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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O estado de Citius


Continuamos em estado de Cituis. Como diz Mouraz Lopes ao Diário Económico:

"Três meses após o colapso do Citius, ainda há problemas nos tribunais?

- Infelizmente, muitos. Essa é a parte negra. A reforma, na prática começou apenas há um mês e tal e ainda há muitos processos por distribuir, muitos processos para arrumar. Há vários pequenos erros de distribuição que, multiplicados por muitos tribunais, dá muitos problemas. Há o problema das instalações: temos situações graves, como Loures, Vila Franca de Xira, Beja, Setubal, Covilhã, Faro, Oliveira de Azemeis ou Porto. Estes tribunais não têm condições físicas para a reforma judiciária que foi criada.

- Não há condições para fazer a reforma?
- A reforma tinha de ter um suporte económico e de recursos humanos suficientes. Há um problema gravíssimo. Só não viu quem não quis. A falta de funcionários não permite fazer a reforma. Há muitos tribunais que não têm funcionários e isto é dramático. As coisas não estão a funcionar como deviam. É preciso ver o que está mal e corrigir rapidamente.

- Corrigir como?
- É necessário desbloquear rapidamente a verba para o concurso de funcionários. Não podemos gastar mais tempo. Ou há dinheiro para as coisas serem feitas ou vale mais a pena não fazer. Quem vai apanhar com os estilhaços é quem está nos tribunais e os cidadãos. Passaram três meses e nós continuamos sem saber o que aconteceu com o Citius..."

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

"Irei esmifrar-te até ao túmulo"



"Helder Rosalino, o secretário de Estado da Administração Pública, representa na perfeição a súcia de amanuenses sem escrúpulos que está a executar as políticas de empobrecimento do país. Alguém que faz olhando para os números, contabilizando cortes sem pensar em quem os sofre, sabendo que quando voltar ao seu gabinete de funcionário do Banco de Portugal tem uma situação de excepção à sua espera, desde o vencimento que aufere ao regime de pensões de que é beneficiário - estas não terão cortes com a lei do Governo. É errado julgarmos moralmente os actos políticos dos nossos adversários, como não se cansam de repetir os defensores destas políticas de direita? Muito pior é que esses actos políticos levem à miséria de forma amoral, sob a capa de necessidades tecnocráticas e "porque tem de ser". Quando as decisões políticas ignoram de forma ostensiva quem vai sofrer com as consequências dessas decisões, quando a política se torna desumana a ponto de ser mais importante pagar um dívida a uma instituição financeira estrangeira do que a pensão a um velho, entramos noutro território. Julgarei moralmente qualquer um que corte a pensão a um reformado de 90 anos. É isso - também - que me torna humano."

excerto da cronica de Ferreira Fernandes



domingo, 10 de março de 2013

O vazio insuportável



"Tem sido notado que o elemento mais surpreendente da manifestação do passado sábado foi o seu lado quase lúgubre. Durante longos momentos  enquanto desciam a Avenida  da Liberdade em Lisboa, milhares de pessoas caminhavam num passo pesaroso, sem o acompanhamento das palavras de ordem que tendem a surgir nestes momentos."
[...]
"Ainda assim, podíamos esperar uma revolta com algum tipo de expressão mais violenta, mesmo que apenas verbal. De algum modo, a rejeição profunda do estado de coisas combinada com ausência de alternativa visível podia encontrar escape numa espécie de baixo materialismo"[...] "Mas não, o mal-estar difuso, a indignação grisalha, encontrou refúgio num comportamento anómico.
Talvez esse seja um dos aspectos preocupantes da actual situação. Há demasiados sinais do que Durkheim chamou de anomia. Em "O Suicídio", para explicar causas não individuais do suicídio, o sociólogo francês destacava o papel dos laços comunitários como factores de integração individual, através de mecanismos de solidariedade orgânica, que contrariavam a tendência para o suicídio como resposta a acontecimentos negativos na vida de um indivíduo. Anomia correspondia, precisamente, a condições nas quais se assistia a uma quebra dos laços sociais entre um indivíduo e a sua comunidade.
Podemos bem estar a viver o início de um longo período onde a inércia social e política podem ganhar força. Faz sentido: estamos a assistir a uma mudança súbita da nossa condição económica, acompanhada por uma descoincidência quer entre os valores sociais e as aspirações individuais quer entre as proposições políticas e a existência quotidiana dos indivíduos."

Pedro Adão e Silva, A Maioria Silenciosa, Expresso

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Um pobre de espírito




"Sim, Obama é um sujeito que se sentaria à direita do CDS. É por isso incompreensível o amor da esquerda portuguesa pelo actual Presidente da União. O homem representa a negação do nosso progressismo. Então, de onde vem o amor? Ora, é cool apoiar um negro. Além disso, é preciso apoiar o pretinho, caso contrário ainda vão pensar que somos racistas, não é verdade?"

O autor desta poia incompreensível, racista e de mau gosto dá pelo nome de Henrique Raposo, assina no Expresso uma coluna que eu há muito deixei de ler pela razão simples de que gosta de dar de si próprio uma imagem de enfant terrible da direita portuguesa, quando não passa  de um triste com dificuldade de se relacionar com as suas próprias origens.  Acontece que desta vez tropecei no título "O Pretinho Salazarista", a curiosidade foi mais forte e entre o riso e a indignação interroguei-me se valerá a pena comprar o Expresso e continuar a alimentar alimárias deste calibre.




domingo, 23 de setembro de 2012

De Massamá à Manta Rota com apeadeiro no facebook

"A política está cheia de ideias que tendo um fascínio inicial acabaram por ter custos enormes a médio prazo. A banalização simbólica do lugar de primeiro-ministro é uma delas.
[...]
O primeiro-ministro estabeleceu uma relação com os portugueses sem distância e onde os mecanismos de mediação no exercício do poder foram aliviados. Não se deu ao respeito e, na primeira oportunidade, os portugueses responderam-lhe no mesmo tom. Procurou fazer assentar a sua legitimidade numa popularidade assente na rua, numa relação "tu cá, tu lá", com os portugueses, apresentando-se como homem banal que nunca pode ser enquanto é primeiro-ministro e o país respondeu-lhe na mesma moeda. Perante um justificado descontentamento, os portugueses saíram à rua, ao mesmo tempo perdiam o respeito de forma irreversível ao chefe do Governo.
[...]
É-nos dito, com razão, que a democracia radica numa legitimidade formal e não pode cair na rua. O drama é precisamente esse: o primeiro-ministro foi à procura da rua e, no sábado passado, esta regressou a galope. Agora, já nada há a fazer. É apenas uma questão de tempo. No fundo, "a rua" sabe que este governo acabou, só não sabe quando é que vai ser removido."

Citação do texto de Pedro Adão e Silva, O poder na Rua, no Expresso.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

"Dois perigos e duas soluções"


por Boaventura Sousa Santos:

Os dados estão lançados e não há como escapar à questão que levantam: Portugal é um negócio ou é uma democracia? Para o Governo e seus satélites, Portugal é um negócio. Pese embora o escândalo das contribuições para a segurança social (TSU), o confisco de mais um salário aos trabalhadores portugueses e a sua transferência para os patrões, o que de mais grave e irreversível está a acontecer diz respeito às privatizações e aos negócios internacionais que elas propiciam. O intermediário desses negócios chama-se António Borges, um agente opaco, como todos os agentes-sombra ou homens de mão. Ao contrário do que parece, não é um intermediário neutro e muito menos um zelador dos interesses nacionais. É um agente da Goldman Sachs com passaporte português. O seu negócio principal é venda de activos nacionais a preço de saldo, mas também está interessado em entregar à Monsanto a produção agrícola transgénica e a outras multinacionais, os recursos naturais do país. Se tiver poder e oportunidade, este homem causará imenso dano ao país.

A solução para estes perigos tem de decorrer de dois exercícios normais mas exigentes das instituições democráticas. Quer queira quer não, o Presidente da República estará no centro de ambos. O de mais curto prazo tem a ver com o próximo orçamento que, se contiver as medidas anunciadas, é certamente inconstitucional. Compete ao Tribunal Constitucional fazer tal verificação perante uma solicitação de fiscalização preventiva. Se o TC decidir pela inconstitucionalidade, Borges, Gaspar e seus acólitos terão de prestar contas aos seus patrões internacionais mas os portugueses concluirão que é bom ter tribunais independentes e que isso só é possível em democracia. E ficará também patente que as instituições não se deixaram chantagear pelo golpe baixo da troika ao não ter disponibilizado a última tranche do financiamento até à discussão do orçamento, apesar de ter aprovado o desempenho do governo.

O segundo exercício são as eleições antecipadas. Pode levar mais ou menos tempo mas os portugueses devem ser chamados a pronunciar-se sobre a actual situação do país e as propostas de governação que forem submetidas ao sufrágio. Aliás, as instituições europeias vêem com preocupação o aumento da agitação social na zona euro e recomendam a renovação dos consensos. A própria troika reclama que o seu receituário deve contar com o apoio social. Existe consenso quanto à continuação da austeridade inscrita no memorando? Em democracia não há outro modo de o aferir senão através de eleições. Esta solução é particularmente exigente porque as eleições só fazem sentido se os partidos estiverem preparados para elas e tiverem soluções credíveis para o descalabro a que este Governo conduziu o país. Duas condições parecem indispensáveis. Por um lado, um entendimento de convergência com incidência pré- ou pós-eleitoral entre o PS, o BE e o PCP ou, se tal não for possível, entre o PS e um dos dois últimos. Por outro lado, bases programáticas de convergência que mostrem aos portugueses as possibilidades concretas de resgatar a dignidade do país. Por ironia, a segunda condição, sendo mais complexa, é a que avança mais neste momento, plasmando-se na ampla convergência de forças democráticas que sustenta o próximo Congresso Democrático das Alternativas e nas bases programáticas que dele podem surgir. Os partidos terão aí uma boa base de trabalho.

Ambos os exercícios pressupõem a desobediência democrática ao memorando da troika. Como tenho vindo a defender, a democracia portuguesa não sobreviverá ao cumprimento pleno dele.




quarta-feira, 18 de julho de 2012

O cinismo dos "nossos" empresários de "referência"


[...]
"Na semana passada chegou ao espaço mediático a notícia sobre as condições em que estavam a viver cerca de 50 pessoas que trabalhavam para a Opway e a Somague na construção do centro de dados da PT na Covilhã. Começou no "Jornal do Fundão" e chegou a uma reportagem na SIC Notícias. Aquilo, não se queria acreditar, estava a passar-se em Portugal. Abandonados num armazém sem água, nem luz, nem condições sanitárias. Trabalhadores, boa parte imigrantes, a trabalharem para um empresa subcontratada por duas construtoras de referência que estavam ao serviço de uma das mais importantes companhias portuguesas cotadas em bolsa. Todas elas, Opway, Somague e PT têm vastos relatórios sobre sustentatibilidade e discursos sobre a responsabilidade social. Nenhuma se considerou realmente responsável pelas condições que estavam a dar a quem trabalhava para elas, ainda que por via de um subempreiteiro."
[...]
"Houve também um tempo, na escravatura e nos primeiros tempos da revolução industrial, em que o medo fez com que tudo se aguentasse. Até ao dia em que se perdeu o medo. O que é mais aterrador na actual crise é a impossibilidade de qualquer sociedade europeia aguentar a degradação de valores que as lideranças querem impor para ultrapassar os actuais problemas."

Helena Garrido, ler o texto completo




segunda-feira, 23 de abril de 2012

"Parideira sem alma"

"Cerca de quatro meses após o chefe do Governo exortar os professores sem colocação a emigrarem e do secretário de Estado da Juventude aconselhar os jovens portugueses desempregados a seguir o mesmo caminho, o secretário de Estado das Comunidades admitiu que o Governo está preocupado com a emigração. "Evidentemente que o Governo está preocupado", disse o governante. E explicou que "vamos perder muitos quadros" qualificados, sem trabalho no respectivo país e atraídos, lá fora, por trabalho certo, segurança no emprego e salários a perder de vista em relação aos que se cometem em Portugal. E esta sucessão de declarações parece confirmar a ideia de que o Governo alberga uns quantos aprendizes de feiticeiros que falam primeiro e medem as consequências depois.

Com 38 anos de idade, a democracia em Portugal tinha obrigação de ter mais qualidade e estabilidade. Mas a verdade é que cada dia é um marco numa marcha atrás acelerada. Há 38 anos, observando a cavalgada de sacrifícios para os quais, afinal, ninguém sabe apontar um destino, uma meta e um calendário, dir-se-ia que "não foi para isto que se fez o 25 de Abril". Com efeito, o rumo mais dramático da política do velhíssimo Estado Novo está em vias de reposição, com os portugueses a verem apenas um caminho para a frente, quando tudo anda para trás no seu País. E o caminho é o da emigração, que até mesmo governantes têm deixado escapar como solução para os problemas de Portugal e dos portugueses. Sendo que o reconhecimento da emigração como destino é a confissão do Fracasso das políticas internas de sucessivos governos.

Pela mão dos seus burocratas, Portugal tornou-se um País que nega o futuro aos próprios filhos. Não será a Pátria, ou a mãe, é simplesmente uma parideira sem alma. "

João Paulo Guerra, Fracasso, Diário Económico  

domingo, 18 de março de 2012

Citações

"Começamos a ter a sensação de que existe outro governo - mais maleável, mais compreensivo, menos corajoso e só para os que estão mais protegidos."
[...]
"O mesmo Governo que duplica o passe social ou corta pensões baixas enreda-se em explicações sobre a Lusoponte, um dos mais fabulosos negócios assinados em Portugal. O mesmo ministro das Finanças que corta salários e pensões, admite todas as semanas excepções às suas regras de ouro, com novas justificações: depois da TAP ou da CGD - que estão em privatização e/ou concorrência -, surgem casos como a Parque Expo ou a EMA (Empresa de Meios Aéreos) porque estão a ser extintas, um argumento difícil de entender".


Excertos do Editorial do insuspeito Expresso.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Que fazer...?



"Nesta pacata aldeia suíça, a vida corre plácida como o ruminar da vaca dos chocolates. O pai vende o leite que a Nestlé paga bem, a mãe é caixa no Crédit Suisse e de aventura só o filho, que coordena, de Genebra, o envio de comida para o Sudão. O franco, forte, o emprego, garantido, a crise, dos outros, por cá é um bocejo. Mas, de vez em quando, o Presidente decide mandar uma pedrada ao lago Léman. Desta vez, foi a deslealdade. Deslealdade entre políticos?! Como se quer que nós, povo feliz e sem histórias, acreditemos que um primeiro-ministro do partido X esconda do Presidente do partido Y um PEC IV? Aqui na aldeia pensávamos que fosse preciso nascer um político duas vezes para encontrar um desleal. Até aceitamos que um Presidente mande o seu homem de mão pedir a um jornalista para lançar o boato que o primeiro-ministro lhe anda a escutar os telefones. A política é assim, tem traquinices. Agora, esconder um PEC IV?! Ainda por cima sabemos, foi público, que o primeiro-ministro do partido X falou do PEC IV ao líder do partido Y, o do Presidente. Queres ver que o líder do partido Y também escondeu o PEC IV do seu Presidente, e lhe foi desleal? Naaa... Agora só nos faltava que o tal homem de mão tivesse dito ao jornalista para sugerir que a fonte do boato das escutas era o chefe de um cantão - um jardim, por sinal - que até era do partido do Presidente!!! Deslealdade entre políticos? A pacata aldeia não acredita."

Ferreira Fernandes, Políticos desleais?! Naaa...

Portanto, ficamos assim...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Cristalino

"Um país tem um excedente em conta corrente quando – de forma simplificada – exporta mais do que aquilo que importa. Isso conduz, geralmente, a uma procura interna estruturalmente mais fraca, como sucedeu na Alemanha na década passada. Ora, se todos os países adoptassem o mesmo modelo, isso enfraqueceria os mercados de exportação da Alemanha. O resultado portanto não seria uma melhoria nos países endividados, mas um enfraquecimento geral de todos. No fundo, jogaríamos todos na segunda divisão”, continua o comentador, acrescentando ainda que “um excedente só é uma bênção se os devedores pagarem e se houver estabilidade no sistema financeiro"

[...] "na nossa união, os bancos desconfiam uns dos outros” e os “países do défice não têm qualquer incentivo para abaterem as suas dívidas dado que os bancos centrais financiam imparavelmente o défice do sector privado”, gerando-se assim uma dívida infinita que acabará por explodir algum dia. “É preciso notar que não estou a falar da dívida soberana, mas das dívidas do sector privado. Porque são estas que constituem o grosso dos desequilíbrios em conta corrente na zona euro”.

Wolfgang Münchau retirado daqui

É tempo da esquerda na Europa  começar a chamar os bois pelos nomes.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Citações


"Não há um plano para nada[....]Os ministros cortam aqui e cortam ali[...] talvez bem talvez mal [...]. Infelizmente [...] parece uma caçada aos pardais.

Os ministros coitados não ajudam.[ ... ]O ministro da Economia, que escreveu um livro pedante e pueril[...] desapareceu num mundo que ele não conhece. [...]E o sr ministro Relvas, sem qualquer autoridade que o país reconheça, ocupa quase o palco sozinho, e gesticula e berra, provavelmente sem consequência.[ ...] O Governo [...]  não convence. Passos Coelho é um homem[....]à procura do compromisso e da unidade. E um homem hesitante à procura de firmeza e de respeito. É muito capaz de perder pelos dois lados."

Vasco Pulido Valente, no Público

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Citações


"Cegueira
 

Toda a gente em Portugal teria a ideia que o País e muitos dos seus naturais andavam a gastar o que não tinham e que, mais tarde ou mais cedo, o descomedimento iria dar mau resultado. Era assim no Estado, com o seu gigantesco aparelho sempre acrescentado de mais e mais caros 'boys' e "boysadas", nas empresas públicas, nas parcerias público privadas, nas autarquias, como nas regiões - em particular na Madeira das inaugurações permanentes -, como também da parte do cidadão comum, sempre espicaçado pelo marketing para consumir, recorrer ao crédito, endividarse, até porque haveria sempre um empréstimo para pagar os empréstimos anteriores. E quando a política irresponsável de endividamento desse para o torto, o tratamento seria de choque e com dor. O que acontece é que, para além de chocante e doloroso, o tratamento também é cego. E doente que tenha escapado da doença não vai escapar de morrer da cura. Adiante. Um dia destes testemunhei o relato de algumas experiências actuais de docência num agrupamento de escolas, essa espécie de campos escolares criados para concentrar os alunos deslocalizados, designadamente de escolas fechadas. E contava um docente que chegara já a ter que interromper aulas pois os seus trinta e tal alunos, alguns dos quais sem lugar sentado, não aguentavam a temperatura no interior do contentor.

A política cega de cortes, num sector tão sensível, decisivo e estratégico como a educação, vai ter consequências nefastas que vão prolongar-se por décadas. O insucesso escolar entre crianças agrupadas em campos de concentração vai disparar para valores jamais vistos e a recuperação nunca se fará de um ano para o outro. Esta política é cega. E os seus efeitos vão constituir uma prolongada escuridão. " 

João Paulo Guerra, Diário Económico

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Citações


"O maior castigo para aqueles que não se interessam por política, é que serão governados pelos que se interessam.” Arnold Toynbee

domingo, 7 de novembro de 2010

Oremos



"Os idiotas, de modo geral, não fazem um mal por aí além, mas, se detêm poder e chegam a ser felizes em demasia podem tornar-se perigosos. É que um idiota, ainda por cima feliz, ainda por cima como poder, é, quase sempre, um perigo.
Oremos.
Oremos para que o idiota só muito raramente se sinta feliz. Também, coitado, há-de ter, volta e meia, que sentir-se qualquer coisa."

Alexandre O'Neill, in "Uma Coisa em Forma de Assim"