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domingo, 27 de janeiro de 2013

"Regressar à casa de partida"

"Dois anos passados, não deixa de ser paradoxal que regressemos aos mercados em condições próximas das do PEC 4, mas  numa situação económica e social bem mais degradada. [...] Com um inaceitável legado de destruição económica e de barbárie social (é disso que falamos quando se assiste à destruição em massa de postos de trabalho), a Europa criou as condições de viabilidade financeira de curto prazo para a sua própria estratégia. Regressamos à casa de partida, mas acompanhados de uma enorme alteração dos equilíbrios de poder, que tem um efeito positivo na capacidade de financiamento dos países  Antes a condicionalidade era negociada com a troika (FMI, Comissão BCE), no futuro passará a depender, cada vez mais, do BCE. Um novo monarca absoluto na política europeia, que centraliza as decisões e imporá condições passando a deter o monopólio da violência económica e social. Que a estrutura do poder se altere de forma tão profunda e ninguém cuide de garantir níveis mínimos de legitimidade é elucidativo do desvario político que impera na Europa."

Excerto do texto de Pedro Adão e Silva, no Expresso

terça-feira, 10 de julho de 2012

Efeito Hollande


Afinal de contas, contrariando as previsões das cassandras de serviço, nem a reposição da idade de reforma, em certos casos, para os 60 anos, nem o nível de recorde de endividamento do Estado francês, nem a eleição de um Presidente e um Governo maioritário socialista parece assustar os mercados.  

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Reavivar a memória


"É preciso dizer aos alemães que os povos do Sul nunca destruíram a Europa"


Adriano Moreira, programa Zona Euro, RTP1

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O nosso futuro nas mãos deles


(Foto: Philippe Wojazer/Reuters)


 "Europa está prestes a criar uma união orçamental" disse a senhora Merkel no Parlamento Alemão, que é, como todos sabemos, o local onde está a ser decidido o nosso futuro e o de toda a UE. Não sei se este caloroso abraço foi dado antes ou depois da dupla Merkozy se ter reunido, para "repensar e refundar a Europa", mas nesse  enterim o aflito gaulês já está por tudo, reparem bem como ele se agarra à Merkel, não vá ela escapar-lhe por entre os dedos, enquanto lhe promete amor eterno e disciplina orçamental...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

... o impensável ?



"Está na altura de nos prepararmos para o impensável: aumentam agora as probabilidades de o euro não sobreviver tal como está. 
(...)
"O simples motivo pelo qual não pode existir uma solução técnica rápida é, no fundo, política. Os países com notação AAA deixaram bem claro que estão dispostos a suportar o sistema, mas só até certo ponto. E eis que já passaram há muito esse ponto. Se a Alemanha continuasse a rejeitar um aumento das suas próprias obrigações, da monetização da dívida através do Banco Central Europeu e das ‘eurobonds', a crise acabaria logicamente por provocar uma cisão. Não há forma de os Estados-membros da periferia da zona euro poderem servir de forma sustentável as suas dívidas privadas e públicas e ajustarem as suas economias ao mesmo tempo."

Wolfgang Münchau, Editor associado do "Financial Times"

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

... é fazer as contas...


(....)
"Um governante da zona euro ficou particularmente aborrecido com as críticas que fiz às políticas europeias no passado e recordou-me que os programas em questão foram pensados por alguns dos peritos mais qualificados dos estados membros, Comissão, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI).
Seriam, em minha opinião, atrasados mentais? Não usaria tal termo, mas das duas, uma: ou são mal informados ou estão a mentir. Custa-me a crer que pessoas com uma experiência sólida em macroeconomia e o mínimo sentido de honestidade defendam a ideia de uma contracção orçamental expansionista ou - menos grave, apesar de tudo - considerem que programas de austeridade coordenados não vão afectar o crescimento no curto prazo.

Jaime Guajardo, Daniel Leigh e Andrea Pescatori*, economistas do FMI, divulgaram recentemente novas provas empíricas sobre as contracções orçamentais expansionistas, com base num amplo leque de dados dos países da OCDE. Os resultados do seu estudo deitam aquela teoria por terra. Os dados mostram que, em média, uma consolidação orçamental de 1% do PIB reduz em média o consumo privado real em 0,75% no espaço de dois anos, provocando uma queda no PIB real na ordem de 0,62%. Um país pode ter razões para impor medidas de austeridade, mas não pode iludir-se e pensar que não terão impacto macroeconómico."
(...)
Wolfgang Münchau, Editor associado do "Financial Times
 
Como dizia o velho Gueterres, é fazer as contas...
 


terça-feira, 13 de setembro de 2011

Hemorragia grega



"Há muito tempo que andamos à procura de uma solução para estancar a hemorragia grega. E até agora, como não temos uma solução durável, os mercados  imaginam um cenário de explosão da zona euro".

Nas costas dos outros vemos as nossas .

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Entregues à bicharada



As notícias que nos chegam dos mercados são de estarrecer. Seria por isso de elementar patriotismo que o primeiro-ministro de Portugal tivesse ido a Berlim defender os interesses portugueses, mantendo a posição favorável aos Eurobonds. Mas já se percebeu que o fraco rei faz fraca a forte gente..,  é forte com os fracos e fraco com os fortes.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Lixo


As agências de rating não se comovem com as medidas do novo governo. Agora que nos colocaram ao nível do lixo fiquei à espera do ouvir as explicações do Pedro, mas até ver nada. Segundo o Ministro das Finanças "o downgrade não terá tido em devida conta o amplo consenso político que suporta a execução das medidas acordadas com a troika", "ignora os efeitos da sobretaxa extraordinária em sede de IRS anunciada pelo Governo durante o debate do programa de Governo no final da passada semana".

Em conclusão, não nos têm em conta e ignoram-nos. Caminhamos no escuro com os olhos vendados. O fantasma grego chegou mais depressa do que o esperado.

Actualização: o Pedro, já se pronunciou: "é o chamado murro no estômago".