quinta-feira, 16 de maio de 2013
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Anormalidade rotineira
Portugal entrou num tempo em que as más notícias se tornaram tão rotineiras, que os portugueses por instinto de sobrevivência, se estão a desligar da política. É visível até nas redes sociais onde o espírito militante está ao alcance de um click, sem grande incómodo e no conforto do sofá, as pessoas, ódios de estimação à parte, estão a pouco e pouco a intervir cada vez menos. Foram vencidas pelo cansaço, pela descrença e pelo desânimo, estas notícias passam com toda a natualidade a fazer parte do massacre, e ainda dizem para si mesmas resignadas, isto ainda vai ser pior.
terça-feira, 14 de maio de 2013
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Nascida a 13 de Maio
Verifico espantada que o google acaba de me dar os parabéns neste dia do meu aniversário.Lá estão os bolos coloridos e a simpática saudação quando faço click na imagem. Uff, sou uma pessoa importante! Como estou entrar na idade do cisma grisalho decidi oferecer-me o melhor na esperança de que me adoce o dia, a mim e a todos os que por aqui passem, já que esta escumalha que assaltou o poder não nos dá tréguas. Sirvam-se à vontade. Saravá! :))
domingo, 12 de maio de 2013
sábado, 11 de maio de 2013
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Ou eles, ou nós!
"Que fazer,
perguntava Lenine. Deitemos fora as respostas de Lenine, outro iluminado
dos amanhãs que sabemos bem como cantaram, fiquemos com a pergunta. Tem
de haver qualquer coisa que se possa fazer, em democracia, quando a
democracia é sequestrada - sob pena de não ser democracia. Tem de haver
qualquer coisa que se possa dizer para acordar os que, dormentes,
assistem a isto como se não pudesse ser verdade.Não, não é a gritar
fascismo, nem nazismo, nem que está toda a gente a morrer de fome ou a
suicidar-se aos magotes. Não, não é de buíças que precisamos, sequer da
memória deles. Nem de hipérboles, tiradas piedosas ou indignações
espúrias. Precisamos de fúria.Não promessas sem osso, não estratégias
para ganhar tempo. Não temos tempo - tenhamos o que nos resta, se nos
restar coragem."
Fernanda Cãncio, Das fúrias forças
quinta-feira, 9 de maio de 2013
Choque e pavor
De cada vez que este psicopata social fala é para anunciar mais um filme de terror. A tortura tem sido metodicamente aplicada, começou pelo espancamento, seguiu-se as unhas arrancadas, a seguir corta-se os dedos da mão e depois as próprias mãos. No fim grita-se bem alto: vai trabalhar malandro!
quarta-feira, 8 de maio de 2013
A mistificação
Não percebo patavina de emissões de dívida, de "ir aos mercados", e de toda a abundante parafernália terminológica que rodeia as questões financeiras. Mas considero-me uma pessoa de bom senso. Ontém assistiu-se a uma inexplicável coreografia nos média em que toda a gente fez de conta de acreditou que a "ída aos mercados" colocar dívida a 10 anos foi um grande sucesso. Mas toda a gente mesmo, com a honrosa excepção dos sectores mais radicais da esquerda. Mas onde diabo está o sucesso de uma emissão sindicada, com um juro que corresponde quase ao dobro praticado pela troika nos seus emprestimos a Portugal? Onde é que uma taxa de 5,7% se pode considerar um sucesso, quando Portugal colocava dívida no mercado, sem o apoio do BCE antes do resgate, a 6%? Mas isto está tudo doido?
terça-feira, 7 de maio de 2013
Policia bom, polícia mau
Bem me parecia que deveria haver um grande desentendimento entre o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, e o Presidente do DCS-PP. Sabemos que o inteligente líder dos populares é mestre na arte da pirueta, mas não se conforma com o facto de não ser ele a dirigir os destinos da Nação. Vai daí tem necessidade como de pão para a boca de fazer exibições públicas de divergência, mas sempre, sempre com a preocupação de não colocar em causa da convergência necessária à manutenção do poder. Os acólitos ao seu serviço nos média vão alimentando este estado de coisas, batem e diabolizam o ceguinho, vulgo Gaspar, mas não passam daí, à espera das eleições alemãs, altura em que estaremos exangues. Portas, ofuscado pelo seu próprio brilhantismo, está convencido que sairá impune deste massacre. Desengane-se, sairá tão enxovalhado quanto a restante equipa de salteadores.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Portas ao vivo e a cores
"Portugal vive em regime de protectorado vexatório, e "esses senhores" têm de sair em Junho de 2014.", disse o presidente do CDS-PP. Até aqui estamos de acordo, resta saber o que pensa sobre o assunto o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiro.
domingo, 5 de maio de 2013
Diz que disse...
"O governo lançou uma OPA virtual e hostil sobre o sistema de pensões. O CDS não pode ser o sidecar da coligação". Como se vê, respira-se saúde e alegria por banda do CDS-PP, um partido permanentemente sodomizado pela dupla Passos/Gaspar.
Passos Coelho, no aniversário do PSD em Pombal, antecipando a débacle nas próximas autárquicas, sossegou as nervosas hostes laranjas "comigo não há pântano" disse com auto-suficiente pesporrência, numa tentativa de menorizar António Guterres que popularizou a expressão ao demitir-se na sequência das eleições autárquicas de 2001. Tomara ele ter gabarito para chegar sequer aos calcanhares de Guterres.
Veremos até onde irá a capacidade de resistência do sujeito passivo da coligação.
sábado, 4 de maio de 2013
sexta-feira, 3 de maio de 2013
quinta-feira, 2 de maio de 2013
E não se pode extreminá-los?
O governo que se mantém em funções por obra e graça do apoio político de Belém e o anteparo de poderes e interesses económicos e financeiros ocultos, prepara-se para subir a idade da reforma para os 67 anos. Num país em desgregação acelerada da economia e com a perspectiva de sairem em breve uns milhares de funcionários públicos, não se percebendo muito bem onde irão arranjar emprego, não seria melhor recorrer à velha injeção atrás da orelha para acabar de vez com a agonia dos velhos a partir dos sessenta anos?
quarta-feira, 1 de maio de 2013
terça-feira, 30 de abril de 2013
1º de Maio é na rua
Não desistem... Por estas e por outras é que deixei de lá pôr os pés.
Imagem surripiada ao Pedro Vieira
segunda-feira, 29 de abril de 2013
O mui badalado caso islandês
Não há dúvida que nos dias de correm, insistir na adesão à União Europeia já não comove ninguém. Quem é que no seu juízo perfeito quer aderir a um clube em desagregação? A resposta das trezentas e vinte mil alminhas islandesas cansadas da austeridade foi, com toda a candura, devolver o ouro ao bandido.
domingo, 28 de abril de 2013
"A encenação do fim"
"Este ano, contrariando uma tendência dos últimos tempos, os jardins de São Bento e do Palácio de Belém estiveram encerrados no 25 de abril. O facto não teria particular relevância se não ocorresse num contexto de fechamento crescente da classe política e quando a crise de representação já há muito deixou de ser apenas um espectro a pairar sobre o regime. No dia em que se celebra a democracia, os portões das instituições fecham-se simbolicamente, por estarem em manutenção.
[...]
Até hoje, nunca tínhamos tido um Presidente da nossa República a desvalorizar de forma tão veemente as eleições, as escolhas políticas e o papel das divergências em democracia. Podemos discordar das opções programáticas dos outros, mas não podemos, em caso algum, condicionar a soberania popular conquistada há 39 anos. A mensagem foi clara: as eleições não interessam, o que conta é o cumprimento do memorando; as ideologias são perigosas, o que importa é o tratado orçamental. Que um dirigente partidário, oportunisticamente, faça um discurso desta natureza, é explicável. Que a mais alta figura do regime lhe dê peso institucional é um prenúncio de que nos aproximamos do fim."
Pedro Adão e Silva "A Encenação do Fim", Expresso
sábado, 27 de abril de 2013
sexta-feira, 26 de abril de 2013
O discurso de um cobarde
Um discurso tão inenarrável de capitulação, divisionista e de facção proferido na Assembleia da República por Cavaco Silva que os cravos caíram. Nunca tal se tinha visto e não me refiro só aos cravos.
Fica assim claro sem margem para dúvidas quem patrocina o governo que nos desgoverna. Cavaco Silva é a cabeça da troika interna: um presidente, um governo, uma maioria. Os portugueses que se cuidem, estão por sua conta e risco.
imagem daqui
quinta-feira, 25 de abril de 2013
25 de Abril
Esta é madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo.
Sophia de Mello Breyner Andresen
quarta-feira, 24 de abril de 2013
terça-feira, 23 de abril de 2013
O circo
O Processo de Remodelação em Curso faz lembrar aquele dito "foge cão que te fazem barão". A prova das dificuldades do governo em encontrar quem esteja disposto em o acompanhar na sua inglória e triste sina, é que o primeiro-ministro já tem de recorrer aos seus próprios críticos, o que não deixa de revelar muito da natureza e verticalidade tanto de quem convida como de quem aceita.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
O princípio da coerência
Portanto, isto é a única coisa que se me oferece sublinhar sobre a nova Secretária de Estado da Defesa. Digamos pois, que a senhora se defende muito bem.
sexta-feira, 19 de abril de 2013
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Um país paralizado
Hoje dirigi-me ao centro de saúda da minha área de residencia para uma consulta do dia. Eram 08:30 horas, na sala de espera Unidade de Saúde familiar encontravam-se duas pessoas, duas, à espera de serem atendidas. Mal tive tempo de me sentar fui logo atendida para os procedimentos burocráticos e acto continuo chamada pelo médico de família para a consulta. De seguida dirigi-me aos serviços da Segurança Social que estão localizados em Paço de Arcos. Porque fica no caminho para o meu local de trabalho via diariamente grandes filas na rua logo de manhã cedo para o atendimento. De há uns tempos para cá as filas desapareceram, fui atendida com a rapidez dos países nórdícos. Nem me atrevo a comentar, a realidade é demasiado cruel, avassaladora e depressiva para tentar alivar através da ironia o aperto de alma que me provoca a situação. Diz que há para aí umas mentes brilhantes que se enganaram no excel, que continuam refasteladas na sua vidinha como se nada fosse com elas...
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Todo tempo é composto de mudança
O meus avós paternos o meu pai e os meus oito tios e tias atravessaram-na vezes sem conta. Eu só a conheci de visitas breves. A pobreza e a vontade férrea de assegurar um futuro melhor aos filhos levou sete dos nove irmãos às longínquas paragens da "África Oriental Portuguesa"... Já partiram todos deste mundo. Agora também a ponte se vai...
terça-feira, 16 de abril de 2013
Boston
Entre os três mortos está um meninos de 8 anos; dos casos mais graves, nove são crianças.
O mundo enlouqueceu, definitivamente.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
O ministro das finanças da troika
José Sócrates falou no assunto, que eu ainda não conhecia, este domingo, no seu espaço de comentário na RTP. A verdade é que fiquei siderada, "the troika finance Minister", foi assim que o comentador de economia da televisão da Irlanda se referiu ao Ministro Gaspar. Não é que nós cá não o soubéssemos, mas ouvi-lo desta forma crua na televisão irlandesa, faz-me sentir agoniada.
domingo, 14 de abril de 2013
sábado, 13 de abril de 2013
sexta-feira, 12 de abril de 2013
A remodelação dos migueis
Uma coisa que me está a fazer muita espécie é toda a gente ter ficado meio embasbacada com a nomeação deste Maduro, embasbacamento muito próprio deste país que endeusa doutores. Longe de mim estar a tentar desvalorizar o contributo das qualificações académicas na formação de um bom governante. Partindo do principio que o homem é um craque na sua área, não o eram igualmente Gaspar e mesmo o Álvaro? E o que vem fazer este jovem cheio de boa reputação para um governo moribundo? Tenho um feeling de que este "desconhecido", para ignorantes como eu, tem uma agenda própria. A seu tempo saberemos.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
O mundo de pernas pro ar...
Vou já buscar um cilicio para me penitenciar das aleivosias que em devido tempo associei à Senhora do Colar. Mas talvez não seja necessário, a verdade é que estamos hoje tragicamente reduzidos ao mínimo denominador comum no domínio da avaliação das políticas deste governo de miseráveis e traidores.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
A quadriga
Pacheco Pereria disse ontem em directo e a cores que estamos a ser governados por uma quadriga. Se non è vero é ben trovato.
terça-feira, 9 de abril de 2013
A farsa
José António Seguro, com um atraso de vinte e quatro horas, sublinhou o óbvio:o valor de 1,3 mil milhões de euros correspondente ao montante das prestações chumbadas pelo Tribunal Constituciuonal, não chega a metade dos três mil milhões de euros relativos à derrapagem fiscal de 2012. Por isso andam todos, Governos, "comentadeiros" troikistas e afins, com o homem dos pentelhos à arreata, a fazer um número circo para amedrontar papalvos, como forma de justificar a bomba atómica sobre o Estado Social.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Acossado
A intervenção do Primeiro-Ministro cheia de azedume, mau perder e vingança mereceu vários comentários nas redes sociais, entre eles este : " o actual governo é formado por dois grupos, um formado por gente totalmente incapaz, outro por gente capaz de tudo".
domingo, 7 de abril de 2013
A armadilha segurista
"O PS, por se ter autoinibido de falar do passado, é, hoje, incapaz de se demarcar da interpretação feita pelo Governo, logo de oferecer um caminho alternativo" [...]
"O que surpreende é a timidez do PS [...] não contraria a tese da "década perdida", incorpora o argumento do despesismo - que, aliás, não está reflectido no défice de 2009, causado por um desvio na receita - e abdica de fazer uma reflexão retrospectiva em torno das armadilhas da moeda única.
Estamos perante um verdadeiro pecado original: o PS ou tem algum rasgo estratégico ou não será capaz de articular uma alternativa política com futuro. Por mais medidas importantes que apresente (v.g., reembolso dos lucros do BCE com a compra de dívida soberana), se não romper com esta tenaz narrativa, estará condenado a ter como programa, num contexto radicalmente diferente do de 2005, uma versão light do choque tecnológico."
Excerto do texto de Pedro Adão e Silva, "Uma Tenaz Narrativa", no Expresso
sábado, 6 de abril de 2013
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Primavera que tarda...
O dia de hoje por contraste com os últimos que a meteorologia nos tem oferecido, acordou claro e luminoso, como que a dar-nos tréguas antes da tempestade que se anuncía para a hora do jantar.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Facas longas?
"Lembrando que, a somar aos dois anos em que foi ministro, há outros três
em que “lutou” no PSD “pela afirmação de um novo líder”, Miguel Relvas
não fecha totalmente a porta a um regresso."
A carta que não chegou a Garcia
Não se questiona a oportunidade da apresentação da moção de censura pelo Partido Socialista. De facto se o PS queria conservar as suas possibilidade de se constituir como alternativa ao bando de lunáticos que tomou de assalto o Palácio de S. Bento, esta era altura para o fazer. O problema é que Seguro é feito da mesma massa (e se não é imita muito bem) de Passos Coelho, funciona numa dinâmica de jota em que o taticismo vale por si próprio. A monumental falta de golpe de asa é confrangedora. Não fora Francisco de Assis recolocar o debate e a censura donde ela nunca deveria ter saído, ou seja quem estava a ser censurado era o actual (des)governo, e não o anterior que já foi julgado em eleições, o PS teria saído do debate com o rabo entre as pernas. Não era fácil, mas é por isso que se percebe ainda com mais clareza as diferenças entre quem anda aos papeis e quem sabe ao que vai. O episódio da carta foi uma cena para esquecer....! De resto toda a oposição no seu conjunto, não esteve brilhante. Mas o mais patético de tudo isto é que o governo saiu do debate exactamente como entrou: autista e autosuficiente na voragem de destruição do país.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
terça-feira, 2 de abril de 2013
No limite
Um dos experts ou espertos comentadeiros da área da maioria, já antecipa a queda do governo. O governo jogou no tudo ou nada e vai ficar sem nada. Sem margem de manobra, sem élan, sem energia, esgotados. Só se podem queixar de si próprios. A demora do Tribunal Constitucional é absolutamente incompreensível. Tudo isto parece uma garotada.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Feitos ao bife estamos nós
Só consigo entender o apelo do comentador Marcelo Rebelo de Sousa, para que Passos Coelho proceda a uma remodelação profunda, como um enunciado de retórica. Toda a gente percebe que Passos Coelho nunca remodelará Relvas, o que para o caso é igual ao litro. A questão é mais dramática e do domínio da incapacidade absoluta de Passos Coelho se remodelar a si próprio, isto é de fazer uma reconversão completa do seu discurso e da sua política. A pergunta é, remodelar para quê?
imagem retirada daqui
domingo, 31 de março de 2013
sexta-feira, 29 de março de 2013
quinta-feira, 28 de março de 2013
Da cobardia
Passos Coelho prepara-se para atirar a toalha ao chão e culpar o Tribunal Constitucional pela eventualidade de um segundo resgate. Quer tapar o sol com a peneira, o segundo resgate ficou marcado quando o ministro das finanças, anunciou formalmente que o Orçamento de Estado para 2013 tinha deixado de ter qualquer aderência com a realidade.
quarta-feira, 27 de março de 2013
Entregues à bicharada
O desvario com o regresso de José Sócrates continua imparável. No Jornal da Noite da SIC Notícias, a propósito desta vergonha, foi repetido três vezes seguidas, três, que o ex-homem das secretas tinha sido integrado na Presidência do Conselho de Ministros ao abrigo de uma lei feita por José Sócrates. No jornal da Meia Noite a notícia foi reforçada com a passagem de imagens do ex-Primeiro-Ministro. Recorde-se que o homem está acusado de violação de segredo de Estado e de abuso do poder, de ter passado informações classificadas à empresa para onde entretanto foi trabalhar, enfim, um chorrilho de malfeitorias sem fim nada recomendáveis. Mas não sei se estão a ver, é que por causa de uma lei do Sócrates, o Coelho com grande sacrifício, lá teve de o nomear.
terça-feira, 26 de março de 2013
De mal a pior
Claro que os países do Sul, além de não gostarem de trabalhar, serem preguiçosos e desorganizados também são uma cambada de invejosos. Uma inveja mortífera, está bom de ver.
segunda-feira, 25 de março de 2013
O janota
Entra cedo, quando
chego já está sentado ao computador. Mãos sapudas, cabeleira farta
e grisalha, o nariz pequeno perde-se num rosto redondo de duplo queixo, ar concentrado na tarefa rotineira de perscrutar o pequeno ecrã do laptop.
Calça sapatos de camurça cor de mel
impecavelmente tratados, peúgas azul elétrico
a condizer com as calças de bombazine da mesma cor, camisa branca sob um pullover acabado de estrear de cor beije com abertura em bico debruado a azul a contornar o pescoço largo, logotipo exuberante bordado no lado esquedo do peito e duas grossas
riscas no braço direito, em azul, a fazer pandã. O dress code sinaliza que não espera reuniões com
clientes. Diz com autoridade: as peúgas têm de condizer com as calças. A antecipação com que combina o local e o menu do almoço, é um ritual diário. O seu mundo é simples. Nunca entrou no Coliseu dos Recreios. Não vai ao cinema, não lê um livro, um jornal. No dia 15 de Setembro saiu à rua. Combinou com amigos, nunca tinha ído a uma manifestação. Aquilo foi giro, disse. É um "gajo porreiro". É na verdade, uma grande mula com bom coração. Frustrado porque nunca chegou a chefe. Claro que eu sou a gaja com mau feitio, sempre a protestar e a dizer mal de tudo. Há dias em que só me apetece fugir.
domingo, 24 de março de 2013
A história repete-se
"O sr. Schäuble, grande arquitecto deste plano, achou que tinha chegado a altura de ganhar uns trunfos dentro de casa, punindo Chipre e dando uma lição à Rússia. Os ministros das finanças votaram com a Alemanha (quem se surpreendeu?) e, finalmente, todos juntos, nessa massa informe que se chama "lideres europeus", com a Comissão e o FMI, decidiram confiscar o dinheiro de depositantes até 100 mil euros, para não parecer uma taxa sobre a riqueza. Não há limites morais para esta gente. De caminho, a Alemanha demonstrava aos países pequenos, como o nosso, que não está disposta a negociar. [...] Os povos dos pequenos países só podem tratar esta irracionalidade de três modos: emigrando, lutando, concordando. Chipre resolveu lutar, as pessoas sairam de casa, e o Parlamento, esse pormenor democrático, reapareceu. A trapalhada do costume. Na verdade, o único país que irá fazer a guerra à Alemanha será, depois da humilhação, a Rússia. A Alemanha precisa do gás russo. A Rússia tudo fará para acabar com esta União Europeia, chefiada pela inércia da França e a gula da Alemanha. Uma nova guerra europeia acaba de estalar. O sr. Schäuble, e os outros, são, além do mais, estúpidos. A história repete-se."
Excerto do texto de Clara Ferreira Alves, "O estúpido sr. Schäuble", na Revista do Expresso
sábado, 23 de março de 2013
sexta-feira, 22 de março de 2013
Este país é um colosso
Enquanto durante todo o santo dia de ontem um vento insano de histeria, de ódio e de loucura peticionária percorreu as redes sociais, a blogosfera e a comunicação social, ninguém parecer ter dado importância a esta notícia. O bom povo que promoveu o chumbo do PEC IV anda de tal forma desesperado com as consequências desgraçadas da sua irresponsabilidade, que entrou numa orgia alucinada de "joga pedra na Geni, ela é feita para apanhar ela é boa de cuspir, maldita Geni". Felizmente há quem diga melhor do que eu o que tem de ser dito.
Ensimesmados no seu próprio umbigo ninguém parece querer perceber que não valemos a ponta dum corno, foi preciso vir o pequeno Chipre dar-nos lições de patriotismo e dignidade nacional.
quinta-feira, 21 de março de 2013
Uns tristes
Passam a vida a dar-se com exemplo, a protestar contra tudo e contra todos quando consideram estar em causa a legalidade e a Constituição, mas só nos casos em que isso possa favorecer as suas posições politicas. Não é pelo facto de se ter votado contra qualquer lei que se está dispensado de acatar as consequências decorrentes da sua aplicação. O argumento de que a candidatura de Seara ainda não existe formalmente, é sonso e rasteiro. A candidatura está no terreno, foi anunciada na comunicação social e tem o apoio político dos partidos do governo. Acresce que o próprio candidato Seara já informou que irá recorrer do impedimento decretado. A decisão do Tribunal nesta altura é de saudar já que ajuda a clarificar a tempo e horas uma querela artificialmente criada por interesses políticos instalados e previne trapalhadas futuras por um desfecho final, qualquer que ele seja, mais perto das eleições, que seria prontamente considerado uma interferência abusiva da Justiça na campanha eleitoral. Não gostam? Temos pena.
quarta-feira, 20 de março de 2013
A felicidade
Assinala-se hoje o Dia Internacional da Felicidade . Nesta onda global de dias disto e daquilo, confesso que este me agrada. Lembrando Jorge de Sena e o seu poema da Felicidade:
"A felicidade sentava-se todos os dias no peitoril da janela
Tinha feições de menino inconsolável.
Um menino impúbere
ainda sem amor para ninguém
gostando apenas de demorar as mãos
ou de roçar lentamente o cabelo pelas faces humanas
E, como menino que era,
achava um grande mistério no seu próprio nome."
O reformado Azevedo
"Para os trabalhadores é que neste momento, sobretudo, infelizmente, para os muitos desempregados, aquilo é um divertimento. Como sabem aquilo não é inocente, alguém paga os autocarros. É preciso ver o que é que está por trás das manifestações".
A merda (desculpem qualquer coisinha) é que já não sei onde abastecer a minha despensa, depois de ter cortado com o outro reformado, o Soares dos Santos.
segunda-feira, 18 de março de 2013
O rastilho?
"Os cipriotas e os estrangeiros residentes em Chipre foram surpreendidos no sábado pela aplicação de um imposto sobre os depósitos que atinge 9,9% nas quantias superiores a 100 mil euros e 6,75% nas restantes. A medida, decidida no âmbito do programa de ajuda europeia ao Chipre provocou uma corrida às caixas multibanco - por ser fim-de-semana - e, pior, abalou a confiança nas instituições europeias. O comissário europeu para os Assuntos Económicos, Olli Rehn, apressou-se a dizer que não existe o risco de se verificar uma situação semelhante em qualquer outro país da zona euro mas, com tantos avanços e recuos, poucos são os que ainda acreditam nas declarações dos políticos. Além do mais, esta medida é perigosa por lançar dúvidas sobre as contas bancárias e nem o argumento de que ou era aplicada ou dois dos principais bancos do país entravam em falência já na terça-feira está a convencer os europeus. Em Chipre, para que a medida seja aplicada é ainda necessário aprová-la no parlamento e o recém-eleito Presidente, Nicos Anastasiades, não parece ter o apoio necessário. A pressão alemã para a aplicação da medida é vista, a nível internacional, como mais um sinal de que a chanceler Angela Merkel continua a não perceber que o apoio aos países em dificuldades com condicionantes muito gravosas para as populações pode voltar-se contra a Alemanha. O fim do euro, a acontecer, será dramático para os países do Sul da Europa, mas também afectará Berlim que direcciona 42% das suas exportações para o espaço europeu. O mais caricato será se, depois de outras ameaças mais sérias, o euro acabar por cair por causa de Chipre e de cinco mil milhões de euros.
Imagem: daqui
domingo, 17 de março de 2013
Correr com eles
"A austeridade é uma decisão política, não uma inevitabilidade financeira. Se dúvidas sobrassem, torna-se evidente agora como a lengalenga messiânica de Vitor Gaspar não tem ligação com a realidade. Todas as previsões do ministro, baseadas numa fé matemática de que o ajustamento traria, automaticamente, crescimento, falharam. Se a política fosse ainda um lugar sério, Gaspar abandonaria o Governo.
[...]
Passos Coelho não se pode queixar por não lhe terem sido dadas alternativas: foram. Não por António José Seguro, mas pela tal sociedade civil de que tanto fala - que não se cansou de sugerir caminhos que não questionavam a necessidade de corrigir os desequilíbrios externos. Não quis ouvi-la nem abrandar a voragem de Gaspar. Agora terá de sobreviver à fúria popular."
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