadas em Paris nos últimos 50 anos. Finalmente uma notícia que nos enche de orgulho.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O pedante cavernoso


O quê que o homem sabe das dificuldades e da tormentosa vida dos sem-abrigo?  será tão idiota que esteja convencido da "bondade" desta conversa,  ou não passa de um sonso provocador? este discurso nauseante a fazer o frete ao governo é insuportável.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Diz que é uma espécie de governo


Passos Coelho confirma que está em curso uma remodelação no Governo,"que será bastante breve" mas não lhe "parece que a mesma tenha dignidade para ocupar grande espaço politico no debate interno". A verdade é que ao fim de quase dois anos de governo o homem ainda consegue surpreender. Quer dizer, o Primeiro Ministro confirma que vai remodelar Secretários de Estado mas que o tema não tem dignidade para ser comentado. Entretanto os pobres Secretários de Estado estão por assim dizer com a cabeça no cepo, sem saberem ao certo a quem toca a remodelação, mas com uma certeza, é que o primeiro ministro não dá um tostão furado por eles. Quanto ao resto é tinto, ou como dizia Lampedusa, é preciso que algo mude para que tudo fique na mesma. 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O dia de Assunção

E de repente saiu um coelho da cartola.  Montenegro ensaiou uma nota dramática : "se isso acontecer, será o mais violento ataque ao funcionamento da nossa democracia, ao respeito pelas regras do nosso Estado de Direito e pelo funcionamento do nosso sistema político e de Governo previsto na Constituição"-  Ui, estamos todos cheios de medo.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A não notícia


O melhor será talvez chamar Hercule Poirot para descobrir porque razão existem discrepâncias "nas declarações dos dois escalões mais elevados de IRS, "o rendimento colectável caiu significativamente mais do que noutros escalões no mesmo período [2010 e 2011]". Veremos o que descobrirá o sagaz FMI relativamente às declarações de rendimentos relativos a 2012 e 2013 nestes escalões de gente fina. Terá certamente uma agradável surpresa.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Primeira Plateia (36)



Há por ai muita boa gente a precisar de ir ao cinema. A não perder este Django Libertado, um brilhante Quentin Tarantino a chamar os bois pelos nomes e  não deixar pedra sobre pedra.

MenteCapto



Quando Berlusconi disse que Obama era "jovem, bonito e bronzeado" caiu-lhe o Carmo e a Trindade em cima, e bem. O reaccionarismo de certa gente só surpreende os incautos...

domingo, 27 de janeiro de 2013

"Regressar à casa de partida"

"Dois anos passados, não deixa de ser paradoxal que regressemos aos mercados em condições próximas das do PEC 4, mas  numa situação económica e social bem mais degradada. [...] Com um inaceitável legado de destruição económica e de barbárie social (é disso que falamos quando se assiste à destruição em massa de postos de trabalho), a Europa criou as condições de viabilidade financeira de curto prazo para a sua própria estratégia. Regressamos à casa de partida, mas acompanhados de uma enorme alteração dos equilíbrios de poder, que tem um efeito positivo na capacidade de financiamento dos países  Antes a condicionalidade era negociada com a troika (FMI, Comissão BCE), no futuro passará a depender, cada vez mais, do BCE. Um novo monarca absoluto na política europeia, que centraliza as decisões e imporá condições passando a deter o monopólio da violência económica e social. Que a estrutura do poder se altere de forma tão profunda e ninguém cuide de garantir níveis mínimos de legitimidade é elucidativo do desvario político que impera na Europa."

Excerto do texto de Pedro Adão e Silva, no Expresso

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O discurso


Os compromissos que assumimos uns com os outros - através do Medicare, e Medicaid, e da Segurança Social - não esgotam a nossa iniciativa, antes nos fortalecem. Não nos transformam numa nação de subsidiados,  pelo contrário libertam-nos para assumir os riscos que fazem deste um grande país.

Este foi o discurso inspirador de um Estadista.