Mostrar mensagens com a etiqueta Agustina Bessa Luís. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Agustina Bessa Luís. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Leituras

 Vieira da Silva, L'Issue Lumineuse, 1983-86


"Longos dias têm cem anos". Assim me diziam quando se tratava de protelar um assunto, de o fazer amadurecer na lânguida separação inadiável. E os longos dias passavam, carregado de justo sentimento pelas coisas que devíamos fazer de maneira lesta e durável. Às vezes, não se faziam nunca. Outros planos, mudanças, resistências, vazios súbitos do coração, que é quem nos comanda o trabalho e a fantasia. "Longos dias têm cem anos". Era uma admoestação e uma ironia para o preguiçoso inveterado que num século acha tempo adequado para os seus projectos e a combinação laboriosa que os acabe.

Agustina Bessa Luís, in Longos Dias Têm Cem Anos  Presença de Vieira da Silva

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Martha Telles

 
Le Cadeau, Martha Telles, 1980, Col. Centro de Arte Moderna da F.C. Gulbenkian

"A filha de Martha nasceu aí,[Santa Marta de Penaguião] e ela tinha dezasseis anos. Os partos eram caseiros nesse tempo, e um médico bisonho e leal segurava a mão da mãe em perspectiva, dando-lhe alento sem deixar que ela abusasse dos mimos; porque o parto queria-se austero e não caprichoso."

"Nada é mais humilhante do que ter de pagar demais por falta de suficiente."

Agustina Bessa Luís, in Martha Telles - O castelo onde irás e não voltarás