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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Pois, é Natal

No talho de uma grande superfície de Oeiras, o sensor da máquina de senhas para o atendimento não faz justiça ao nome. Chega uma mulher, pressiona e nada, volta a pressionar, nada. Tento ajudar,  digo-lhe, tem de carregar com mais força. A mulher olha-me com maus modos, carrega com força, retira a ambicionada senha, vira-me as costas e num gesto desabrido diz para o homem – olha, tem de se carregar com mais força!
Os tempos não estão para grandes salamaleques...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Solilóquios (13)

Entramos no frenesim dos jantares de Natal. Esta noite foi o da empresa. Discursos de treta, falas mansas, sorrisos de circunstância.  Estou a chorar de barriga cheia. Devia estar calada que a vida está pela hora da morte para milhares de portugueses sem trabalho.

sábado, 11 de setembro de 2010

Sábado à tarde



Fui ao Museu de Arte Antiga ver as Tapeçarias de Pastrana. De adiar em adiar, entre os períodos de férias e os fins de semana na praia, hoje meti-me ao caminho, convencida que amanhã era o ultimo dia da exposição. Afinal, boas notícias para quem ainda não viu, a exposição prolonga-se até ao próximo dia 3 de Outubro. Mas não é das tapeçarias que venho falar, não tenho nem o engenho nem a arte para tratar de tão delicado tema. Uma boleia  deixou-me  à porta do Museu. No regresso, dirigi-me à estação de Santos para apanhar o comboio para Oeiras. Primeira contrariedade, não há bilheteira, agora é tudo por meio da máquina de bilhetes colocada no exterior da estação. O que vale é que há sempre uma alma caridosa pronta a ajudar uma cota da Linha.
Em Santos éramos quatro à espera do comboio, eu, uma brasileira que não se calava ao telemóvel, um jovem negro em tronco nu bem torneado, óculos escuros, cabelo espetado, headphones,  e uma jovem de corpo  franzino na casa dos vinte anos, cabelos castanhos escorridos, headphones,  grandes tatuagens no braço e ante-braço, longas unhas pintadas de encarnado e chinelos. O comboio parava em todas as estações, entre Santos e Oeiras embarcaram ucranianos, chineses, brasileiros e um grupo de negros ao estilo yah meu. Dos tradicionais portugueses de antanho nem vê-los, agora andam  todos de pópó.

Fausto - Por este Rio acima