Abriram-se as "algemas da historia". Será esta bela metáfora de Obama que ficará na História, juntamento com Raúl Castro, pelo reatamento das relações diplomáticas entre Cuba e os EUA. Os velhos do restelo para quem nunca nada é suficiente já se apressaram a dizer que o republicanos, mas que sim mas que também...não ficarão na história. Na relação entre os dois países, nada voltará a ser como dantes.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
A besta negra
Vivemos tempos de chumbo. Com a classe média brutalizada e empobrecida pelas medidas do governo além da troika, os valores democráticos da tolerância e de respeito pelo estado de Direito têm vindo a perder terreno para o populismo e extermismo. Na semana passada Sara Vasconcelos foi violentamente agredida por um taxista no Porto, depois de se ter despedido de uma amiga com um beijo na boca. Mas o caso que está ao rubro é o da entrevista recusada a José Socrates. A este propósito recomendo a leitura do postal do insuspeito José Manuel Correia Pinto.
A verdade é que o país está sedento de bodes expiatórios e todo o circo mediatico criado à volta deste caso, cumpre às mil maravilhas os propósitos de quem nada tem para oferecer para além do embrutecimento e revanchismo de um povo à deriva e sem perspectivas de futuro.
Temo que nada disto vá acabar bem.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
"Voando sobre um ninho de cucos"
Sobre o caso BES e a Comissão Parlamentar de Inquérito que ouviu na semana passada os ex-donos disto tudo perante uma audiência televisiva embasbacada de milhões de portugueses, escreve Tomás Vasques:
"Como se lembram, dias antes, o senhor Presidente da República, nos confins do mundo, na Coreia do Sul, tranquilizou a família, os amigos e demais interessados. Com ar circunspecto, disse: os portugueses podem confiar no Banco Espírito Santo dado que as folgas de capital são mais que suficientes para cumprir a exposição que o banco tem à parte não financeira, mesmo na situação mais adversa. Sublinho: podem confiar, mesmo na situação mais adversa.
Também o senhor primeiro-ministro, na mesma altura, garantiu aos portugueses: Não há nenhuma razão que aponte para que haja uma necessidade de intervenção do Estado num banco que tem capitais próprios sólidos, que apresenta uma margem confortável para fazer face a todas as contigências, mesmo que elas se revelem absolutamente adversas, o que não acontecerá com certeza.
Afinal, o podem confiar e o que não acontecerá aconteceu. Dias depois, facto insólito, Marques Mendes, o porta-voz disto tudo, anunciava que o BES se finara. No dia seguinte, o governador do Banco de Portugal confirmou oficialmente o óbito.
Nesta missa do sétimo dia, mereceu inusito destaque, a semana passada, a audição circense a Ricardo Salgado.
Despudoradamente intrometido, o primeiro-ministo indicou aos seus deputados o caminho para a verdade. Disse: Concentrem-se no Espírito Santo. Ora, este é exactamente o caminho oposto ao que devia ser seguido. O que está em causa é a avaliação do comportamento do poder político e do governador do Banco de Portugal neste processo desde meados de 2013 e, sobretudo, entre as declarações de Cavaco Silva e Passos Coelho e o anúncio da morte.
As razões da morte súbita do BES, no tempo e nas circunstâncias que conhecemos, ficarão eternamente por esclarecer, na medida em que o que está por detrás das cortinas só pode ser esclarecido pelo governo de Angola, pelo primeiro-ministro e ministra das Finanças e por Durão Barroso. O resto não passa de tricas no seio da família Espirito Santo sobre boa e má gestão, as quais não deviam merecer a atenção do Parlamento."
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
O país em roda livre
Diz que há uma quantidade indeterminada de agentes da Autoridade Tributária investigados por terem consutado os dados fiscais de Passos Coelho, que estarão a ser alvo de processos disciplinares. A primeira pergunta a fazer é, só AGORA é que foi dado conta de que há agentes que acedem indevidamente ao dados fiscais de DETERMINADOS contribuintes? Quer-me parecer que há uma quantidade indetermianda de agentes que das duas uma, ou são burros como uma porta e julgaram possivel consultar dados fiscais sem deixar rasto, ou estiveram durante demasiado tempo habituados à impunidade ou mesmo à cumplicidade do sistema para bufarem informação sigilosa da vida dos contribuintes. Sinceramente não sei determinar qual das duas é melhor...mas lá que esta situação é a ponta do icebergue de que este pais está em roda livre, disso não tenho dúvidas.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
All in the family
Não tenho seguido pela TV a novela das audiênções da comissão parlamentar de inquérito ao estoiro do BES/GES. Felizmente tenho outros afazeres que me impedem de estar pregada no sofá a seguir as inquirições e declarações de gente feia de fugir a sete pés. Leio hoje na impresa que ontém foi a vez do primo Pedro Queiroz Pereira que pôs a boca no trombone quando se sentiu ameçado pelo ex-DDT. Ora bem, disse PQP "eu já percebia que as coisas não corriam bem no GES há muitos anos", mas só se picou quando Ricardo Salgado se preparava para controlar a SEMAPA com a compra "às escondidas" das posições das primas, ou seja das irmãs de PQP. Ora Ricardo Salgado tinha apresentado na comissão de inquérito uma versão bem mais benigna, segundo ele teria agido como uma espécie de protector dos interesses das primas. Perante isto PQP lagou a bomba. As imãs de Ricardo Salgado, suas primas, eram obrigadas a cozinhar bolos pela noite dentro para os venderam de dia às pastelarias, sem que Ricardo Salgado se preocupasse com a sua sorte. Entramos pois no domínio da farsa. PQP pretende assim lançar o opróbio sobre o trabalho honesto de umas tias de Cascais que o mauzão do Ricardo deixaria entregues a trabalho clandestino para sobreviverem. Por mim espero que haja um argumentista e um realizador de cinema talentosos para retratar em filme o grande drama do Século XX português - ascensão e queda dos Espíritos Santos. Está lá tudo, poder, vingança, traição, ciume e amor. Se investigarem bem outros podres surgirão para alimentar o drama.
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
Eles lá se governam
Entramos em modo natalício. Hoje quando cheguei ao escritório o número de emails tinha caído drasticamente. É uma época propícia a malabarismo políticos e engodos vários, as pessoas estão fartinhas deles até aos cabelos, a temperatura desceu em todo o território para níveis próprios da época e, quem ainda pode, tenta animar-se com a perspectiva do Natal em familia. Retomam-se os almoços e jantares de natal, reuniões de amingos que só de ano a ano se reencontram, mais velhos e mais fartos da corja, sendo que a corja para muitos é o sentimento difuso de repulsa da toda a classe política no seu conjunto, eles lá se governam.
Assim parece. Escritório ligado a Marques Mendes tratou de um em cada tês casos de vistos "gold". O Escritório Abreu Advogados, de que Marques Mendes é consultor desde 2012, patrocinou 200 processos de pedidos de autorização de residência em Portugal. Esta notícia que foi publicada a 5/12 pelo site do Diário de Notícias, foi apagada no mesmo dia. Felizmente que hoje em dia é muito difiil retirar da net qualquer notícia. Ela aqui está recuperada . A pergunta que se impõe é a de saber porque razão o DN a retirou.
Eles lá se governam...
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
O estado de Citius
Continuamos em estado de Cituis. Como diz Mouraz Lopes ao Diário Económico:
"Três meses após o colapso do Citius, ainda há problemas nos tribunais?
- Infelizmente, muitos. Essa é a parte negra. A reforma, na prática começou apenas há um mês e tal e ainda há muitos processos por distribuir, muitos processos para arrumar. Há vários pequenos erros de distribuição que, multiplicados por muitos tribunais, dá muitos problemas. Há o problema das instalações: temos situações graves, como Loures, Vila Franca de Xira, Beja, Setubal, Covilhã, Faro, Oliveira de Azemeis ou Porto. Estes tribunais não têm condições físicas para a reforma judiciária que foi criada.
- Não há condições para fazer a reforma?
- A reforma tinha de ter um suporte económico e de recursos humanos suficientes. Há um problema gravíssimo. Só não viu quem não quis. A falta de funcionários não permite fazer a reforma. Há muitos tribunais que não têm funcionários e isto é dramático. As coisas não estão a funcionar como deviam. É preciso ver o que está mal e corrigir rapidamente.
- Corrigir como?
- É necessário desbloquear rapidamente a verba para o concurso de funcionários. Não podemos gastar mais tempo. Ou há dinheiro para as coisas serem feitas ou vale mais a pena não fazer. Quem vai apanhar com os estilhaços é quem está nos tribunais e os cidadãos. Passaram três meses e nós continuamos sem saber o que aconteceu com o Citius..."
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
A galinha dos ovos de ouro
O negócio da Saúde está bem e recomenda-se. O primeiro-ministro na inauguração de um novo hospital privado em Vila do Conde, disse sem se rir que o seu governo "salvou" o SNS, ao mesmo tempo que assegurou o mercado que pode contar com o incentivo activo das políticas do governo. Na sua atabalhoada forma de comunicação, tropeçando constantemente nas palavras, Passos Coelho foi no entanto claro quando anunciou que a sua intenção é privatizar todo o sistema de Saúde. Na ótica do governo o que será desejável é o Estado deixar de ter directamente encargos com a a saude, deixando ao cidadão a "liberdade" de escolha, reservando ao Estado o papel de financiador dos Hospitais Privados. Disse ele " seria na mesma o Estado a garantir atravéz dos impostos, o acesso aos cuidados, mas não tendo encargos fixos", para logo a seguir acrescentar "o que nos impede é termos investido durante muitos anos em equipamentos e serviços de saúde, mas devemos criar progressivamente condições para que essa liberdade se possa materializar".
No conjunto da UE, os portugueses são os cidadãos que mais dinheiro do seu bolso gastam com a saúde. Depois do cheque ensino em que o Estado financia as escolas privadas com o dinheiro dos nossos impostos, a saúde será o passo seguinte. Se os deixarmos.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
Stocks de incompetência
O impeniente Primeiro Ministro saiu-se ontém em Castelo Branco com mais um das suas tiradas que ficariam na história do anedotário nacional caso a personagem tivesse dignidade suficente para vir a ficar na História. Depois de ter andado a apregoar que o país tinha licenciados a mais e a mandá-los emigrar, depois de ter reduzido a cinzas os programas de qualificação e formação de adultos, Passos Coelho teceu considerações sobre o "problema de stock acumulado que trazemos todos às nossas costas", referindo-se às gerações menos qualificadas. Quem lhe atirasse com um stock de panos encharcados às trombas ainda era pouco. O Primeiro-Ministro assemelha-se a um atirador furtivo, que depois de ter feito implodir o sistema de ensino, empobrecido o país e as famílias, atira irresponsávelmente a tudo o que mexe sem qualquer coerência nas políticas que propõe. Tudo não passa de sound bits para encher telejornais até às eleições.
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
O estranho caso dos jogos da RTP
Isto há coisas do arco da velha. Entranhei que a RTP tivesse disponibilidades financeiras para concorrer com as tv's privadas aos direitos televisivos da Liga dos Campeões, tendo mesmo coberto a oferta da TVI. Cheirou-me a esturro. A actual maioria desde o ínicio do seu mandato manifestou vontade política de privatizar a RTP, tendo o ex-ministro Miguel Relvas tendo feito desse propósito um cavalo de batalha da sua acção política, argumentado que o dinheiro dos contribuintes não podia ser utilizado para pagar desvarios, como é que era possivel vir agora a administração fazer um negócio milionário? Então não é que agora o Conselho Geral Independete , ou seja o governo por interposta pessoa, vem dizer que não aprova o plano estratégico, que não soube de nada e prepara-se para correr com a Administração? Poiares Maduro já disse que não tenciona assinar o contrato de concessão de serviço público com o actual conselho de administração. A crer no desfecho inevitável a corda esticou para o lado da Ponte. O Governo, ai desculpem, o CGI, prepara com todos os matadores o ano eleitoral que se avizinha...
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
domingo, 30 de novembro de 2014
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Anibalidades
Diz que sua Anibalidade recomendou aos investidores dos Emirados Árabes Unidos que investissem em Portugal garantindo que, tal como num conto das mil e uma noites, aqui encontrarão tudo aquilo com sonham os árabes: Sol, mulheres bonitas e cavalos, não necessáriamente por esta ordem.
Se isto fosse um país normal, decente, com um mínimo de orgulho de si próprio e com cidadania activa, sua Anibalidade já teria apresentado a renuncia ao cargo que tão mal exerce. Mas somos isto se vê e sabe e tudo continua nesta apagada e vil tristeza em estado de pesadelo.
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Pão e circo
"O país tem sido alvo de um conjunto de terramotos. Este caso [Sócrates] é o mais mediático e o mais emocionate para o país. Mas o caso mais preocupante para o futuro das instituições é o dos vistos gold. Esta ideia de, pela primeira vez, haver um processo que vai ao coração da administração do Estado, preocupa-me mais".
Entretanto quatro meses depois da detenção para interrogatório o mesmo Juiz Carlos Alexandre enviou duzentos inspectores da PJ realizar buscas na casa e escritório de Ricardo Salgado que pagou uma caução milionária para não ficar em prisão preventiva. Isto seria cómico se não fosse trágico.
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
O Processo (1)
Mário Soares, figura tutelar do regime democrático, pai fundador do Partido Socialista, visitou hoje José Socrates na prisão de Évora. O velho combatente, à beira de cumprir 90 anos, não deixa os seus créditos por mãos alheias. Um homem com H grande, vertical, concorde-se ou discorde-se do que diz.
Entretanto parece que já ficaram pelo caminho as suspeitas de tráfico de influência... O Ministério Público diz que temeu que José Sócrates, depois de ter regressado de Paris para se entregar à Justiça, destruisse provas. Ora bem, depois das buscas que foram feitas à residência de JS que provas é que haverá susceptíveis de serem destruídas? A exemplo de outros casos lamentáveis, prende-se primeiro um ex-primeiro ministro e só depois se averigua? Pena o Banco de Portugal não ter seguido o mesmo método, se não tivesse deixado Ricardo Salgado à solta na Administração do BES o banco não teria estoirado nas ventas dos portugueses. E já agora, para Ricardo Salgado não há o perigo de destruição de provas? ou o pagamento de uma indemnização milionária "paga" as provas que forem eventualmente destruídas"
terça-feira, 25 de novembro de 2014
O estupor
Com o circo mediatico montado desde a manga do avião que transportou José Sócrates de Paris, as TVs informadas a cobrirem o acontecimento, era óbvio que as medidas de coação já estavam pré-determinadas. O circo mais não fez do que preparar a opinião pública para a inevitabilidade da prisão preventiva, devido a perigo de perturbação de inquérito.
Portugal vive um momento particularmente delicado, diz Francisco Seixas da Costa num artigo intitulado "Reputação": "Se, apesar do efeito reputacional destes eventos, o país não se afundar perante o mundo, só uma conclusão é legitimo tirar: já não somos nós que nos sustentamos perante o mundo, é apenas a nossa irrelevância no jogo global que nem sequer nos permite sermos sujeitos da nossa própria crise. Porventura é melhor assim."
Para o PS chegou o momento de arrumar a casa com discernimento, clarividência e determinação. Diz Pedro Lains , não se pode defender publicamente o ex-primeiro ministro e querer promover a eleição de António Costa.
Está em causa a defesa do País, do regime democrático e do Partido Socialista.
domingo, 23 de novembro de 2014
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Affaire Lello
Já dizia a minha avó, quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga.
José Sócrates, o tão mal tratado ex-Primeiro Ministro, acabou em 2005 com as subvenção vitalícias a antigos detendores de cargos políticos, sem efeitos retroactivos, ou seja, quem já tinha, manteve, acabando para o futuro com esta subvenção. Uma vez que a poeira acabou de assentar e o bom senso voltou às galerias de S. Bento, é preciso ser dito que não era a alteração esta resolução que esteve em causa durante todo o dia de ontém. O que esteve em causa foi a elementar falta de bom senso dos lellos deste mundo, foi o autismo técnico de argumentos de gente que surpreendeu pela falta de sensibilidade política. Foi triste.
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
No país dos lentes
É um pouco caricato assistir ao grande o coro embriagado de elogios, à esquerda e à direita do especto político, ao notável CV da nova Ministra da Administração Interna. Naturalmente que ter um curriculum de Lente de Coimbra, não será uma desvantagem, mas constituirá uma vantagem? Ao que parece a senhora do alto das suas competências académicas, não possui o essencial: nem peso político nem perfil técnico para a pasta da Administração Interna. Quanto a eventuais qualidades políticas, duvido que tenha tempo de as revelar. A verdade é que não se percebe o que leva uma académica a integrar um governo moribundo pelo periodo de 10 meses...! O que é estranho é a oposição não dizer o óbvio, tendo até o BE "elogiado" o facto da nova titular da pasta ser "mulher". E se fossem levar com um pano encharcado nas trombas? E, para quem não tenha memória curta, lembram-se do coro embascado de elogios ao CV de Poiares Maduro, que até veio de Florença, selo de garantia de qualidades académicas, por comparaçãpo com o defunto Relvas ? Somos assim, tristemente embasbacados com os Lentes de Coimbra...
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