quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Há energia no ar...



Hoje no Museu da Electricidade. Entretanto a Embaixada da Alemanha, sempre tão circunspecta, deve ter perdido sentido das proporções. Vir comentar oficialmente uma entrevista de um ex-politico, o mínimo que se poderá dizer é que se trata de uma bizarria que diz mais dos políticos alemães do que do diabólico Socras..., que entretanto agradece a publicidade grátis.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Esta gente não presta




Primeiro levas uma carga de porrada, deixam-te as costas em carne viva. A seguir vem um gajo com betadine, pede-te de desculpa porque houve um engano...

domingo, 20 de outubro de 2013

A inveja é uma coisa muito feia



A entrevista que José Sócrates concedeu a Clara Ferreira Alves veio provocar um verdadeiro tumulto entre as mentes bem pensantes deste cantinho à beira mar plantado. Essas mentes bem pensantes decidiram em 2005, quando José Sócrates e o PS obtiveram maioria absoluta, que o ex-primeiro ministro não passava de gelatina política, um homem sem pensamento, que tivera o desplante de vencer Manuel Alegre nas directas do PS e a quem não comprariam um carro em segunda mão. Erros políticos à parte, que não são o objecto deste post, custa-lhes fazerem um simples exercício de humildade intelectual e até há quem se permita afirmar categoricamente que por questões de "principio" não lera nem irá ler a entrevista, não se dispensando no entanto à vulgata catilinária mais primária para adjectivar a entrevista que não leram. Há também o grupo dos que leram a entrevista com a reserva mental necessária para encontrarem em cada palavra, em cada "citação" a confirmação apriorista das suas "suspeitas" sobre a "falta de carácter do individuo" e outros mimos com que sustentam o ódio irracional de votam ao homem. Acresce que Sócrates vem lembrar-lhes as suas responsabilidades num momento decisivo para Portugal na crise política que conduziu à vinda da troika, que nos trouxe a ruína por muitos e bons anos, e isso é um peso insuportável que precisam de alijar carregando nas tintas  e na diabolização do político que alimentou todas as suas frustrações.  Não aprenderam nada e duvido que venham a aprender.


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

" Se fosse responsável por este OE rezava para que o TC o chumbasse"


Ouvir Manuela Ferreira Leite às quintas-feiras na TVI24, passou a ser um exercício de lucidez e de sanidade mental. Paulo Magalhães, não consegue esconder a ansiedade que lhe vai na alma de cada vez que um dos seus convidados desanca no governo. Ontém foi patética a tentativa tosca de arranjar argumentos que levassem MFL a dizer algo que desculpabilizasse ou atenuasse os efeitos da brutalidade das medidas prevista no OE para 2014. Debalde, a cada "deixa" lançada pelo jornalista, MFL não deixou pedra sobre pedra na desmontagem da argumentação do governo que tenta justificar o injustificável. 

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Malabarices...


Parece que o ministro Mota Soares anda a desmaiar nos aviões. Com toda a sinceridade do mundo, desejo-lhe muita saúdinha, que se restabeleça depressa e bem,  que nós cá estaremos para o confrontar com as suas mentiras. O senhor ministro, que faz parte do partido do contribuinte, dos aposentados e da geração grisalha continua a tratar os portugueses como débeis mentais, obedecendo a um guião feito à medida pelo chefe da banda Paulo Portas. E o que diz esse guião? Pois, que está muito "espantado" com "as críticas do PS ao corte das pensões de sobrevivência quando foi o partido que retirou o abono a todas as famílias com mais de 600 euros de rendimento".  Suponho que o senhor ministro deverá saber que os abonos de família são financiados pelos impostos que todos nós pagamos, enquanto que as pensões de sobrevivência proveem das contribuições para a segurança social, fazem parte de um contrato de boa fé que os portugueses estabelecem com os diferentes regimes de segurança social. O senhor ministro e o seu chefe de fila, continuam a  atirar areia para os olhos das pessoas jogando com a sua  ignorância natural relativamente ao financiamento de cada uma das prestações. Esta gente não presta.


terça-feira, 15 de outubro de 2013

Novo escarro


"Eduardo do Santos diz que não há condições para parceria estratégica com Portugal" -  ao cuidado da sociedade anónima  Cavacus, Passus & Manchete, -  ou como diz o povo, quem não se dá ao respeito, não espere ser respeitado.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A nave do louco


Durante o consulado de Victor de Gaspar, PPC lá conseguiu passar aideia de que o terrorista social era o seu ex-ministro das finanças. Com a carta de demissão de Gaspar tudo ficou mais claro. PPC, o incompetente, tem de si a imagem do predestinado que sabe o que é bom para os portugueses. Porradinha e muito fomeca para enrijar.

[...] " saúde mental de PPC preocupou-me pela primeira vez (até aí confesso que também atribuía tudo à falta de inteligência e oportunismo) quando, em plea crise após a demissão de Portas, PPC disse: "Não me demito. Não abandono o meu país" Na altura, alguns patetas de serviço vieram falar de patriotismo, mas eu senti um calafrio na espinha. O que eu vi foi um homem que sova metodicamente a mulher mas que não lhe dá o ivórcio porque a "ama muito". Quer edicá-la, quer que ela seja como ele acha que ela deve ser. Na sua opinião, ela não se porta bem e ele quer pô-la nos eixos, "porque a ama muito". Nem sequer tem grande opinião dela, admira é as louraças nórdicas, ela é morena e baixinha, mas com ela ele sente-se poderoso, ela está mais "ao sei nível". Ela é ambivalente, como geralmente acontece nestes casos: quer deixá-lo, mas ao mesmo tempo interiorizou a culpa com que ele a castiga. Ele tanto diz que no futuro vai ser diferente, como a ameaça com mais porrada caso ela riposte. Não a liberta, mas também não a ouve, não a respeita. Ele é que sabe o que é bom para ela.[...]"

Comentário de Bone a este post de FNV no Declínio e Queda.


sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O trio de ataque


Senhoras e e senhores olhem para a foto e digam-se lá se  uma imagem vale mais que mil palavras? Pedro o sádico y sus muchachos consideram que é preciso contrariar a desinformação, surpreendidos que estão com o protesto das viuvas que ganham 4000 euros fora a pensão de sobrevivência de mais 4000..., como é bom de perceber.... Já não há forma nem maneira de qualificar esta mistificação governativa que todos os dias passa um atestado de estupidez aos portugueses, a não ser pela ironia. Doutra forma soçobramos.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A entrevista


O homem que Felipe La Feria recusou como actor  esteve ontem nas suas sete quintas. Finalmente arranjou um palco à medida das suas ambições frustradas. O homem que se vê a si próprio como "escolhido" para conduzir os portugueses ao empobrecimento, disse que se ele falhar todo o país falha. Está-se mesmo a ver que estamos fodidos, a falta de cultura democrática de um gajo que se vê a si próprio como o eleito dos deuses não pode acabar bem.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Os camaradinhas

Ainda sobre o inenarrável caso Machete, li, reli e voltei a ler e não atinei no que disse  PCP,  sempre pronto  a pedir a desmissão de todo e qualquer ministro que mexa. Felizmente não se tratava da Coreia do Norte. Caso para dizer, percebi-te...

terça-feira, 8 de outubro de 2013

O elo mais fraco

Ferreira Fernandes:

"Este Governo tem uma fixação pelo retrovisor. Se um governante diz "é irrevogável!", logo engrena a marcha atrás. Se dos governantes esperamos o "princípio da não retroatividade", logo nos atropelam às arrecuas... Este Governo pode ter muitos problemas de mecânica, mas com ele a marcha atrás não custa a entrar. Ela funciona bem, como repararam, mas ao arrepio das palavras. Por isso é preciso ler o Governo com números. Defina-se pobrezinho: 419. Está lá , no Indexante dos Apoios Sociais: o limiar da pobreza é 419 euros por mês. Ganhas isso, não te tocam, não se bate num 419 no chão. Os 419 trabalham - sem o saber (e sem ganhar um chavo, só ficam isentos de pancadas suplementares) - para o Governo. Servem para fazer a conta mágica. Multiplicados por 1,5, um 419 dá (quase) 629. Um pobrezinho e meio igual a uma vaca. Defina-se uma vaca: um pobrezinho e meio, já bom para ordenhar e ser retalhado, dar leite e carne, e ainda a pele para tapetes. O Governo está-se nas tintas para as parcelas da operação, só lhe interessa o resultado mítico: 629! A vaca que é rica. A partir do fantástico número é só faturar. Este Governo, além da marcha atrás, é bom na tentativa de nos convencer. Para nos convencer, o Governo tem um argumento tremendo: a viúva do banqueiro. A que acumula pensões de sobrevivência gordas e cintilantes. A viúva do banqueiro nunca fez nada na vida. Faz agora: convence-nos que a vaca 629 tem de levar na cornadura."

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Só nos faltava este escarro



Na empresa onde trabalho as pessoas no geral não têm grandes preocupações políticas, a informação que recebem, além dos cabeçalhos dos jornais são as notícias do telejornal. O sintoma de que há uma bronca gorda no país é quando chego de manhã  e um dos meus colegas, conhecendo o meu vício com a política, dispara na minha direcção :- "então e o Machete ?" pergunta-me com ar indignado. Já o mesmo sucedeu por ocasião da TSU :- "então aqueles gajos querem pôr-nos a pagar aos patrões"?
A machadada que este ministro deu na credibilidade da nossa diplomacia, reconhecidamente de grande qualidade, são difíceis de calcular. Os responsáveis pela degradação da situação têm nome, Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro que não demitiu imediatamente o ministro, Cavaco Silva, presidente da república que não exerce os  poderes de que dispõe para repor a dignidade do Estado.

domingo, 6 de outubro de 2013

Um fraco rei faz fraca a forte gente


Quando todos pensávamos que a falta de preparação política e sentido de estado do primeiro ministro tinha batido no fundo,  as inconcebíveis declarações  sobre a vergonhosa entrevista de Machete  à rádio angolana desvalorizando-as de forma humilhante, mostram-nos que é sempre possível descer mais um degrau. 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

That's all folks



Anda para aí um alarido com as declarações de João Semedo. Tenho-o em boa conta, a frase assassina de ter referido candidatos "credíveis",  em vez de candidatos com reais possibilidades de serem eleitos, deu cabo dele. É evidente que o BE, depois de não ter conseguido sequer eleger João Semedo para a CML, não fica em bons lençóis. Um pouco menos de arrogância e mais realismo poderiam ter contribuído para terem cantado vitória na capital, tendo feito uma aliança com António Costa, que aliás lhes foi proposta.
O que os bloquistas não há meio de se convencerem é que o bloco funciona como catarse dos eleitores de esquerda do PS, (sim, existem eleitores do esquerda do PS), quando o PS está no governo e se vê na contingência de fazer políticas de direita, e dos erros que todo o exercício do poder provoca. Para UDP de quem o eleitorado fugiu a sete pés, tem sido um bom porto de abrigo, para os PSRs cuja existência sempre esteve personificada em Louçã, idem. Os ex-PCPs, para além do mediático e saudoso Miguel Portas, não contam.  Com as causas fracturantes todas assumidas e resolvidas pelo diabólico Sócrates, o que lhes resta? 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A bem da nação....

Álvaro Cunhal - Desenhos da Prisão


Já tudo foi dito, analisado e escalpelizado sobre os resultados eleitorais. O que não deixa de espantar-me, é a insistência sectária e umbiguista dos dirigentes do PCP, com o secretário Jerónimo a dar o mote e lamentavelmente repetido ontém  por Otávio Teixeira, na desvalorização da evidente vitória do PS nestas eleições autárquicas. Vindo de um partido que  desde a queda do muro de Berlim não parou de levar pancada até às eleições do passado dia 29, e que no final de cada eleição nunca reconheceu as sucessivas derrotas, antes pelo contrário, dá vontade de dizer à maneira do camarada Jerónimo, gaba-te cesto... E no entanto estou muito contente que Bernardino Soares tenha ganho a Câmara de Loures para a CDU, é um político que tem vindo a evoluir de forma consistente e quero crer que  os tempos dos louvores à Coreia do Norte estarão definitivamente encerrados. Quanto ao partido Socialista bem pode começar a ler os recados que o eleitorado inequivocamente lhe deu, e que são o do respeito pela inteligência dos eleitores na escolha dos seus candidatos. Sempre que isso aconteceu, o Partido Socialista ganhou, onde isso não aconteceu levou o justo correctivo.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A ressaca



Ainda não estou em mim com os resultados do concelho de Oeiras. A histeria do voto dos oeirenses é o sintoma local de um país doente, muito doente.  E não vale a pena tapar o sol com a peneira, o destrambelhamento da votação em Isaltino, sim porque Vistas não vale um chavo e os bravos oeirenses nunca se dignariam olhar sequer dirigir-lhe o olhar, é uma reacção que merece uma análise à qualidade da nossa cidadania, aos valores que norteiam a nossa vida enquanto cidadãos, e daquilo que esperamos dos nossos políticos. E o retrato não é bonito. Sublinho no entanto que o candidato penetra Moita Flores, que todos julgavam que iria chegar, ver e vencer, dado taco a taco com o movimento Isaltino, foi clamorosamente derrotado, ficando atrás do candidato socialista, um jovem sem qualquer projecção nacional. As cadelas apressadas parem os filhos cegos... e isto vale para todos, comunicação social incluída.

domingo, 22 de setembro de 2013

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Fucked



Tal como sucedeu com a Grécia, o FMI vem fazer o mea culpa relativamente às políticas de austeridade que a troika impôs a Portugal. Seguir-se-á a posição da Comissão Europeia e do BCE, que fazem de polícia mau, tal como sucedeu recentemente com as declarações do presidente do Eurogrupo de nome impronunciável, na âmbito da ronda levada a cabo por Portas com a Albuquerque à ilharga. Entretanto foram arruinadas famílias, o desespero tomou conta dos mais desprotegidos, o desemprego disparou, a esperança ceifada, os bancos enriqueceram, o estado de direito desrespeitado, os capatazes que ocupam o lugar de governantes ao serviço das tais políticas intencionalmente mortíferas, que agora se reconhece estarem erradas, continuam com a mesma cara de pau a pretender dar lições de moral aos portugueses e no fim ninguém vai preso.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Gente sem qualidades



Está novamente criada a bagunçada com as mentiras de miss Swap. Que a senhora tinha mentido com quantos dentes tem, já todos tinhamos percebido, salvo alguns aleijadinhos, ceguinhos e apoiantes dos nossos desvairados governantes e afins. As desculpas esfarrapadas do PSD são absolutamente patéticas. Que a bagunça é tanto mais grave no momento em que se encontram entre nós os representantes dos credores, vulgo troika, que tantas esperanças depositam em miss Swap, não restam dúvidas. É que a oposição nada mais pode fazer senão pedir a cabeça da ministra. Este é um daqueles casos em que ou Passos Coelho foi completamente enrolado numa estratégia política gizada pelo sábio Maduro de ataque ao anterior governo, uma manobra de diversão para esconder a sua incompetência pelos dois anos de inacção nesta matéria, avançando para uma comissão parlamentar de inquérito sem ter certezas do que iria encontrar pelo caminho, ou pelo contrário foi à aventura, atirou o barro à parede e ficou todo cagado. Em qualquer dos casos faz sentido lembrar a carta convenientemente esquecida de Vitor Gaspar, escrita quando se despediu do governo, deixando do primeiro-ministro o retrato de um homem sem qualidades. Esperemos pelas tristes cenas dos próximos capítulos.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

"Irei esmifrar-te até ao túmulo"



"Helder Rosalino, o secretário de Estado da Administração Pública, representa na perfeição a súcia de amanuenses sem escrúpulos que está a executar as políticas de empobrecimento do país. Alguém que faz olhando para os números, contabilizando cortes sem pensar em quem os sofre, sabendo que quando voltar ao seu gabinete de funcionário do Banco de Portugal tem uma situação de excepção à sua espera, desde o vencimento que aufere ao regime de pensões de que é beneficiário - estas não terão cortes com a lei do Governo. É errado julgarmos moralmente os actos políticos dos nossos adversários, como não se cansam de repetir os defensores destas políticas de direita? Muito pior é que esses actos políticos levem à miséria de forma amoral, sob a capa de necessidades tecnocráticas e "porque tem de ser". Quando as decisões políticas ignoram de forma ostensiva quem vai sofrer com as consequências dessas decisões, quando a política se torna desumana a ponto de ser mais importante pagar um dívida a uma instituição financeira estrangeira do que a pensão a um velho, entramos noutro território. Julgarei moralmente qualquer um que corte a pensão a um reformado de 90 anos. É isso - também - que me torna humano."

excerto da cronica de Ferreira Fernandes



sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Esperteza saloia


"Que maneira de fazer política! Que tristeza! Como é possível que ainda alguém pense que esta esperteza saloia pode render votos em Portugal?"

Fernanda Câncio


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

As insónias do tio Ângelo


A gente ouve Passos Coelho em tom esganiçado e apopléctico falar em "esperteza saloia" e dizer que está "delirante" e percebe que o tio Ângelo  sinta necessidade de se demarcar deste delírio.

Ângelo Correia há uns tempos que vem zurzindo no protegido. Anda desiludido e desgostoso, diz que o rapazola deixou de o ouvir. Tivesse sido mais exigênte quando andou com ele ao colo a impingi-lo aos portugueses. Agora, lágrimas de crocodilo não comovem ninguém.

domingo, 8 de setembro de 2013

(In)Seguro



"O secretário-geral do PS joga pelo seguro e aposta em mínimos para as autárquicas: um voto a mais já será uma vitória. Num sufrágio com mais de 4500 eleições distintas, esse voto a mais pode vir de uma freguesia recôndita com escassas dezenas de eleitores e apagará, segundo a aritmética política de António José Seguro, a perda de câmaras como, por exemplo a de Évora ou Braga.
Um critério tão defensivo não se estranharia num partido em declínio de popularidade por força da sua acçao no Governo, mas é revelador de fraqueza e falta de confiança vindo do partido da oposição que quer chegar ao poder dentro de dois anos. E que concorre em condições de vantagem absolutamente excepcionais, num país empobrecido e massacrado por políticas de austeridade levadas a cabo pelo seu principal adversário.
Contudo, para um chefe partidário poder invocar a especificidade destas eleições ou escapar ileso a uma eventual derrota, teria de reconhecer essa especificidade desde a primeira horas, o que implicava abster-se de apelos aos eleitores para que castiguem o Governo numa votação a que este não concorre. Pelo contrário, Seguro pede o julgamento do Executivo, sendo por isso natural que também seja julgado. Mesmo no caso de ganhar por um voto mas ficar com menos câmaras do que o PSD, pois aquilo a que decidiu chamar vitória corresponderá, de facto, a uma derrota política."

Fernando Madrinha, Um voto não basta, Expresso


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

"Injusta Causa"

" Depois de dois orçamentos chumbados no Tribunal Constitucional, por violação de princípios fundamentais do Estado de Direito no corte de salários e de pensões, o Governo optou por apresentar à margem do Orçamento a sua proposta de novos cortes orçamentais através de despedimentos arbitrários na função pública.  
 
Não adianta disfarçar a razão desta táctica legislativa: o próprio Governo suspeitava que a sua proposta era inconstitucional. Houvesse no Governo um pouco menos de cegueira ideológica ou um pouco mais de competência e essa suspeita seria uma certeza. Afinal, foi corroborando a opinião largamente maioritária entre os constitucionalistas que os juizes decidiram, por unanimidade, que a proposta do Governo era inconstitucional.  
 
A tendência do Governo para entrar em rota de colisão com a Constituição não constitui uma novidade, nem uma surpresa. O que surpreende é a insuperável incompetência com que essa tensão tem sido gerida.  
 
É certo, o primeiro-ministro diz que não tem problemas com a Constituição - só tem problemas com a interpretação que dela fazem, pelos vistos de forma unânime, os insensatos juizes do Tribunal Constitucional.  
 
Acontece que esse binómio não existe: de um lado, a Constituição, em forma pura; do outro, as suas interpretações. O que há é a Constituição, tal como interpretada. E sendo sem dúvida legítimas - no plano jurídico e no plano político - diversas interpretações da mesma Constituição, compete ao Tribunal Constitucional, na sua jurisprudência, fixar, de forma vinculativa na nossa ordem jurídica, a interpretação válida da Constituição.  
 
Dito de outra forma: se o primeiro-ministro tem problemas com a interpretação da Constituição fixada pelo Tribunal Constitucional, é porque tem problemas, de facto, com a própria Constituição. Logo que foi eleito líder do PSD, em 2010, Passos Coelho, no encerramento do XXXIII Congresso do seu partido, propôs uma revisão constitucional para impedir, e cito, "que o Estado nos enfie pela goela abaixo o social que cada Governo quer".  
 
Pouco depois, explicou que pretendia "reformar amplamente o sistema", o que, segundo ele, e cito de novo, "com esta Constituição não é possível" (JN, 21 5-2010). Chegou mesmo a apresentar um projecto de revisão constitucional, que depois abandonou.  
 
E nesse projecto propunha eliminar do art° 53º da Constituição a proibição do despedimento "sem justa causa", substituindo-o pela mera proibição do despedimento "sem razão legalmente atendível". Ficou claro, desde então, o que Passos Coelho pretende, tanto para o sector público como para o sector privado: viabilizar despedimentos que não cabem no amplo conceito constitucional de "justa causa", ou seja, viabilizar despedimentos por "causas injustas" ou arbitrárias.  
 
O que não se compreende é que Passos Coelho, tendo desistido da sua revisão constitucional (certamente inviável, no plano político), ainda assim mantenha o seu programa legislativo contra os direitos constitucionalmente protegidos. Consequência: é cada tiro, cada melro - e o resultado não podia ser outro.  
 
E não se diga que o Tribunal Constitucional não leva em devida conta a situação financeira do País: este é o mesmo Tribunal que, atenta precisamente a situação financeira, permitiu reduções salariais na função pública desde 2011, autorizou a contribuição extraordinária de solidariedade e se expôs à incompreensão geral quando decidiu - sem que o Governo, aliás, o tivesse pedido - diferir para o ano seguinte os efeitos da inconstitucionalidade do corte dos subsídios em 2012. Só que há limites para tudo e não pode tolerar-se que a Constituição seja suspensa para viabilizar um programa ideológico radical de resposta à crise com desprezo pelos princípios elementares do Estado de Direito.  
 
O caso dos despedimentos na função pública é exemplar. Por cinco vezes - em sucessivos acórdãos proferidos em 1986, 1992, 2003, 2001 e, agora de novo, em 2013 - o Tribunal Constitucional explicou, pacientemente, que a Constituição não impõe o "emprego para a vida" no Estado ou, mais exactamente, que "a vitaliciedade do vínculo laborai público não encontra assento constitucional".  
 
Ou seja: a Constituição não proíbe os despedimentos na função pública. Mas o Tribunal explicou também que o emprego público não está excluído da proibição constitucional do despedimento sem justa causa. Sucede que o Governo propôs para o sector público um regime mais gravoso do que o do sector privado, em que o despedimento passaria a ser possível não por razões disciplinares ou verdadeiramente objectivas mas em função de arbitrariedades que não podiam caber, de forma alguma, no conceito constitucional de justa causa.  
 
Em suma, o Governo pretendia despedimentos na função pública por causas injustas. Travar tamanha injustiça em matéria de direitos fundamentais só pode ser uma decisão juridicamente acertada - e um manifesto sinal de bom senso. "
 
Pedro Silva Pereira - Jurista, Diário Económico

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Perplexos e mal pagos



"Pensava-se que Paulo Portas iria levar na mala as suas "perplexidades" e exigir aos "senhores da troika" menos austeridade e uma meta mais realista para o défice."
[...]
"Vai ser difícil para os portugueses, muitos dos quais partilham da perplexidade do vice-primeiro-ministro, ver Portas regressar sem ter feito uma reivindicação para flexibilizar o programa. Uma coisa é tentar e não conseguir. Outra bem diferente é nem sequer tentar e não ser coerente com aquilo que se defendeu no passado."

A choldra do costume, no Publico, retirado daqui.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Cunhal, um icone imortal


Judite de Sousa apresentou ontém o seu livro sobre o lado mais pessoal da vida de Álvaro Cunhal. Da variada assitência faziam parte desde o ex-doutor lusófono Relvas, ao sempre em pé Marques Mendes, acabando no, pois não podia deixar de ser vai a todas, Marcelo Rebelo de Sousa. De caminho encontramos o eterno enfurecido Medina Carreira, a inenarrável Teresa Caeiro e outras individualidades avulsas. Estou convencida de que, para além da natural vaidade que sempre lhe assistiu, Álvaro Cunhal deve estar aos pulos na tumba ao ver-se homenageado por esta tropa fandanga. Por mim, ao ouvir o Relvas e o pequeno Mendes tecer loas a Álvaroa Cunhal fiquei assim com uma estranha sensação como que de absorção...

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Não basta trocar de seguro...

 
"Antonio Gramsci dizia que "a crise é quando o que é velho está a morrer e o que é novo não consegue nascer". Estamos a assistir à agonia do capitalismo financeiro, que pode ser longa e ter consequências ainda mais devastadoras, mas os partidos da IS e, concretamente, o PS português, continuam em estado de letargia ideológica e política, quando seria legítimo esperarmos deles a formulação de programas bem diferentes, com propostas inovadoras claramente distintas do neoliberalismo vigente."
Alfredo Barroso,  "O PS Política e ideolígicamente à deriva", um excelente artigo no jornal i
 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

L' Etat c'est moi




A falta de cultura democrática e a convicção pessoal de que se trata de um iluminado enviado pelos deuses para salvar o páis, fez com que Passos Coelho produzisse uma declaração de guerra inusitada ao Tribunal Constitucional. Raivoso, desesperado, impaciente, Passos Coelho considera que só a sua interpretação da Constituição é válida. Por vontade dele acabava já com o Tribunal Constitucional e a Lei seria determinada pelo governo. A Constituição, que  jurou cumprir,  não é mais do que um trapo velho que urge substituir por algo à sua imagem e semelhança. A frase  a propósito dos desempregados é um escarro sem perdão.

domingo, 1 de setembro de 2013

Doce vingança



O Álvaro que como todos sabemos se mostrou encantado com as virtualidades que o pastel de nata poderia oferecer para o crescimento do PIB, saiu de mansinho do governo, mas como quem não quer a coisa, já tem previsto o lançamento de um livro para breve. Com aquela cara de lorpa deslumbrado que Deus lhe deu prepara a vingança e vai servi-la fria. Mal posso esperar.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Novo chumbo


Vai por aí um alarido em surdina, por causa do Tribunal Constitucional ter chumbado a requalificação da função pública. As dúvidas sobre a constitucionalidade da medida eram evidentes, se assim não fosse Cavaco Silva não teria remetido o diploma para análise, e o próprio Passos Coelho antecipou no Pontal o "perigo" dessa desconformidade.  Assim sendo, a pergunta que fica é , porque insiste o governo sucessivamente em medidas inconstitucionas"? Sim, porque a vingança e a desforra não se farão esperar. Será este o objectivo último deste governo de revanchistas?

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Fia-te na virgem....



Está instalado o passa culpas e  sacudir água do capote relativamente a um gráfico do FMI que pretende mostar que Portugal precisa de baixar mais salários, flexibilizar ainda mais as relaçoes trabalho e uma dose de sevícias suplementares para além das que já foram infligidas aos trabalhadores portugueses. Ora o que se passa é que o Governo deixou  que o FMI publicasse o tal gráfico com elementos parciais sem um pio, sem um ai, por alguma razão. Há quem sustente que se trata da habitual subserviência dos passarolas governamentais para os nossos credores, não vamos irritá-los agora, depois logo se corrige. Só que o mal está feito, o FMI diz que sim mas que também e o governo aproveita para prosseguir a sua política  de medo e intimidação até tornar a nossa mão de obra  competitiva com a do Paquistão ou da China.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

"I have a dream", foi há 50 anos



Um discurso memorável e profético de Martin Luther King, Prémio Nobel da Paz em 1964 pelo o combate à desigualdade racial através da não violência, foi assassinado cinco anos mais tarde em Memphis.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Português suave

 
Até este momento, já ardeu em 2013 mais área do que em 2007 ou 2008. O quarto bombeiro acaba de falecer. No entanto uma estranha calma parece ter tomado conta dos orgãos de comunicação social, ninguém pergunta onde está o primeiro-ministro em funções, as televisões não passam o rodopio de autarcas a queixarem-se de abandono ou de bombeiros a queixarem-se de falta de meios, nem foi convocada nenhuma reunião urgente do parlamento para tirar a limpo e debater as responsabilidades de tamanha tragédia. É assim com a direita no poder, o Dr. Portas foi a banhos, o senhor Passos faz campanha eleitoral em Sintra para segurar o bronco do Pedro Pinto e atirar as responsabilidades para o governo de Guterres pelo pagamento de uma dívida contraída no governo de Barroso e toda a oposição se mantém num apagado e comprometido silêncio...Só posso concluir, que os incêndios eram maus porque era o capeta do Sócrates que estava ao leme.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A lei da vida


Vai para aí uma polémica em diveros registos a propósito da morte de António Borges. Não danço da alegria sobre a campa de ninguém, mas nada me obriga a sentir tristeza pela morte de quem durante a vida, considero responsável moral pela desgraça colectiva que os portugueses estão a viver. António Borges foi um banqueiro que defendeu os interesses dos banqueiros à custa do sangue suor e lágrimas dos mais fracos, dos mais desprotegidos, dos mais vulneráveis. Essa circunstância não se altera pelo facto de ter morrido. É desta forma que o recordarei, por mais brilhante que tenha sido. A inteligência não é um valor absoluto. A morte de alguém é sempre um acontecimento infeliz. Deixará tristes alguns, certamente os seus próximos, familia, amigos e corregelinários, e completamente indiferentes outros, como é o meu caso.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Homenagem a Ana Rita


Nesta época de incêndios já morreram três bombeiros. Mas parece que no pasa nada...., tranquilamente o ministro diz que não há falta de meios, os incêndios é que são muito maus. Alguém ainda se lembra da forma como a comunicação social confrontava o anterior governo, e das aberturas dos telejornais das três televisões? O Rui Pereira só não era lançado às chamas por caridade cristã. Mas isso foi no tempo em que os animais falavam, agora é tudo normal e o tuga assobia para o lado.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O horror na terra dos Kims



"Não fazia ideia do que me iam fazer. Pensei que iam cortar a minha mão inteira, pelo pulso, portanto fiquei grato por apenas terem cortado um dedo."

 "Era a primeira vez que via um recém-nascido, por isso senti-me feliz", disse. "Mas de repente ouviram-se passos e um guarda veio e disse à mãe para pôr o bebé de cabeça para baixo numa tigela de água. A mãe pedia para ele a poupar, mas o guarda só lhe batia. Por isso a mãe, com as mãos a tremer, pôs a cara do bebé na água. O choro parou e uma bolha surgiu na água quando ele morreu. Uma avó que tinha ajudado no parto levou-o."

notícia do Público 

Enquanto isso, a bela Ri-Sol perfere o made in France... 


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

terça-feira, 20 de agosto de 2013

O regresso da sopa dos pobres



"O filho mais velho de Cláudia tem dez anos e acompanha a mãe e os dois irmãos mais pequenos à cantina social de Matosinhos. Levam sacos com recipientes vazios que vão levar para casa com o almoço da família. Pai e mãe estão desempregados e o subsídio de desemprego não chega para cobrir as despesas e comprar comida para todos. Ao entrar na cantina, o rapaz cruzou-se com um colega da escola, que deve ter percebido o que a família ia fazer. "Que vergonha!", disse o rapaz à mãe.

A história é contada numa reportagem de Ana Cristina Pereira, publicada há poucos dias nestas páginas, a par de um artigo de Andreia Sanches sobre o Programa de Emergência Alimentar. E nós não podemos senão repetir, como o filho mais velho de Cláudia, "Que vergonha!".

Que vergonha que o Governo de Passos Coelho esteja a mergulhar cada vez mais famílias na pobreza, a destruir os apoios sociais a que todos os cidadãos têm direito nos momentos de necessidade e para os quais todos contribuímos, e a substituí-los por humilhantes programas de caridade, onde os direitos se transformam em esmolas, onde a dignidade das pessoas é ofendida, onde a sua autonomia é negada, onde a sua perda de estatuto é ofensivamente reiterada dia após dia.

É infame que o ministro Mota Soares envergonhe o filho mais velho de Cláudia, uma criança de dez anos cujo único crime é ter pais desempregados. É infame que o ministro Mota Soares apenas aceite alimentar os filhos das Cláudias em troca da sua humilhação. Mas Mota Soares, que de facto é não só ministro para a Promoção da Miséria mas também grão-mestre da Humilhação dos Pobres, não se fica por aqui. Há todos os dias milhares e milhares de crianças que comem a sopa da caridade, sob o olhar envergonhado dos pais, e que rezam para que nenhum colega da escola os veja entrar numa cantina social ou entrar de sacos vazios e sair de sacos cheios de uma IPSS ou de um Centro Paroquial.

Mota Soares pode achar esta vergonha despropositada em miseráveis, pode considerar que todos eles têm muita sorte por ter a sua sopinha grátis e pode até argumentar que seria pior se não a tivessem, mas a questão é que o Estado tem o dever de proteger os direitos das pessoas em geral e dos seus cidadãos mais frágeis em particular e que estas doações não são senão retribuições que a sociedade lhes deve – como no-las deve a cada um de nós em de necessidade porque todos contribuímos solidariamente uns para os outros. Mota Soares não percebe que o seu papel é gerir os recursos de todos de acordo com as políticas solidárias que a sociedade colectivamente sancionou e não impor um programa de submissão dos pobrezinhos para aterrorizar os trabalhadores e facilitar o ataque aos seus direitos. Mota Soares não percebe que as pessoas são todas iguais em direitos e dignidade e que não pode impor aos filhos dos mais pobres o que nunca admitiria que fosse imposto aos seus filhos. Mota Soares não percebe que está a vender a sua sopa a um preço demasiado alto.

Mota Soares não percebe que é abjecto organizar apoios sociais de uma forma que humilha os necessitados, que eterniza a sua dependência porque não lhes permite qualquer autonomia e que nem sequer é a mais eficiente.

Há 415.000 portugueses que vivem de alimentos doados, quer pelo Banco Alimentar contra a Fome quer pelas cantinas sociais do Programa de Emergência Alimentar. Se somarmos a estes os que são alimentados por organizações privadas que não estão ligadas àqueles programas e por indivíduos a título pessoal, o número excederá certamente o meio milhão. Meio milhão de pessoas que só podem comer todos os dias se forem pedir comida.

O Programa Alimentar de Emergência cresceu paralelamente à redução das prestações e do âmbito do rendimento social de inserção (RSI), que apoia cada vez menos pessoas apesar do evidente aumento das necessidades, mas todos os especialistas consideram que um grande alargamento do RSI seria a medida mais justa, mais respeitadora da dignidade das pessoas, mais promotora da sua autonomia e até mais benéfica para a economia nacional. Porque é que o Governo gosta de distribuir sopa mas reduz o RSI? Porque o RSI proporciona uma autonomia que o Governo não quer promover. O RSI serve para fazer sopa ou para um bilhete de autocarro. A sopa é só sopa. Não permite veleidades.  

Usando habilmente de uma propaganda sem escrúpulos, o Governo e a direita em geral conseguiram difundir a ideia de que o RSI promovia a preguiça e atrofiava a iniciativa, além de gastar recursos gigantescos. Era e é mentira, mas a campanha ajudou a estabelecer a sopa dos pobres como modelo social alternativo.  

Mota Soares prefere dar sopa e anunciar que os pobres podem fazer bicha para a sopa. "É bom para o Governo e para a alma", sonha Mota Soares. "É maravilhoso ter muitos pobres a quem dar sopa, porque quem dá sopa aos pobres pratica a caridade e quem pratica a caridade está na graça de Deus." É por isso que Mota Soares exulta com a sopa dos pobres. Por isso e porque sabe que na bicha da sopa só estarão os filhos dos outros." 

José Vitor Malheiros, Público, "o regresso da sopa dos pobres como modelo de apoio social"

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Arte circense


Os kamikases são tipos corajosos, com a vantagem de não levarem ninguém atrelado à sua coragem suicida. 

O trocadilho para não chamar a Passos Coelho um burro obstinado e fanático, é a forma trapalhona de Marcelo continuar a apoiar o governo, fazendo de conta que critica. Sabe muito, as presidênciais vêm longe, mas é uma corrida de fundo.

domingo, 18 de agosto de 2013

Euforias problemáticas...



"O INE acaba de divulgar, sob a forma de estimativa rápida, que o PIB cresceu 1,1% quando comparado com o trimestre anterior e logo me acordaram bem cedo pela manhã a questionar: "Será isto o fim da recessão? [...] quando olhamos para os dados do PIB e os comparamos com os do trimestre homólogo do ano anterior, ficamos logo com a sensação de que o lobo mais não passa de um gato bravo assanhado...O PIB continua a cair e caiu 2% perante 2012.
Além disso, em 13 dos últimos 19 anos a nossa economia sempre cresceu do primeiro para o segundo trimestre e, sendo assim, este aumento agora verificado deixa de ser de todo extraordinário...Isto é, nem assanhado está o gato bravo..."

João Duque, Pedro e o Lobo, Expresso

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Seara ao vento


Sempre embirrei com António Capucho. Irrita-me a o seu ar de galã dissimulado, a mediania das suas intervenções e mais recentemente, a auto-complacência e soberba para não justificar cabalmente as razões da renuncia ao mandato de Presidente da Câmara de Cascais. Os problemas de saúde invocados são uma panaceia para tudo e mais alguma coisa. Quando os políticos se querem ver livres de cargos políticos, são imediatamente assaltados por problemas de saúde. É evidente que as coisas lhe sairam furadas com a liderança de Pedro Passos Coelho. O homem de Massamá e da Manta Rota, locais onde Capucho nunca na vida se deverá ter abeirado, tratou por cima da burra o "aristocrata" da Linha, e Capucho sabe que só continuará na ribalta por oposição a Passos Coelho.
Dito isto, Capucho vem denunciar e com razão, os jogos de mercearia política na escolha do candidato sucessor de Seara na Câmara de Sintra. As coisas não estão a correr nada bem a Pedro Pinto, ex santanista militante, que se viu na contingência de recorrer ao apoio de Seara, numa campanha de propaganda inédita e que deveria envergonhar os dois, se qualquer deles tivesse vergonha na cara. Uma pessoa já nem sabe bem como classificar um gajo que é cândidato à Câmara de Lisboa, e que se predispõe a fazer campanha ao lado de um cândidato a uma outra autarquia. Será o grau zero da política, ou ainda é possivel descer mais baixo? Já de Pedro Pinto nem vale a pena falar, ele encarrega-se de demonstrar a sua absoluta nulidade.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O bombeiro de Barroso



..."eu era presidente da Câmara da Figueira, ia fazer o segundo mandato, chega lá o Dr. Durão Barroso e disse: 'tens de vir para Lisboa porque é contra o eng° Guterres, temos de ganhar as autárquicas, o governo é muito mau para Portugal...' andou ali dois meses a dar-me cabo do juízo. Eu a dizer, não vou, não quero. Pronto, tive de vir. Não esperava nada. Em Lisboa, a meio do mandato, adorava o que estava a fazer, e em noite de eleições europeias, diz-me: 'olha, prepara-te porque se calhar vou para presidente da Comissão, vens de me substituir'. Outra vez a mudar-me a vida... e pronto, fui exercer o cargo do primeiro-ministro..."

Um pau para toda a obra !

terça-feira, 13 de agosto de 2013

O Mascarilla... pois



"Mascarilha, Tonto e a Letónia

Enquanto em Portugal, PSD e PS discutem de forma inflamada quem é que tem "swaps" debaixo da cama, evitando assim discorrer sobre como vamos pagar a enorme dívida portuguesa, a Europa parece uma estátua de gelo. Espera que Ângela Merkel seja reeleita. A seguir virá o novo resgate à Grécia. A seguir olhar-se-á para as contas de Portugal. A UE colocará, então, a máscara negra na cara e transformar-se-á em "O Mascarilha", o justiceiro das pradarias do sul da Europa. A seu lado surgirá o índio Tonto, papel desempenhado pelo comissário Olli Rehn, que tem como modelo económico a Letónia. Ou seja, para Rehn a luz que deve iluminar a Europa do sul deve ser um país onde a emigração foi enorme, onde os salários foram reduzidos um terço, em que a assistência social quase não existe. Para Rehn, fiel ajudante do Mascarilha, é preciso é cortar. A Grécia fez isso com os resultados visíveis. Tornou-se um país impossível, que agora destrói as últimas florestas para criar empreendimentos turísticos. Ao fundo vislumbra-se o deserto. Aplicar isso à Espanha, e depois à Itália e à França, parece ser a política do faroeste: dispara-se primeiro e pergunta-se depois. Sobre Portugal já nem vale a pena falar. A estratégia de criação de soberanias de ficção, como dizia há dias o filósofo Jurgen Habermas no "Der Spiegel", continua a avançar a todo o vapor, perante a perplexidade dos cidadãos e o silêncio dos líderes políticos entretidos a discutir a bondade dos seus "swaps". Mascarilha e Tonto apontam a direcção. Juntos seguirão o trote do cavalo Silver rumo ao horizonte desconhecido na Letónia criado pela austeridade, com Mascarilha a gritar: "Hi-yo Silver, away"!  "

 
Fernando Sobral  
Jornal de Negócios

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Luz e sombra



Não admira que Mesquita Machado considere que "tudo o resto deve ser abstraído" porque o cónego  foi "um bracarense dos sete costados". Há determinado tipo de gente do partido socialista que nunca deveria ter nascido. Foi uma pena que nenhum dos atentados bombistas apoiados pelo cónego não tivesse atingido as pernas do Machado. Tenho uma leve desconfiança de que a opinião dele hoje seria outra.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Urbano


Tenho sempre algum pudor em adjectivar alguém que parte. No caso de Urbano Tavares Rodrigues, não há que temer o risco de sermos excessivos. O homem e o escritor.

Porcaria na ventoinha


A guerra dos suópes já fede. Desde o primeiro momento o governo decidiu abrir uma frente político-partidária como forma de  justificar dois anos de incompreensível inactividade, com a acumulação de juros insustentáveis da dívida das empresas públicas que compraram produtos tóxicos, deixou-se enredar numa teia de meias verdades, mentiras e tentativas de passa culpas, que se viraram contra si.  À conta dos suópes, já foram despachados três secretários de estado e a ministra da finanças tenta resisitir firme e hirta, somando asneira atrás de disparate,  acrescidos do facto de o demissionário Joaquim Pais Jorge ter sido uma escolha da sua confiança pessoal. Se ninguém vê um problema nisto, já não sei o que é um problema. Em desespero de causa, o governo divulgou uma história mirabolante, reproduzida por imprensa amiga, onde promove a heroi Franklim Alves, o tal que não enxergou qualquer irregularidade na sua passagem pelo BPN. Para isso, não hesitou em divulgar documentos, que a ética, se a houvesse, manteria em bom recato.
Este governo tem um problema congénito irremediável, e não se chama Maria Luís Albuquerque. O problema foi claramente identificado na carta de demissão de Vitor Gaspar, chama-se Pedro Passos Coelho. O resto são cenas lamentáveis sem quaisquer ganhos de causa, que ajudam a afundar, se isso ainda é possível, esta podre classe política.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

"Inconsistências problemáticas"




Isto faz-me lembrar uma história que a minha mãe conta muitas vezes para ilustrar a arte das mentirinhas das crianças. Era uma vez uma criança de três anos e meio que cheia de curiosidade pelo uso das tesouras, pegou numa e estraçalhou sem apelo nem agravo uma colcha de seda. A criança recusava-se a admitir a culpa. - Não fui eu, não fui eu - dizia obstinada. Então a mãe resolveu forçar a confissão recorrendo a um estratagema intimidatório. Disse-lhe a mãe, vou escrever uma carta ao menino Jesus, que vê tudo, para ele me dizer  quem foi que cortou a colcha, e depois logo se vê. A criança amuou, mas não se deu por vencida. Passados dois dias disse-lhe a mãe - olha, está aqui a carta do menino Jesus que diz que foste tu que cortaste a colcha com esta tesoura grande. Mentiroso, atirou-lhe a criança ofendida, foi com a mais pequenina.

Como se percebe, a criança era eu e desde essa altura não voltei a acreditar no menino Jesus.