"Gaspar foi a Berlim receber o que
lhe é impossível obter em Lisboa: mimo e apoio. Isso já não lhe dão os
seus pares – dos ministros do PSD aos do CDS, já para não falar no
deputado candidato a Gaia e anti-magrebinos, Carlos Abreu Amorim. O
nosso desastre colectivo é que Vítor Gaspar será um excelente embaixador
alemão em Lisboa – e quando vai à capital do império, Berlim, é
recebido com honras de dignitário competente para as funções em que foi
investido –, mas não é um ministro português das Finanças."
Entretanto temos o relato de um Conselho de Estado que pretendia servir para Cavaco amarrar as forças vivas da Nação às políticas do seu governo. Saiu-lhe o tiro pela culatra.
"Jorge Sampaio foi o líder da “revolta” que opôs uma parte do Conselho
de Estado ao Presidente da República a propósito do comunicado final.
Quando Sampaio percebeu que Cavaco Silva tinha um texto pronto que não correspondia ao que, de facto, se tinha passado durante a reunião,
protestou com alguma fúria perante o seu sucessor no cargo.
Ao
lado de Jorge Sampaio, estiveram Manuel Alegre e António José Seguro,
secretário-geral do PS. Ao que o i apurou, o antecessor de Cavaco na
cadeira principal do Conselho de Estado levantou a voz contra o seu
sucessor: não era aceitável que um comunicado final não reproduzisse
minimamente o que se tinha passado na reunião. "
