terça-feira, 10 de agosto de 2010

Loirices (2)




Não me perguntem porquê, não sei explicar, a verdade é que ao ler isto a primeira reacção que tive foi assobiar a musica de Burt Bacharat  What New Pussycat, cantada pelo jovem Tom Jones nesta brilhante e hilariante comédia dos anos sessenta. A canção teve um êxito retumbante e foi mesmo candidata ao óscar de melhor canção original. Teve graça, porque eu já nem me lembrava que os  jovens Woody Allen, Ursula Andress, Françoise Hardy, integravam o luxuoso elenco de actores de boa memória como Peter O'Toole , Peter Sellers, Romy Sshneider, Capucine... 



Vai um Mojito?

 
A coisa tem a sua ciência, ora vejam...

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Mas que calor!

 
Castelo de  Muskau  Alemanha

Inferno de fogo e calor na Rússia, o diluvio na Europa Central.. estou aqui em cogitações profundas sobre os efeitos do  aquecimento global,  e a chamar-me burra por estar sempre a adiar a compra de um aparelho de ar condicionado, já não tenho idade para este calor...é o costume, só nos lembramos de Santa  Bárbara quando troveja.

À segunda, segundo Saramago (1)


Foto de Sebastião Salgado

..."Aliás, seria inútil porque o elefante já se aproximava. Subhro fê-lo deter-se diante do homem que se encontrava no extremo direito da primeira fila e disse em voz clara, A mão estendida, a palma para cima. O homem fez o que lhe ordenaram, a mão ali estava, firme na aparência. Então o elefante pousou sobre a mão aberta a extremidade da tromba e o homem respondeu ao gesto instintivamente, apertando-a como se fosse a mão de uma pessoa, ao mesmo tempo que tentava dominar a contracção que se lhe estava a formar na garganta e que poderia, se deixada à solta, terminar e, lágrimas. Tremia dos pés à cabeça, enquanto subhro, lá de cima, o olhava com simpatia.
.....
Em compensação, houve momentos de vivíssima emoção, como foi o caso daquele homem que explodiu num choro convulsivo como se tivesse reencontrado um ser querido de quem havia muitos anos não tinha notícias. A este tratou-o o elefante com particular complacência. Passou-lhe a tromba pelos ombros e pela cabeça em carícias que quase pareciam humanas, tal eram a suavidade e a ternura que delas se desprendiam no menor movimento. Pela primeira vez na história da humanidade, um animal despediu-se, em sentido próprio, de alguns seres humanos"....

(José Saramago - A Viagem do Elefante)


Yo-Yo Ma - Bach- Preludio da suite  nº 1

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Blogando (1)

José Simões, num brilhante post como é seu timbre, chama a atenção para esta inenarrável barbaridade. Mas o melhor é verem o post completo aqui.. Há lá pano para mangas.

Solilóquios (7)

 


Estou aqui com os meus botões a ruminar nisto... patáti patátá.......mas o que será...?

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Loucos à solta

Os números são assustadores. Neste jardim à beira mar plantado, só este ano, vinte e três mulheres morreram vítimas de violência doméstica, uma mulher por semana até à data de hoje. Este é um ranking nojento onde   Portugal, infelizmente, consta  nas primeiras posições da União Europeia.

"Porque razão, depois de disparar sobre a mulher, veio para o patamar fumar um cigarro?"
Esta pergunta, feita pela advogada de acusação, no decorrer do julgamento de um homem (?) de 28 anos, que matou a sua mulher a sangue-frio, há quase dois anos, é uma pergunta que revela, nela só, toda a estupefacção, o espanto, mas também a raiva contra a impotência que todos devemos sentir, pelo facto de nada podermos fazer antes. Os assassinos, os agressores, os maltratantes, os violadores, os pedófilos, esses, têm a possibilidade e o prazer de... fumar um cigarro, depois!"

Periodicamente, como um pêndulo, lá vêm estas desgraçadas notícias, como se uma fatalidade se tratasse.

 E preciso denunciar! é preciso dizer BASTA!

Marilyn...

1/06/1926 - 5/08/1962

Foi há 48 anos, que segundo a versão oficial, ela ingeriu uma dose excessiva de barbitúricos...


Cena do filme "Some Like it Hot" (1959) de  Billy Wilder

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Solilóquios (6)

Numa arca dos congelados do supermercado reparo que foi deixada uma embalagem da charcutaria com um frango assado. Valor 2,35 euros. Apertou-se-me o estômago. Mas que grande merda.

Momento de poesia...

POIS

O respeitoso membro de azevedo e silva
nunca perpenetrou nas intenções de elisa
que eram as melhores. Assim tudo ficou
em balbúrdias de língua cabriolas de mão.

Assim tudo ficou até que não.

Azevedo e silva ao volante do mini
vê a elisa a ultrapassá-lo alguns anos depois
e pensa pensa com os seus travões
Ah cabra eram tão puras as minhas intenções
E a elisa passa rindo dentadura aos clarões.


(Entre a cortina e a vidraça - 1972)
Alexandre O'Neill, Poesias Completas, Assírio & Alvim, Lisboa, 2000

A Maior Flor do Mundo (1)



“Quem sabe se um dia virei a ler esta história, escrita por ti que me lês, mas muito mais bonita?”

(José Saramago)



As palavras são como as cerejas. Este repto do Rogério  na sequência disto constitui para mim uma grande motivação. Esta é a primeira história desta série -  "A Maior Flor do Mundo" - recontada pelas crianças, retirada daqui. Conta-nos uma história de Amizade, essa coisa aparentemente tão fácil, mas na realidade cada vez mais difícil de encontrar e cultivar. 

"Numa aldeia, uma aldeia chamada Aldeia do Pico, situada no pico da montanha, morava um rapaz. Esse rapaz era muito aventureiro, adorava andar por aí a descobrir novas coisas e novos “mundos”.

Numa bela tarde de Verão, estava o menino numa das suas aventuras, quando deu conta que estava perdido. Mas nada o fez parar. Ele continuou e seguiu o seu instinto. Andou, andou, andou e, finalmente, estava no cimo da montanha mais alta de toda a aldeia do Pico. Mas a visão dele não era muito entusiasmante. Apenas conseguia ver um vasto e deserto campo, nada mais, nada menos. Apenas havia um pequeno, e quase insignificante, sinal de vida. Era uma pequena, feia e murcha flor. Mas o menino tinha muita pena dela. Tentou ir buscar água, mas nada feito. Onde é que num campo tão seco, tão vasto, situado no pico da montanha, se poderia encontrar água?

Ele tentou ajudá-la o mais que podia. Tapou-a do quente e forte sol de Verão, que banhava a Aldeia do Pico, tentou protegê-la de tudo e de todos. Afastou as ratazanas que andavam a roer o seu caule e os grandes enxames que vinham para roubar o seu pouco pólen. Mas estava a anoitecer. O pobre rapaz estava cansado e sem forças. Até que adormeceu.

O dia tinha chegado. Ouvia-se o rouxinol que todos os dias cantava ao pé do quarto do rapaz, ouvia-se o antigo relógio de pêndulo que estava pendurado na parede dele, sempre no seu barulho “tic, tac, tic, tac…”.

– Bom! – o rapaz acordou disparado da cama. Ele nem sabia se estava a sonhar ou não. Estava sentado, na sua bela e fofa cama, com o seu adorado e antigo relógio de pêndulo e com o seu amigo rouxinol com sua bela e bonita voz. Mas o que o surpreendia mais nem era tudo isto. Mesmo em cima da sua mesa-de-cabeceira estava, num grande vaso, a flor que vira no dia anterior. Mas não parecia a mesma flor. Era bonita, com fortes e bonitas cores. O rapaz estava feliz.

Esta sim era a maior flor do mundo. Não em tamanho, mas sim em amizade.

Esta é a minha história. Foi assim que eu a contei. E é desta maneira que se faz uma história com palavras mais simples, e mais bonitas (segundo o escritor).

Benedita Sá e Cunha

4º Ano B

Colégio Sagrado Coração de Maria, Lisboa

Setembro de 2009"

Jazz em Agosto

Esta é uma das razões porque gosto de estar por cá em Agosto, sexta-feira lá estarei.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

José Saramago



Sigo o bom exemplo do Carlos que deu sequência a esta iniciativa do Rogério, de homenagear José Saramago, difundindo este texto . O objectivo é vencer o silenciamento e a omissão que se instalou em Portugal depois da morte do nosso Nobel, e alertar as consciências contra as as inexplicáveis atitudes do mais retrógrado provincianismo grunho. Aqui deixo o meu contributo que espero se enquadre nos propósitos da iniciativa.