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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Ou eles, ou nós!



"Que fazer, perguntava Lenine. Deitemos fora as respostas de Lenine, outro iluminado dos amanhãs que sabemos bem como cantaram, fiquemos com a pergunta. Tem de haver qualquer coisa que se possa fazer, em democracia, quando a democracia é sequestrada - sob pena de não ser democracia. Tem de haver qualquer coisa que se possa dizer para acordar os que, dormentes, assistem a isto como se não pudesse ser verdade.Não, não é a gritar fascismo, nem nazismo, nem que está toda a gente a morrer de fome ou a suicidar-se aos magotes. Não, não é de buíças que precisamos, sequer da memória deles. Nem de hipérboles, tiradas piedosas ou indignações espúrias. Precisamos de fúria.Não promessas sem osso, não estratégias para ganhar tempo. Não temos tempo - tenhamos o que nos resta, se nos restar coragem."

Fernanda Cãncio, Das fúrias forças 

 

domingo, 17 de março de 2013

Correr com eles



"A austeridade é uma decisão política, não uma inevitabilidade financeira. Se dúvidas sobrassem, torna-se evidente agora como a lengalenga messiânica de Vitor Gaspar não tem ligação com a realidade. Todas as previsões do ministro, baseadas numa fé matemática de que o ajustamento traria, automaticamente, crescimento, falharam. Se a política fosse ainda um lugar sério, Gaspar abandonaria o Governo. 
[...]
Passos Coelho não se pode queixar por não lhe terem sido dadas alternativas: foram. Não por António José Seguro, mas pela tal sociedade civil de que tanto fala - que não se cansou de sugerir caminhos que não questionavam a necessidade de corrigir os desequilíbrios externos. Não quis ouvi-la nem abrandar a voragem de Gaspar. Agora terá de sobreviver à fúria popular."

Excertos do texto de Martin Avillez Figueiredo, "Demita-se, Obviamente", no Expresso.