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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A nave do louco


Durante o consulado de Victor de Gaspar, PPC lá conseguiu passar aideia de que o terrorista social era o seu ex-ministro das finanças. Com a carta de demissão de Gaspar tudo ficou mais claro. PPC, o incompetente, tem de si a imagem do predestinado que sabe o que é bom para os portugueses. Porradinha e muito fomeca para enrijar.

[...] " saúde mental de PPC preocupou-me pela primeira vez (até aí confesso que também atribuía tudo à falta de inteligência e oportunismo) quando, em plea crise após a demissão de Portas, PPC disse: "Não me demito. Não abandono o meu país" Na altura, alguns patetas de serviço vieram falar de patriotismo, mas eu senti um calafrio na espinha. O que eu vi foi um homem que sova metodicamente a mulher mas que não lhe dá o ivórcio porque a "ama muito". Quer edicá-la, quer que ela seja como ele acha que ela deve ser. Na sua opinião, ela não se porta bem e ele quer pô-la nos eixos, "porque a ama muito". Nem sequer tem grande opinião dela, admira é as louraças nórdicas, ela é morena e baixinha, mas com ela ele sente-se poderoso, ela está mais "ao sei nível". Ela é ambivalente, como geralmente acontece nestes casos: quer deixá-lo, mas ao mesmo tempo interiorizou a culpa com que ele a castiga. Ele tanto diz que no futuro vai ser diferente, como a ameaça com mais porrada caso ela riposte. Não a liberta, mas também não a ouve, não a respeita. Ele é que sabe o que é bom para ela.[...]"

Comentário de Bone a este post de FNV no Declínio e Queda.


domingo, 8 de setembro de 2013

(In)Seguro



"O secretário-geral do PS joga pelo seguro e aposta em mínimos para as autárquicas: um voto a mais já será uma vitória. Num sufrágio com mais de 4500 eleições distintas, esse voto a mais pode vir de uma freguesia recôndita com escassas dezenas de eleitores e apagará, segundo a aritmética política de António José Seguro, a perda de câmaras como, por exemplo a de Évora ou Braga.
Um critério tão defensivo não se estranharia num partido em declínio de popularidade por força da sua acçao no Governo, mas é revelador de fraqueza e falta de confiança vindo do partido da oposição que quer chegar ao poder dentro de dois anos. E que concorre em condições de vantagem absolutamente excepcionais, num país empobrecido e massacrado por políticas de austeridade levadas a cabo pelo seu principal adversário.
Contudo, para um chefe partidário poder invocar a especificidade destas eleições ou escapar ileso a uma eventual derrota, teria de reconhecer essa especificidade desde a primeira horas, o que implicava abster-se de apelos aos eleitores para que castiguem o Governo numa votação a que este não concorre. Pelo contrário, Seguro pede o julgamento do Executivo, sendo por isso natural que também seja julgado. Mesmo no caso de ganhar por um voto mas ficar com menos câmaras do que o PSD, pois aquilo a que decidiu chamar vitória corresponderá, de facto, a uma derrota política."

Fernando Madrinha, Um voto não basta, Expresso


domingo, 30 de junho de 2013

Quem má cama faz, nela se deita...



" Mas o mais importante desta greve foi as incompreensões com que contou. A Confederação do Comércio disse que a compreendia. A da Indústria que o Governo empurrou os sindicatos para ela. A da Agricultura disse que havia mais do que motivos para a indignação dos trabalhadores. A UGT endureceu o seu discurso. E até ouvi um deputado do PSD a defender, na televisão, que o executivo deveria aproveitar a greve para mostrar à troika que a estabilidade social será impossível de manter. O que esta greve revela, quando é feita num momento tão difícil para a levar à prática, é o extraordinário isolamento de um primeiro-ministro, sem paralelo na nossa história recente. Como vimos com Nuno Crato, o Governo ainda não percebeu muito bem como é frágil a sua situação. E muitos acreditam que a paz podre se manterá, por medo, desesperança ou falta de alternativas. Acho que estão enganados. Não serão as autárquicas ou o CDS, como imagina o mundo político e mediático, a mudar tudo. Será um qualquer erro de cálculo, ão fácil de acontecer a quem já não tem amigos que lhe chamem à razão. Basta uma nova TSU ou um novo "caso Relvas" e este Governo, preso por arames, não se aguentará."

Excerto do texto de Daniel Oliveira, "A Solidão de Passos", no Expresso

domingo, 27 de janeiro de 2013

"Regressar à casa de partida"

"Dois anos passados, não deixa de ser paradoxal que regressemos aos mercados em condições próximas das do PEC 4, mas  numa situação económica e social bem mais degradada. [...] Com um inaceitável legado de destruição económica e de barbárie social (é disso que falamos quando se assiste à destruição em massa de postos de trabalho), a Europa criou as condições de viabilidade financeira de curto prazo para a sua própria estratégia. Regressamos à casa de partida, mas acompanhados de uma enorme alteração dos equilíbrios de poder, que tem um efeito positivo na capacidade de financiamento dos países  Antes a condicionalidade era negociada com a troika (FMI, Comissão BCE), no futuro passará a depender, cada vez mais, do BCE. Um novo monarca absoluto na política europeia, que centraliza as decisões e imporá condições passando a deter o monopólio da violência económica e social. Que a estrutura do poder se altere de forma tão profunda e ninguém cuide de garantir níveis mínimos de legitimidade é elucidativo do desvario político que impera na Europa."

Excerto do texto de Pedro Adão e Silva, no Expresso

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Sinal dos tempos...

Joan Miró "Carnival of Arlequin"

"Uma deputada do PS foi detida ao volante com o dobro da taxa de alcoolemia a partir da qual a lei considera crime conduzir. É grave. Um deputado tem de dar o exemplo. E um ministro ainda mais. Nos tempos que vivemos as luxuosas férias brasileiras de Miguel Relvas com os seus amigos Dias Loureiro e José Luis Arnault dizem tudo sobre o novo-riquismo e a falta de senso político".

Fernando Madrinha, Expresso.


Não é só falta de senso político, esta é a classe política mais arrivista, ignorante e com um enorme desprezo pela sorte dos portugueses que o país conheceu ao longo da sua história recente. E o mais grave é que as pessoas estão de tal forma exauridas que já nem reagem. Todos quanto directa ou indirectamente ajudaram esta gente a chegar ao poder, deveriam ser os únicos a sofrer as consequências das suas acções. Infelizmente pagamos todos.

domingo, 4 de novembro de 2012

O que já não se aguenta...




"O BPI e o Santander/Totta apresentaram contas. Até setembro, o BPI lucrou €117 milhões (mais 15% do que em 2011) e o Santander/Totta mais de € 230 milhões, quase quadruplicando os resultados do mesmo período do ano passo. Haja crise ou não haja, a banca ganha sempre e muito, embora a economia definhe com o crédito impossível. 

Talvez entusiasmado com as perspectivas oferecidas pela austeridade, Fernando Ulrich, presidente do BPI, responde à pergunta "o pais aguenta mais austeridade"" com um decidido "ai aguenta, aguenta!" E observa que os gregos ainda "estão vivos". 
É bom saber que os bancos oferecem lucros chorudos aos accionistas e os correspondentes prémios aos esforçados gestores.  E é bom saber que há gestores como Fernando Ulrich, com essa sensibilidade e elegância para com os portugueses, muitos deles seus clientes, que ainda estão vivos."

Fernando Madrinha, "Ai aguenta, aguenta", no Expresso


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Refundidos...


"Posso compreender que é difícil equilibrar orçamentos do Estado, mas há limites à dignidade humana. Será que algum governante já tentou viver com o que pensar pagar-se num mês de subsídio mínimo de desemprego? E ainda pensa reduzi-lo? O que pensa um governante quando olha ao espelho e diz em voz alta que vai pagar esse valor em subsídio?"

Sabem os meus amigos quem foi o autor de tão arrojada escrita de pendor subversivo, este perigoso esquerdista? Pois trata-se nem mais nem menos  do que João Duque na sua coluna "Confusion de Confusiones" no Caderno de Economia do Expresso. 
Chegados a este ponto, quando destacados membros da elite que ajudou Passos Coelho e tutti quanti a chegar ao poder, sentem repulsa e necessidade de se demarcar claramente da política de traição praticada por fanáticos, irresponsáveis mentirosos incapazes de lidar com a realidade, quando o Presidente da República se mantém num pesado silêncio desistindo de ser o porta-voz do povo que sofre, não restam dúvidas de que já fomos engolidos pelo abismo.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Regresso ao futuro


"As contas foram mal feitas, os dossiês mal estudados, a estratégia mal escolhida. Mas o Governo vai prosseguir no mesmo caminho, porque o que eles nunca reconhecerão é que as suas ideias estão erradas: só funcionam em laboratórios onde se cozinham os MBA.
Presumivelmente, o Governo irá assim tornar definitivo o que era excepcional (como os cortes no 13º e 14º mês); irá aumentar a receita fiscal, subindo ainda mais os impostos, [...] Vai consumar o crime antipatriótico de privatizar a TAP (e, para mais, a preço de saldo), vai vender a água, os aeroportos, tudo o que mexer. E vai privatizar um canal da RTP, apenas porque o ministro Relves quer e não tem de ar satisfações a ninguém, embora já toda a gente lhe tenha explicado que vai ser um desastre para todos."

Miguel Sousa Tavares, À Espera do Milagre, Expresso

quinta-feira, 29 de março de 2012

Tenham medo, tenham muito medo


"Não nos enganemos quanto ao último destinatário dos soezes ataques que têm vindo a ser dirigidos ao executivo anterior - destinam-se a todo o PS, não apenas a um PS passado; atacando Sócrates, pretende-se condicionar António José Seguro. Essa tentativa de condicionamento é, aliás, muito perigosa, já que aponta para o nível radical da própria legitimidade de um discurso político oposicionista e dotado de uma verdadeira dimensão alternativa. A direita, a orgânica e a inorgânica, sabe que o assassinato póstumo do antigo primeiro-ministro, se devidamente consumado, teria sempre o efeito de desvitalizar o actual secretário-geral do PS, que ficaria condenado a sobreviver num permanente estado de paralisia política. Não cultivemos ilusões ingénuas: para a direita, neste momento, não há socialistas inocentes"

Francisco Assis "Um fantasma paira sobre a vida pública portuguesa - chama-se José Sócrates"


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Em modo Xerife

[…]
"A novidade nos mais recentes indicadores da OCDE é que a Irlanda e a Grécia registam uma retoma gradual, enquanto os indicadores portugueses se mantêm em queda permanente. Deve ser pelo facto de Portugal ser mais troikista que a “troika”, no que aliás o Governo tem muito orgulho. E é assim que Portugal é a ovelha negra de uma zona euro que vai apresentando sinais de moderação na deterioração da actividade económica. Portugal não. É sempre a descer, rapidamente e em força, a sacrificar e a castigar o povo.
Pelo que Portugal, na acelerada marcha atrás que empreendeu na economia e na sociedade, descobriu talvez as vantagens do “orgulhosamente sós” correndo para o abismo “rapidamente e em força”. De facto, alguma coisa criou mofo e cheira a decadência em tudo isto. E a política de marcha forçada para a miséria vem acompanhada de crescentes manifestações de intolerância, de rabugice, e de autoritarismo. A questão da tolerância de ponto no Carnaval – a lembrar o pior do cavaquismo – é a prepotência sem qualquer razão económica. É uma decisão tão burra – na obstinação e na asneira – como a constante destruição do mercado interno. Não faz mal, carrega-se nos impostos. Já o Shérif de Nottingham não tinha ciência nem imaginação para mais."

João Paulo Guerra, Coluna Vertebral, Diário Económico
sublinhados meus